Pular para o conteúdo principal

Tia Rosa - Rosângela Alves de Oliveira

criado em - atualizado em

 

Rosângela Alves de Oliveira, eternizada na memória cultural de Belo Horizonte como Tia Rosa, construiu uma trajetória forjada no seio da cultura popular. Filha de Dona Cazuza — uma das matriarcas do samba na capital —, herdou desde cedo a paixão e o respeito pelas tradições afro-brasileiras. Nascida em 9 de julho de 1957 e criada sob a forte influência das festividades do bairro Caiçara, desenvolveu uma notável capacidade de articulação comunitária, tornando-se uma liderança natural e um pilar de acolhimento.


O seu mergulho no Carnaval passou por agremiações históricas como Monte Castelo, Canto da Alvorada, Cidade Jardim, Unidos Guarani e a sua escola do coração, a Mocidade Independente Bem-Te-Vi. Muito além do brilho das passarelas, Tia Rosa tornou-se disseminadora da cultura popular. Atuou como carnavalesca, mestre de alas e diretora, destacando-se como uma exímia aderecista. A sua liderança era marcada pela generosidade: como relata sua família, ela virava noites confeccionando fantasias e fazia questão de preparar cada componente antes de cuidar de si mesma, transformando o Carnaval em um verdadeiro ato de doação.


Essa dedicação intensa nos barracões somava-se a um magnetismo público inesquecível. Dona de uma presença física marcante e de uma generosidade ímpar, protagonizava cenas icônicas na dispersão dos desfiles, encantando a todos ao seu redor. No ambiente familiar, o seu perfil agregador transformava qualquer encontro em festa. Como mãe, transmitiu essa devoção ancestral à sua filha, Ana Cláudia, que a acompanhava nos barracões desde o nascimento e que, ainda criança, foi coroada Rainha do Samba, garantindo a continuidade do legado familiar.


Com o seu falecimento em 30 de maio de 2024, Tia Rosa transcendeu o papel de integrante das escolas de samba para se firmar definitivamente como uma guardiã do patrimônio imaterial da cidade. A sua história, construída com suor, criatividade e solidariedade, permanece como um símbolo definitivo da força das mulheres negras que sustentam e fortalecem a identidade da cultura popular de Belo Horizonte.


Nota da pesquisa: O resgate histórico e as informações biográficas deste perfil contaram com a valorosa colaboração e pesquisa de Rosane Pires Viana, idealizadora e produtora do projeto Samba na Roda da Saia. A pesquisadora atua na valorização do papel das mulheres sambistas e no processo de salvaguarda do samba como Patrimônio Cultural Imaterial de Belo Horizonte.