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Serginho Divina Luz

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Serginho Divina Luz

Sérgio Luiz dos Santos, o Serginho Divina Luz, construiu uma trajetória profundamente enraizada em Belo Horizonte, marcada pelo senso de comunidade e pela preservação das matrizes culturais afro-brasileiras.

O seu mergulho no samba começou na década de 1970, na extinta Unidos da Colina. Nos anos 1980, destacou-se como cantor e compositor em redutos como o Curral do Samba. Fundou grupos históricos, como o Kizumba Clube do Samba e o Grupo Divina Luz. Como vocalista e surdista, acompanhou ícones nacionais em passagem pela capital mineira, a exemplo de Bezerra da Silva, Dona Ivone Lara e Jovelina Pérola Negra.

A sua atuação ganhou novos contornos em outubro de 2008, ao inaugurar o Quintal do Divina Luz na sua própria casa. A essência do local remonta ao antigo Terreiro Divina Luz, mantido pela sua mãe, Mãe Neuza. Benzedeira e respeitada liderança no território, ela transmitiu a Serginho o fundamento de que o acolhimento — simbolizado pelo fogão a lenha — é, acima de tudo, um ato cultural. Consolidado como um polo de preservação do samba de raiz, o Quintal já foi palco para baluartes como Moacyr Luz e Zé Luiz do Império Serrano.

O falecimento de Serginho, em junho de 2023, causou profunda comoção na cena belo-horizontina. Contudo, a sua força ancestral permanece viva. Em maio de 2026, o espaço foi reinaugurado sob a condução da sua filha, Tauana Luiza, reafirmando o compromisso da família com a continuidade do legado. Muito além de uma casa de espetáculos, o Quintal pulsa como um território negro de convivência e valorização da cultura local.

Serginho integra a seleta linhagem de personalidades que alicerçaram o samba na identidade de Belo Horizonte. A sua história segue reverberando no seu reduto, uma fonte inesgotável de inspiração e pertencimento.