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Sífilis

atualizado em 24/02/2021 | 12:28

O QUE É? 

É uma doença infecciosa, sexualmente transmissível, causada pela bactéria Treponema pallidum. A infecção pode se manifestar em três estágios da doença. Os sintomas são mais evidentes nas duas primeiras fases, período em que a doença é mais contagiosa. Vale ressaltar que parte das pessoas infectadas pode ser assintomática ou não ter manifestações aparentes, especialmente no caso de mulheres, o que reforça a importância da investigação através do diagnóstico sorológico na gestante e em todos os casos de suspeita epidemiológica (risco de contágio). Nos casos de sífilis não tratada adequadamente, os sintomas podem desaparecer dando a falsa impressão de cura da doença, mas o indivíduo permanece infectado e disseminando a infecção se as medidas de prevenção em IST não forem rigorosamente praticadas.

 

TRANSMISSÃO: 

A sífilis pode ser transmitida de uma pessoa para outra durante o ato sexual com alguém infectado e sem o uso de preservativo sexual (masculino ou feminino), por transfusão de sangue contaminado ou da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto. 

 

SINAIS E SINTOMAS: 

Sífilis Primária - O tempo entre a contaminação e o surgimento das primeiras manifestações da doença (incubação) é de dez a 90 dias (média de três semanas). 


Podem surgir:

  • Úlcera (ferida) rica em bactérias do treponema, geralmente única e indolor, com borda bem definida e regular, base endurecida e fundo limpo, que ocorre no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais do tegumento), sendo denominada “cancro duro”. 
  • Ínguas (nodulações) nas virilhas.
  • Mesmo sem tratamento, essas feridas podem desaparecer sem deixar cicatriz, mas a pessoa continua doente.

Sífilis Secundária - ocorre em média entre seis semanas a seis meses após a cicatrização do cancro, podendo ocorrer mesmo que a manifestação inicial da úlcera não tenha sido percebida.

Sendo observados:

  • Manchas no corpo (inclusive mãos e pés).
  • Condilomas planos (lesão tipo verrugas) nas dobras mucosas, especialmente na área anogenital. 
  • Queda do cabelo.
  • Úlceras (feridas) na boca. 
  • Pode ocorrer febre baixa, cefaleia e dor no corpo. 
  • Muito frequentemente essa fase é acompanhado de micropoliadenopatia (presença de nodulações - linfonodos ou gânglios superficiais aumentados em número e tamanho), sendo característica a identificação dos gânglios epitrocleares (na região dos cotovelos). 
  • Menos comumente, pode ocorrer acometimento neurológico com manifestação de meningite e envolvimento da visão, que causa dor ocular principalmente. 
  • Também nesta fase, após algum tempo, que varia de pessoa para pessoa, as manifestações mais comuns desaparecem, dando a falsa ideia de melhora, independentemente do diagnóstico e do tratamento. 

Sífilis Latente - Período em que não se observa nenhum sinal ou sintoma, após a ocorrência da sífilis secundária. 
A sífilis latente é dividida em latente recente (até um ano de infecção) e latente tardia (após um ano da infecção). Aproximadamente 25% dos pacientes não tratados intercalam lesões de sífilis secundária com os períodos de latência, durante um a dois anos da infecção.

Sífilis Terciária - Ocorre aproximadamente em 15% a 25% das infecções não tratadas, após um período variável de latência, podendo surgir entre dois e 40 anos depois do início da infecção, muitas vezes de diagnóstico bastante difícil. Ocorrem acometimentos graves como surdez, paralisias, transtornos psiquiátricos, doença cerebral, problemas cardíacos e morte. Felizmente a sífilis terciária é uma forma de ocorrência bastante rara da sífilis na época atual. 


Sífilis Congênita - É a transmissão da doença de mãe para filho durante a gestação ou parto. A infecção é grave e pode causar malformação do feto, aborto ou morte do bebê. É importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal com objetivo de instituir o tratamento oportuno da gestante e prevenir que a sífilis congênita ocorra. Quando o resultado for positivo, a mulher e seu parceiro devem ser tratados corretamente. Entretanto ressalta-se que na abordagem inicial da gestante com o teste positivo, o parceiro (ou as parcerias sexuais) deve(m) iniciar o tratamento, enquanto aguardam uma segunda testagem, independentemente do resultado da sua testagem inicial, em especial se realizado o teste rápido. Só assim é possível evitar a transmissão da infecção. 
 

DIAGNÓSTICO: 

O diagnóstico da infecção é dado por informações epidemiológicas, clínicas e de exames complementares.

 

TESTE RÁPIDO: 

Mesmo quando não há evidências de sinais ou sintomas da doença, é importante que todas as pessoas que tenham ou já tiveram atividade sexual façam o exame para detecção da sífilis. Para as gestantes o teste deve ser feito na 1ª consulta do pré-natal, no 3º trimestre da gestação (28ª semana) e no momento do parto ou aborto (independentemente de exames anteriores).  O diagnóstico de sífilis requer intervenção imediata, com o objetivo de reduzir a possibilidade de transmissão vertical (transmissão da infecção da mãe para o feto).

 

VDRL 

Recomenda-se pedir o exame laboratorial VDRL, de rotina: na 1ª consulta do pré-natal, no 3º trimestre da gestação e no momento do parto ou aborto. 
Em caso de gestante positiva para sífilis, o VDRL deverá ser realizado mensalmente até o parto, para acompanhamento da queda da titulação desse exame, à partir do tratamento. 

 

TRATAMENTO 

O tratamento deve ser iniciado imediatamente, com penicilina (benzilpenicilina benzatina), após apenas um teste reagente para sífilis. A aplicação da medicação é feita nos centros de saúde, sendo fundamental completar as três doses para cura.

 

CUIDADOS COM O RECÉM-NASCIDO

Todos os bebês filhos de mães com suspeita ou diagnóstico de sífilis durante a gestação  devem realizar o VDRL,  independentemente do tratamento ou dos exames da mãe. Os bebês que tiverem suspeita de sífilis congênita precisam fazer uma série de exames antes de receber alta.


PREVENÇÃO

O uso dos preservativos em todas as relações sexuais e o correto acompanhamento durante a gravidez são meios simples, confiáveis e baratos de prevenção contra a sífilis. Preservativos estão disponíveis em todos os centros de saúde gratuitamente.

 

LINHA DE CUIDADO PARA ATENÇÃO INTEGRAL À PESSOA COM SÍFILIS ADQUIRIDA

A linha de cuidado (LC) para sífilis adquirida, descrita neste documento, é uma estratégia de articulação de recursos e práticas de saúde entre as Unidades de Atenção em cada território e visa um direcionamento adequado das diversas possibilidades de diagnóstico e terapia, como resposta de enfrentamento à infecção.

 

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Linha de Cuidado - Sífilis