Pular para o conteúdo principal

Esporotricose zoonótica

criado em 26/10/2022 - atualizado em 07/11/2022 | 11:33

A esporotricose está incluída no grupo das micoses subcutâneas, sendo causada por fungos do gênero Sporothrix, encontrados comumente no solo, substrato de plantas e vegetais, árvores e materiais em decomposição. A partir da segunda metade da década de 1990 os gatos, acometidos pelo fungo, em especial no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul passaram a fazer parte do ciclo de transmissão da doença. Atualmente está em processo de endemização na maior parte do país, onde ainda não é de notificação obrigatória. No estado de Minas tornou-se compulsória a notificação em dezembro de 2018, assim como em outros estados e alguns municípios nacionais.

 

Transmissão

Pode ocorrer por meio da forma clássica, com a implantação do fungo termodimórfico, em sua na forma micelial, na pele, por meio de trauma decorrente de acidentes com espinhos, palha ou lascas de madeira; contato com vegetais em decomposição.


A grande maioria dos casos da atualidade decorrem da transmissão zoonótica a partir de arranhaduras, mordeduras ou contato direto com lesões ulceradas de gatos. Os gatos albergam grande número de células fúngicas leveduriformes que podem ser transferidas de um animal para outro ou para seres humanos. Essa forma de transmissão é altamente facilitada pelo comportamento semi-domiciliado dos felinos.


Essa zoonose adquire importância epidemiológica, na medida em que é transmitida por animais que vivem dentro das residências, em estreita relação com o ser humano.


FIQUE ALERTA!

Para evitar a transmissão da doença em humanos, recomenda-se cuidado na abordagem de gatos, principalmente se forem desconhecidos e estiverem com lesões.


Se visualizar animais com feridas (muitas vezes no rosto, ao redor do nariz, nas patas e ou na cauda - figura 1) avise o serviço de controle de zoonoses de sua Regional. Este animal está em sofrimento e pode ser fonte de infecção para outros animais.

 

Sinais clínicos

Em humanos

As formas clínicas da esporotricose podem ser divididas em duas categorias principais: cutâneas e extracutâneas (figura 2), sendo variáveis e relacionadas ao estado imune do hospedeiro, à quantidade e à profundidade do inóculo fúngico, à patogenicidade e à termotolerância da cepa.


Em caso de acometimento de órgãos internos, por exemplo, quando o fungo afeta os pulmões, pode surgir tosse, falta de ar, dor ao respirar e febre, assemelhando-se aos sintomas da tuberculose. Também pode afetar os ossos e articulações, manifestando-se com inchaço e dor aos movimentos, bastante semelhante aos de uma artrite infecciosa. As formas clínicas da doença vão depender de fatores, como o estado imunológico do indivíduo e a profundidade da lesão. O período de incubação varia de uma semana a um mês, podendo chegar a seis meses após a entrada do fungo no organismo.

 

Figura 1: Lesões de esporotricose animal em humanos.
Figura 1: Lesões de esporotricose animal em humanos. Fonte: Fonte: CCZ e DIZO/SMSA/PBH

 

Em gatos

Podem apresentar desde formas subclínicas até a forma disseminada sistêmica. Lesões cutâneas são consideradas o principal sinal clínico em gatos com predominância de nódulos e úlceras. Pode ser observada lesão única ou múltiplas lesões ulceradas, com ou sem exsudato, principalmente na região da cabeça, cauda e patas. Ocorre ainda envolvimento de mucosas, especialmente as do trato respiratório, com aumento de volume da região nasal, espirros e secreção, em concomitante ou não às lesões cutâneas.

 

Lesões de esporotricose em gatos
Figura 2: Lesões de esporotricose animal em gatos. Fonte: CCZ e DIZO/SMSA/PBH

 

Em cães

A infecção normalmente se restringe à pele e ao tecido subcutâneo, sem acometimento sistêmico, não sendo considerado ainda um animal com importância na epidemiologia da doença.

 

Diagnóstico

Em humanos

O diagnóstico da esporotricose é realizado por meio da associação entre a suspeita clínica, dados epidemiológicos e exames laboratoriais. O relato de contato com felinos diagnosticados com esporotricose é uma informação epidemiológica muito importante. Os níveis de evidência para o diagnóstico humano variam de acordo com os achados da anamnese até a realização de teste laboratorial específico.

 

Em animais

O diagnóstico deve ser, preferencialmente, realizado por métodos laboratoriais específicos. Como o gato tem grande quantidade de fungos nas lesões, o diagnóstico citológico é possível e muito utilizado. Em casos negativos à citologia, a cultura é o teste de referência.

 

Tratamento

Em humanos

A doença não é considerada grave e tem tratamento disponibilizado gratuitamente. Após avaliação clínica, realizada nos Centros de Saúde do município, o tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível e sua duração pode variar, em média, de três a seis meses até a cura completa. Toda a orientação e acompanhamento médico necessários estão disponíveis na rede SUS BH.

 

Em animais

O tratamento nos animais é possível e deve ser realizado com o animal em isolamento, com as devidas medidas de higiene e limpeza para se evitar a disseminação do fungo no ambiente, reinfecções e infecções de outros animais e do homem.


A medicação deve ser ofertada junto à primeira alimentação do dia, após jejum noturno, misturada em ração úmida ou patê, na dosagem recomendada conforme o porte do animal e as condições clínicas.


O tratamento deve ser acompanhado por médico veterinário até a cura completa que se dá em até dois meses após fechamento da(s) feridas e nascimento de pelos no local.


Em Belo Horizonte o tratamento pode ser realizado no Complexo Público Veterinário. Os animais serão atendidos rotineiramente de segunda a sexta-feira, de oito ao meio dia, com a distribuição de trinta senhas diárias por ordem de chegada.


Na primeira consulta, o tutor recebe o diagnóstico prévio com informações básicas e é agendado o retorno para o próximo sábado para se iniciar o tratamento.


Para cada sábado serão atendidos o mínimo de trinta animais, sendo este dia de funcionamento exclusivo para esporotricose.


No primeiro dia de tratamento, o animal será avaliado clinicamente e coletados materiais para diagnóstico da esporotricose e de acordo com cada caso, exames hematológicos e bioquímicos.


Animais com exame laboratorial prévio podem ser encaminhados diretamente para tratamento. 
 

 

Prevenção e controle

A principal medida de prevenção e controle a ser tomada é evitar a exposição direta ao fungo, seja para os homens ou animais. Para os homens deve-se evitar o contato ou usar EPI adequado quando necessário o manuseio de animais desconhecidos ou suspeitos/doentes.


Também é importante usar luvas e roupas de mangas longas em atividades que envolvam o manuseio de material proveniente do solo e plantas, bem como o uso de calçados em trabalhos rurais. Além disso, a correta higienização do ambiente (limpeza e desinfecção) pode ajudar a reduzir a quantidade de fungos dispersos e, assim, evitar novas contaminações.


A principal forma de prevenção entre os animais é evitar que saiam de casa livremente, evitando que contraiam esta ou outras doenças e as transmitam, tanto para humanos como para outros animais. Animais sadios devem ser castrados, o que restringe a saída para a ronda, briga por fêmeas e por território.


Se o animal de estimação apresentar a doença, deve ser isolado e receber o tratamento indicado pelo médico veterinário, não devendo ser abandonado, maltratado ou sacrificado. Caso o animal morra, seu corpo deverá ser incinerado e não jogado no lixo, nem deixado ou enterrado em terrenos baldios, pois a contaminação do solo irá manter o ciclo da doença. O serviço de controle de zoonoses deve ser acionado para o recolhimento e incineração, que é destino correto do cadáver nesta situação.

 

Dicas úteis

  • A Prefeitura de Belo Horizonte disponibiliza exames laboratoriais gratuitos para diagnóstico da esporotricose animal. Se seu gato estiver com algum sintoma (feridas na pele, aumento do tamanho do nariz, espirros) você pode fazer o exame na PBH. Ligue para sua regional ou procure o Centro de Saúde mais próximo da sua casa. VEJA AQUI a lista completa.
  • Se a doença for confirmada, seu animal pode e deve ser tratado, esta atitude faz parte da guarda responsável. Consulte seu veterinário de confiança para realizar o tratamento corretamente ou procure o Hospital Público Veterinário de Belo Horizonte.
  • Castre seu animal. Gatos castrados tendem a sair menos de casa, a brigar menos por disputa de território e por fêmeas. O próprio coito dos gatos pode ser uma importante forma de transmissão, pois o macho prende as unhas na fêmea e pode mordê-la durante a cruza. Além disso você evitará crias indesejadas. A PBH oferece castração gratuita de cães e gatos. VEJA AQUI mais informações.
  • Mantenha a saúde de seu animal em dia. O controle parasitário pode reduzir a chance de desenvolvimento da doença, pois o animal estará mais saudável e forte. Assim como a realização anual da vacina antirrábica e vacinas espécies-específicas. A vacina contra raiva é disponibilizada pelo SUS o ano todo. VEJA AQUI os pontos de vacinação.
  • E lembre-se! Acidentes com animais devem ser monitorados para vigilância da raiva. Procure o Centro de Saúde mais próximo de sua casa em caso de agressão animal (unhada, mordida ou contato de secreção com mucosas). CLIQUE AQUI e saiba mais sobre as ações de vigilância da raiva.
  • Se seu animal suspeito ou doente de esporotricose vier a morrer, não o enterre. Acione o serviço de controle de zoonoses de sua regional para o recolhimento e incineração do cadáver. O animal enterrado será uma importante fonte de contaminação do solo com o fungo causador da doença.
  • Se visualizar animais com feridas (muitas vezes no rosto, ao redor do nariz, nas patas ou na cauda) avise o serviço de controle de zoonoses de sua regional. Este animal está em sofrimento e pode ser fonte de infecção para outros animais.

 


Complexo Público Veterinário
Rua Pedro Bizzotto, 230 - Madre Gertrudes
Horário de funcionamento: das 8h às 18h


Centro de Controle de Zoonoses (CCZ)
Rua Edna Quintel, 173 - São Bernardo
3277-7411/ 3277-7413
Horário de funcionamento: das 8h às 17h


 

Acesse o material abaixo para mais informações:


Esporotricose - Protocolo de enfrentamento da doença em Belo Horizonte

Ficha de Investigação de Esporotricose