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Histórico

atualizado em 25/09/2019 | 11:05

 

Frente da Casa MCK
Foto: Ana Karina Bernardes/PBH

 

A casa que abriga o Museu Casa Kubitschek - MCK - foi construída às margens da Lagoa da Pampulha em 1943 a pedido do então prefeito Juscelino Kubitschek (1940-1945) que, ao edificá-la, tinha a intenção de estimular a ocupação da região, transformando-a em um sofisticado “bairro de recreio” de Belo Horizonte.

 

A casa conta com ampla área social – varanda, sala de estar, sala de jantar, sala de música, sala de jogos -  evidenciando sua característica de ser uma “casa para receber”. Os setores são bem definidos, sendo o setor íntimo, localizado no pavimento superior, garantindo-lhe privacidade. O setor de serviços, ainda que contíguo à sala de jogos, apresenta-se de forma independente.

 

No projeto da residência, Oscar Niemeyer optou pelo “telhado borboleta”, que se tornou uma das referências mais marcantes da casa. Outros elementos característicos da arquitetura moderna também estão presentes: fachadas envidraçadas, marquise, acesso por rampas, dentre outros. Além dos traços modernistas, Niemeyer introduziu elementos da arquitetura colonial mineira, como treliças e esquadrias de madeira pintadas de azul, contrastando com a alvenaria na cor branca e baldrame em pedra.

 

Interior do MCK
Foto: Ana Karina Bernardes/PBH

 

A casa de campo pertenceu à família Kubitschek nos anos de 1940 e foi vendida ao Sr. Joubert Guerra, assessor e amigo pessoal de Juscelino, em 1951. Dona Juracy Guerra, esposa de Joubert, viveu na casa até 2004, quando faleceu. Deve-se à ela a preservação da casa e o rigor na manutenção de sua arquitetura original. Durante mais de cinco décadas ela foi a personagem principal da casa e um pouco de sua história é revelada nos móveis que hoje constituem o acervo do museu. Em 2005, quando a Prefeitura de Belo Horizonte adquiriu o imóvel para transformá-lo em um museu público, incorporou também os móveis de Dona Juracy. Grande parte deles traz características modernistas e em quatro peças, a própria Juracy fez intervenções artísticas.

 

A edificação e seus jardins contam com tombamento federal (1997), estadual (2009) e municipal (2003).

 

Os jardins


Não só as características da edificação, mas também a composição de seus jardins, projetados por Roberto Burle Marx, fazem desta casa uma residência singular na cidade.

 

Jardins do MCK
Foto: Ana Karina Bernardes/PBH

 

Implantada com grande afastamento frontal, o acesso à edificação se dá por uma rampa curva, feita de pedra portuguesa, entremeada por placas irregulares de quartzito. Ladeando a rampa, encontram-se os canteiros compostos por plantas com cores, texturas e formatos que se complementam. Apenas nas laterais, tem-se arbustos de médio porte, de forma a não comprometer a vista da Lagoa. Um lago de forma sinuosa permite a introdução de plantas aquáticas, que produzem um belo contraste vegetacional. Um banco revestido de mosaico acompanha o lago e realça o caráter contemplativo do jardim.

 

Na parte posterior da edificação, o pátio interno da casa se abre para um canteiro de “coração magoado”. 

 

Valendo-se da vegetação de canga, encontrada nas serras de minério de ferro, Burle Marx criou um jardim rochoso, que acompanha a elevação do terreno. Aqui podemos observar que o paisagista não só se preocupava em usar espécies de plantas brasileiras, mas também em reproduzir as interações ecológicas que investigava em suas excursões pelo território nacional em busca de plantas com potencial para uso ornamental e estudos ambientais.

 

Na planície que encerra o terreno, tem-se a área de lazer composta pela piscina, algumas árvores frutíferas e amplo gramado margeado por uma mureta de cobogós.

 

À época de Dona Juracy, ela transformou essa área de lazer em um verdadeiro pomar. Nos jardins frontal e posterior também introduziu outras espécies ornamentais, adequando o paisagismo ao seu gosto. Por diversas vezes, afirmou ser o jardim a parte da casa que ela mais gostava. Passava o dia cuidando das plantas e dizia querer dormir do lado de fora da casa.

 

Quando da transformação da residência em museu, o projeto de restauração do paisagismo buscou aproximá-lo do original de Burle Marx, recuperando as características dos jardins modernos.