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Mandruvá - José Eustáquio da Silva

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Fotografia em enquadramento de meio-corpo de um homem negro sorridente, recortado contra um fundo inteiramente branco. Ele está levemente inclinado para a frente, olhando para a câmera com uma expressão alegre e descontraída, sorrindo e mostrando a língua de forma brincalhona. Com a mão esquerda apontada em direção à câmera, ele veste uma camisa de botão branca aberta sobre uma camiseta também branca, boné claro com um pequeno logotipo escuro na frente, e óculos de armação bege clara com hastes vermelhas e lentes escuras. Ele possui barba e cavanhaque curtos e grisalhos. Usa acessórios como um colar de contas azuis, brancas e vermelhas, anel no dedo mínimo e pulseiras prateadas no pulso esquerdo.

 

MANDRUVÁ - José Eustáquio da Silva

 

Nascido em Timóteo, no Vale do Aço, José Eustáquio da Silva, conhecido como Mandruvá, construiu sua trajetória em Belo Horizonte, cidade onde chegou ainda bebê e que se tornaria o cenário de sua vida e de sua profunda dedicação ao samba. Sua infância foi marcada por desafios e pelo trabalho desde cedo. Ainda jovem, atuou como camelô e ajudante de caminhão, experiências que atravessaram sua trajetória e também inspiraram sua produção musical, como na composição "Camelô", transformando vivências pessoais em memória e expressão artística.


Foi em Belo Horizonte que Mandruvá consolidou sua relação com o samba e dedicou-se ao fortalecimento do Carnaval e da cultura popular. Ao longo de sua trajetória, participou da fundação de diversos grupos de samba da cidade, entre eles Os Pretões, Partideiro do Ganzê, Ritmistas do Samba e Descontrasamba. Sua atuação como compositor também marcou a história do Carnaval belo-horizontino. Em 2010, alcançou um feito de destaque ao ter cinco sambas-enredo de sua autoria levados à avenida, em diferentes agremiações.


Dono de uma voz potente, de presença marcante e de uma personalidade acolhedora, Mandruvá foi também uma importante liderança na organização e na valorização do samba em Minas Gerais. Foi membro fundador da Associação da Velha Guarda da Faculdade do Samba de Belo Horizonte, integrou a Velha Guarda do Samba de Minas Gerais e fundou a Velha Guarda Primária do Samba. Também atuou como diretor do Conselho Fiscal do Sindicato dos Músicos Profissionais de Minas Gerais.


Seu compromisso com a cultura e com a transformação social também se expressou por meio da criação da ONG Tambor Uai, iniciativa voltada ao trabalho com adolescentes em áreas de risco, utilizando a música e a cultura como instrumentos de convivência, formação e inclusão.
Em reconhecimento à sua trajetória e à sua contribuição para a cultura da cidade, Mandruvá recebeu o Título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte em 2020, em sessão solene na Câmara Municipal. Faleceu em 10 de janeiro de 2023, na capital mineira, aos 67 anos, deixando uma importante contribuição para a história do samba e do Carnaval de Belo Horizonte.


Sua trajetória se inscreve na memória cultural da cidade como parte da história de resistência, criação e organização do samba mineiro. Ao dedicar sua vida à música e à cultura popular, Mandruvá contribuiu para fortalecer a presença e o reconhecimento da população negra na construção da identidade cultural de Belo Horizonte.


Nota da pesquisa: Este perfil foi elaborado a partir de informações reunidas em registros do Almanaque do Samba, do depoimento de Mandruvá durante a sessão solene de outorga do Título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte, realizada na Câmara Municipal em 2020, e de coberturas jornalísticas sobre sua trajetória e falecimento.