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Lourdes Maria

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Dona Lourdes Maria
Reprodução

 

Lourdes Maria, com apelidos variados como “Tia Ciata de Belo Horizonte”, Lourdes Puri, Lourdes Sambista, Lourdes Serenô  e, no universo do samba, como Lourdes “Bocão”, nasceu em Esmeraldas (MG) no dia “07 do 7 de 1927”- como gostava de destacar a presença do número 7 em sua vida. Mudou-se ainda criança para a capital mineira. Sua trajetória está diretamente ligada à formação, permanência e a resistência da cultura da cidade, sendo reconhecida como uma das referências fundamentais da história do samba belo-horizontino.


O apelido que a associa à Tia Ciata estabelece um diálogo simbólico com a tradição do samba como espaço de encontro, articulação comunitária e resistência cultural da população negra. Assim como a matriarca baiana, Lourdes Maria foi uma importante articuladora  de pessoas e saberes, promovendo encontros e fortalecendo ambientes onde o samba se afirmava como prática cultural, social e política.


Em um contexto predominantemente masculino, iniciou sua atuação ainda jovem na Escola de Samba Nova Esperança, em 1946. No ano seguinte, com apenas 20 anos, fundou a Escola de Samba Monte Castelo, tornando-se uma das poucas mulheres à frente da criação de agremiações carnavalescas em Belo Horizonte. Nesse período, recebeu o título de “Rainha do Samba”, em reconhecimento ao seu destaque nas disputas carnavalescas da cidade.


Ao longo de sua trajetória, integrou diferentes grupos e escolas, como a Inconfidência Mineira e o Unidos do Barro Preto, compartilhando espaços com importantes nomes do samba local. Entre suas composições registradas estão “Da Licença”, que levou o grupo Cidade Jardim à Avenida pela primeira vez, e “Raça Negra”, posteriormente gravada por integrantes da Velha Guarda do samba.
A vida de Lourdes “Bocão” é marcada pelo protagonismo, pela resistência e pela afirmação da presença feminina no samba. Seu nome integra o conjunto de trajetórias que constituem o patrimônio cultural de Belo Horizonte, especialmente no que se refere às manifestações de matriz africana e às expressões culturais negras que moldam a identidade da cidade.