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Dia Nacional da Botânica

criado em 16/04/2021 - atualizado em 16/04/2021 | 16:56

 

A botânica é uma ciência, ramo da biologia que estuda as plantas, fungos e algas. Os botânicos, profissionais da área, dividem o seu estudo em morfologia, classificação, identificação, reprodução, fisiologia, distribuição e ecologia ou relações mútuas e com outros seres vivos.

 

Para que um Dia Nacional da Botânica? Por que instituir uma data comemorativa no calendário nacional para isso?

 

As plantas são fundamentais para a vida do ser humano e para toda forma de vida na Terra. Lembrar-se de sua importância nesse dia vai muito além de admirá-las em jardins e nas ruas da cidade, ou de entender a fotossíntese ou de compreender sua função no equilíbrio climático mundial. São as plantas as responsáveis por fornecer os mais diversos tipos de alimentos, são consumidas in natura em saladas e podem ser encontradas também na composição dos mais diversos tipos de fast foods. E não para por aí: participam de nossas vidas mais do que como fontes de alimento e temperos culinários. Elas fornecem combustível, fibras para o vestuário, madeira para móveis e construções, celulose para produção do papel do dinheiro e dos livros. Estão presentes na composição dos mais diversos remédios, desde o chá da vovó para dor de barriga até os milhares de fármacos comprados nas drogarias.

 

Todos dependemos das plantas, e conhecer sua diversidade, suas substâncias e suas funções no ambiente é crucial para a continuidade da vida na Terra e para a preservação do meio ambiente.

 

O Dia da Botânica foi instituído em 24 de maio de 1994, há menos de 30 anos. Ele é comemorado em 17 de abril e serve para lembrar toda a humanidade sobre a importância das plantas e de estudos a seu respeito. Os profissionais que dedicam a vida a estudar e desvendar este vasto campo do mundo vegetal são chamados de botânicos.

 

O Jardim Botânico de Belo Horizonte, localizado na região da Pampulha, foi inaugurado em 1991. Ele é composto por vários jardins e estufas temáticas na área de visitação e tem o importante papel de abrigar o cultivo de espécies ameaçadas de extinção de Minas Gerais, além de participar de projetos de conservação da biodiversidade e contribuir com o plantio de espécies nativas para recuperação de áreas degradadas da capital mineira. Para saber mais sobre nosso Jardim Botânico, acesse o site da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e conheça assim os conteúdos da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica: www.pbh.gov.br.

 

 


Quiz Dia Nacional da Botânica

Clique aqui e divirta-se aprendendo um pouco mais sobre esta ciência! 


 

 

Conheça a seguir um pouco da história e das descobertas de alguns dos importantes naturalistas que deram início ao estudo da flora em nosso país:
 

  • Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868)
  • Amaro Macedo (1914-2014)
  • Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853)
  • Eugen Warming (1841-1924)
  • Graziela Maciel Barroso (1912-2003)
  • Margaret Mee (1909-1988)
  • Teresa da Baviera (1850-1925)

Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868)

Em 17 de abril de 1994, foi instituído O Dia Nacional da Botânica. A data foi uma homenagem aos 200 anos do nascimento de Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), renomado naturalista do século XIX, professor de botânica na Universidade de Berlim e diretor do jardim botânico de Munique.

 

Martius chegou ao Brasil em 1817, na comitiva da imperatriz Leopoldina na ocasião de seu casamento com Dom Pedro I. Ele permaneceu no país entre 1817 e 1820, tendo como companheiro de viagem o zoólogo Johann Baptist von Spix. Elaborou desenhos entre 1823 e 1831, que posteriormente resultaram em importantes publicações ilustradas em três volumes da renomada obra documental Reise in Bresilien, com 78 imagens de paisagens e da flora brasileira, dos índios e seus costumes.

 

Realizou aqui expedições pelas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, onde colheu e catalogou uma vasta quantidade de espécimes vegetais descritas na Flora Brasiliensis, obra que contou com a participação de mais de 60 especialistas. A coleção descreve 22.767 espécies de plantas, das quais 19.629 são nativas e 5.689 foram apontadas como novas. Consiste em 15 volumes subdivididos em 40 partes. Originalmente foi publicada entre 1840 e 1906. Martius morreu antes que essa que foi sua principal obra fosse totalmente publicada, deixando-a como legado para outros editores. Sua obra é referência para a botânica brasileira até os dias de hoje.

 

Referências bibliográficas:

https://ims.com.br/titular-colecao/carl-friedrich-philipp-von-martius/

http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/no-dia-da-botanica-botanicos-que-fizeram-historia/

http://florabrasiliensis.cria.org.br/info?history

 


Amaro Macedo (1914-2014)

 

Você já ouviu falar de Amaro Macedo? Aposto que os que têm curiosidade e gostam de plantas adorariam tê-lo conhecido... Foi um naturalista brasileiro considerado o maior coletor de espécies vegetais do cerrado do século XX! Seus exemplares estão espalhados em herbários de várias partes do mundo.

 

E, não sei se você sabe, mas os herbários são locais muito importantes por abrigar plantas ou fragmentos de planta desidratados, que reúnem informações e características das espécies vegetais, contribuindo para o conhecimento da biodiversidade.

 

Dentre as espécies que ele coletou, várias foram descritas como novas, e assim cerca de 50 delas foram identificadas cientificamente com o nome de Amaro Macedo, em sua homenagem. Além disso, imagine a relevância de seu estudo, uma vez que o bioma cerrado é reconhecido como o maior dos sistemas em biodiversidade do mundo, com numerosas espécies endêmicas, ou seja, que só existem nesse bioma!

 

Amaro destacava-se na descrição de seus relatos, que continham informações sobre plantas, meio ambiente e a relação local de seus habitantes com o meio. Acredita-se que Auguste de Saint-Hilaire, que foi botânico, famoso naturalista e viajante francês do século XIX, possa ter sido uma de suas inspirações na escrita.

 

Casado, pai de quatro filhas, aprendeu e manteve intercâmbio ativo com botânicos brasileiros e internacionais que muito o auxiliaram em suas pesquisas. Coletou a maioria de suas plantas nos estados de Minas Gerais, Goiás, Maranhão, Pará e Rio de Janeiro. Já aposentado, continuou suas coletas vegetais em sua fazenda, e certa vez se acidentou com um galho de “unha-de-cabrito” – Bauhinia bongardi Steude – ficando completamente cego do olho esquerdo. E nem assim parou de coletar e pesquisar!

 

Foi homenageado pelo British Museum of Natural History por sua contribuição à botânica e pela divulgação da flora brasileira. Em 1958, o governo brasileiro o condecorou com a Medalha “Mérito Dom João VI”, devido a serviços prestados ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

 

Referências bibliográficas:

https://biologo.com.br/bio/grandes-botanicos-brasileiros/

https://pt.wikipedia.org

 


Auguste Saint Hilaire (1779 - 1853)

           

Mencionado muitas vezes apenas como Saint Hilaire, esse naturalista foi considerado médico por sertanejos, chamado de tenente-coronel por seus auxiliares, sábio no Brasil devido a sua contribuição incalculável na botânica, e atualmente é quase um desconhecido em sua terra natal, a França, exceto por alguns estudiosos brasilianistas e por um restrito grupo de botânicos.

 

Viajante do século XIX, tornou-se notável por sua capacidade de observação apurada, não se detendo somente aos aspectos botânicos que eram seu foco de estudo. Descreveu com maestria outros aspectos como: geografia, estatística, arte, costumes locais, comércio, agricultura e religiosidade. Num período de seis anos, percorreu os estados do Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina; além de conhecer as nascentes do Rio Jequitinhonha, do Rio São Francisco e até Rio Claro, em Goiás.

 

Em seus relatos, ele descreve com horror as queimadas e o desmatamento, denunciando o desperdício e a perda de biodiversidade, e ainda apresentou sugestões para que tais práticas não se tornassem habituais. Catalogou 76 mil plantas do Brasil, sendo que 4 mil delas jamais haviam sido identificadas, como, por exemplo, a erva-mate e o pequizeiro. Teve seu retorno à França em 1822, por estar com sua saúde prejudicada: estava com o sistema nervoso abalado devido a um envenenamento com mel de vespa.

 

Sua obra sobre nossa flora (que é utilizada até hoje em Sorbonne, em estudos botânicos) é “Plantas Usuais do Povo Brasileiro e Flora do Brasil Meridional”. Teve erguido um busto em 1928 no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Em 1978, na Universidade Federal de Goiás, batizaram um bosque no Campus Samambaia, com cerca de 20 hectares, que leva seu nome. E, em 1979, a Biblioteca Nacional lhe prestou homenagem em uma exposição, seguida de um artigo escrito por Carlos Drummond de Andrade.

 

Referências bibliográficas:

https://brasilescola.uol.com.br/biografia/august-de-saint-hilaire.htm

https://bndigital.bn.gov.br/dossies/dossie-antigo/matrizes-nacionais/figuras-de-viajantes/as-viagens-de-auguste-de-saint-hilaire/

https://jornal.ufg.br/n/124865-200-anos-da-visita-de-auguste-de-saint-hilaire-a-goias

https://revistapesquisa.fapesp.br/na-trilha-de-saint-hilaire/ 

 


Eugenius Warming (1841-1924)

 

Johannes Eugenius Bülow Warming foi um naturalista dinamarquês, professor da Universidade de Copenhague e diretor do Jardim Botânico dessa entidade. Veio para o Brasil em 1863 e se dedicou como secretário particular de outro naturalista dinamarquês, Peter Wilhelm Lund, o Doutor Lund, a quem auxiliou a realizar estudos ecológicos do cerrado, na região de Lagoa Santa, município situado a 40 quilômetros de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais.

 

Warming viveu em Lagoa Santa entre 1863 e 1866. Ali coletou, descreveu e registrou em fotografias e desenhos a vegetação em geral e representantes da flora do cerrado. Uma de suas principais obras foi o primeiro estudo sobre o cerrado brasileiro, escrito em dinamarquês e traduzido para o português em 1892 como "Lagoa Santa: Contribuição para a Geografia Phytobiólogica". O grande diferencial em seus estudos científicos foi a associação da vegetação e da flora do cerrado às características climáticas, edáficas e à ocorrência de fogo na região, não se limitando apenas a formas e aspectos estéticos das plantas e sua localização geográfica. Seus estudos descrevem as relações dos seres vivos com o meio ambiente, além das relações da cobertura vegetal com o clima, com o solo e com a ação transformadora do homem. De acordo com Aldo Luiz Klein, também botânico e conhecedor dos trabalhos de Warming, tal livro representa o primeiro estudo de ecologia realizado no Brasil.

 

Eugenius Warming, em sua viagem para o Brasil, realizou um levantamento de documentos sobre o cerrado: fotografias, desenhos, escritos, entre outros. Em âmbito mundial, é muito relevante sua atuação como pesquisador na definição de linhas de investigação em ecologia vegetal. 

 

Referências bibliográficas:

https://www.revistas.usp.br/fhb/article/view/fhb-v15-n2-03/fhb-v15-n2-03

https://folhadomeio.com.br/2013/07/2johannes242/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Eugenius_Warming

 


Graziela Maciel Barroso (1912-2003)

 

Quem foi Graziela Barroso? Considerada como a “primeira grande dama” da botânica brasileira, teve quatro gêneros de plantas e aproximadamente 83 espécies batizadas com nome científico em sua homenagem. Uma das mulheres pioneiras nessa área, ela formou centenas de alunos em seus 58 anos de atividade profissional dedicados à botânica. Teve 65 artigos científicos publicados e é referência internacional para estudantes da flora tropical.

 

Apesar de ficar viúva quando ainda era jovem e embora tivesse de criar dois filhos, foi com persistência e dedicação que ela se destacou em estudos de taxonomia (ciência responsável por descrever, identificar e classificar) e morfologia (que se dedica ao estudo da forma e das estruturas externas) vegetais em coleções de herbários no Brasil e no exterior.

 

Atuou de forma primordial na década de 1960 em defesa da natureza, denunciando queimadas, desmatamentos, desastres ambientais diversos, conjuntamente com importantes lideranças como Margaret Mee, Burle Max e outros ecologistas.

 

Sua contribuição na área botânica é extensa, sendo responsável por estudos minuciosos de famílias de plantas:

- Musaceae – possui três gêneros e cerca de 40 espécies. Uma representante muito popular nossa é a bananeira;

- Asteraceae – possui cerca de 1.535 gêneros e aproximadamente 23 mil espécies. Podemos citar como exemplo o girassol;

- Myrtaceae – agrupa 132 gêneros e mais de 5.950 espécies, tendo como representantes principais as pitangas e goiabas.

 

Podemos enfatizar ainda seus estudos na sistemática das angiospermas no Brasil, morfologia de frutos e inflorescências brasileiras.

 

Graziela Barroso recebeu inúmeras condecorações por seu trabalho, tanto em vida quanto após sua morte. Consta como responsável pela criação do Departamento de Botânica da Universidade de Brasília. Foi a primeira mulher aprovada por concurso para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (em 1946) e a única brasileira a receber a medalha Millenium Botany Award – Prêmio Botânico do Milênio.

 

Referências bibliográficas:

https://www.gov.br/jbrj/pt-br/assuntos/colecoes/arquivistica/graziela-maciel-barroso 

https://unifei.edu.br/personalidades-do-muro/extensao/graziela-barroso/

https://www.dw.com/pt-br/de-dona-de-casa-a-pioneira-na-bot%C3%A2nica/a-47462657

 


Margaret Mee (1909-1988)

 

Com certeza, quem é amante de desenhos artísticos ou se interessa pela área de ilustrações botânicas já ouviu falar de Margaret Mee. Essa inglesa se mudou para o Brasil na década de 1950 e dedicou seus estudos às florestas tropicais brasileiras, em particular às plantas da Floresta Amazônica. Trabalhou no Jardim Botânico do Rio de Janeiro nas décadas de 1970 e 1980.

 

Margaret Mee, além de botânica, era uma artista ilustradora que criou mais de 400 pranchas em aquarela e guache, 40 sketchbooks (livros de esboços) e 15 diários detalhados de suas expedições. Seu trabalho contribuiu de forma ímpar para o estudo botânico científico, uma vez que ela observou, registrou e coletou inúmeras espécies brasileiras raras, objetivando proteger e conservar uma rica flora que poderia ser esquecida ou jamais conhecida – devido a constantes desmatamentos em nossos biomas, sendo a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica os mais atingidos.

 

Nos registros de Margaret Mee, estão bromélias, orquídeas, helicônias e várias outras espécies. Era detalhista, contemplava os hábitos e a forma geral das plantas, enfatizando o ambiente em que estas estavam inseridas. Ela defendia que “para cada planta, existem um habitat e condições ambientais específicas, sem as quais ela não poderá sobreviver”.

 

Suas ilustrações buscavam uma representação fiel da realidade das plantas estudadas, evidenciando estruturas que poderiam passar despercebidas      aos nossos olhos, mesmo se estivéssemos, por exemplo, diante do objeto em si ou de uma fotografia dele. Seus trabalhos apresentaram duas vertentes: uma mais voltada para a pesquisa científica, abordada em sua obra Pseudobombax grandiflorum. E outra mais artística, presente na obra Streptocalyx spoeppigii, em que a pintura do fundo da prancha retrata o ambiente em que a planta está inserida.

 

Uma das homenagens mais marcantes que Mee recebeu após sua morte foi em 1994 pela Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, cujo enredo foi a “Dama das Bromélias”, assinado pelo carnavalesco Milton Cunha. Podemos    resumir o que Mee procurou demonstrar em seus trabalhos: que a arte e a ciência se entrelaçam e que, por meio da popularização do conhecimento, contribuímos para a preservação da biodiversidade.

 

Referências bibliográficas:

https://milapetry.com.br> margaret-mee

http://www2.eca.usp.br

 


Teresa da Baviera (1850-1925)

 

Therese Charlotte Marianne Auguste foi princesa do reino da Baviera, um território pertencente à Alemanha. Mais conhecida por Teresa da Baviera, ela nasceu em 1850, filha da rainha Augusta Ferdinand e do rei Luitpold (que assumiu o trono em 1886 e governou até 1912). Morreu aos 75 anos, em 1925. Desde a infância, a princesa demonstrava enorme paixão por geografia, biologia e pela cultura de países não europeus. Adquiriu amplo conhecimento em ciências naturais longe das universidades alemãs, que estavam fechadas para o sexo feminino. Logo, ela é considerada autodidata. Desde criança, já demonstrava inclinação para os estudos. Aprendeu 12 idiomas e fazia leitura de trabalhos científicos de zoologia, botânica, etnografia, geografia, além de obras literárias.

 

A princesa começou a viajar jovem, aos 25 anos de idade. Em 1871, foi a outras regiões da Europa, embora seu sonho fosse conhecer a América do Sul, local aonde realizaria três expedições. Visitou a Amazônia, o Chaco, a bacia do Rio da Prata e registrou a presença de 23 tribos indígenas.

 

Em 1888, obteve de Dom Pedro II autorização para percorrer várias províncias. Fez sua primeira expedição ao Brasil na companhia de um mordomo, de uma dama e de um criado taxidermista. Registrou suas viagens pelo Ceará e por outras regiões brasileiras. No Espírito Santo, ela conheceu muitos vilarejos, percorreu rios, florestas, e, às margens do Rio Doce, manteve contato com índios botocudos. Apesar dos poucos recursos da época, Teresa da Baviera fez um trabalho fenomenal de coleta, identificação e catalogação de muitas espécies, que resultaram no livro "Viagem ao Espírito Santo, 1888: Viagem pelos Trópicos Brasileiros" (Meine Reise in den brasilianischen tropen). O livro contém 60 reproduções de fotografias e desenhos da autora, além de quatro tabelas, 18 quadros e dois mapas. A publicação ocorreu somente em 1897, em Berlim, pois foram necessários nove anos, após a viagem, para a verificação das plantas e animais coletados e para a comparação com os registros de museus europeus. Seu material de trabalho era composto por uma pequena câmera fotográfica, sacos de papel e pinças para coleta, binóculos, mapas e cartas; remédios e ataduras para picadas de cobra.

 

A princesa da Baviera nunca chegou a se casar nem ter filhos. Sua paixão e grande devoção foi a ciência. É possível descrevê-la como uma erudita que contradizia seu tempo. Para evitar represálias ou discriminação por ser mulher, Teresa da Baviera assinava suas obras como Th. von Bayern (Th de Therese). Suas viagens e pesquisas resultaram na descoberta de várias espécies, e ela até teve seu nome dado a um lagarto. Sua contribuição à história natural foi tanta que ela se tornou membro de várias entidades científicas, até então nunca integradas por mulheres. Um dos títulos recebidos por ela, o de doutora, se deu em 1897, pela Universidade de Munique. Em 1997, em sua memória foi erguida a Fundação Therese von Bayern, para promover o incentivo das mulheres na carreira científica.

 

Referências bibliográficas:

-Viagem ao Espírito Santo (1888) VIAGEM PELOS TRÓPICOS BRASILEIROS. Meine Reise in den brasilianischen tropen. Tradução de Sara Baldus Organização e notas de Júlio Bentivoglio.