24 de setembro - Dia Mundial do Gorila (World Gorilla Day)

Fotos: Suziane Brugnara - FPMZB/PBH
Esta data foi instituída em 2017 pelo Fundo Internacional Dian Fossey para o Estudo de Gorilas (DFGFI, sigla em inglês), pois coincide com 50º aniversário do Centro de Pesquisa de Karisoke, em Ruanda, base de estudo de campo mais antiga dedicada à conservação, proteção e estudo de gorilas e seus habitats na África.
O Dia Mundial do Gorila cria a oportunidade para instituições e pessoas de todo o mundo se reunirem para celebrar os gorilas e, mais importante, adotar medidas para proteger esses animais.
O Zoológico de Belo Horizonte apoia essa ideia! Junte-se a nós.
Abaixo, seguem uma atividade educativa e informações sobre a espécie para que você nos ajude nesse desafio de preservá-la, compartilhando conhecimento.
Desafio Dia Mundial do Gorila
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Gorila
Gorilla gorilla gorilla
Western Lowand Gorilla
- Quem vive aqui
Animais que estão sob os cuidados do Zoológico de Belo Horizonte
Nome: Bu Bu
Data de nascimento: 27/08/1997
Local de nascimento: Howletts Zoo – Reino Unido
Data da chegada ao Zoológico de BH: 13/12/2024
Nome: Anaya
Data de nascimento: 08/06/2019
Local de nascimento: Zoológico de BH
Nome: Lou Lou
Data de nascimento: 06/08/2004
Local de nascimento: Howletts Zoo – Reino Unido
Data da chegada ao Zoológico de BH: 12/10/2013
Nome: Imbi
Data de nascimento: 28/08/2000
Local de nascimento: Howletts Zoo – Reino Unido
Data da chegada ao Zoológico de BH: 19/08/2011
Transferência de gorilas

Seguindo as diretrizes estabelecidas pelo Programa Ex-Situ de Gorilas (EEP) da European Association of Zoos and Aquaria (Sociedade Europeia de Zoológicos e Aquários - EAZA, em inglês), em maio de 2024, os quatro machos de gorilas (Leon, Sawidi, Jahari e Ayo), que estavam sob os cuidados do Zoológico de BH, foram transferidos para o Animalia Park, localizado na cidade de Cotia, São Paulo.
A movimentação dos animais da capital mineira para São Paulo faz parte do plano de manejo e conservação de uma espécie que está criticamente em perigo de extinção e representa o coroamento dos esforços empreendidos, há quase duas décadas, pela equipe técnica do Jardim Zoológico, juntamente com outras instituições nacionais e internacionais. O objetivo principal do "Projeto Gorilas: conhecer, amar, respeitar" (instituído há quase 20 anos na instituição) sempre foi garantir melhores níveis de qualidade de vida aos animais mantidos no zoo para formar um grupo reprodutivo de gorilas das planícies ocidentais (Gorilla gorilla gorilla), o primeiro de uma instituição na América do Sul, que pudesse estabelecer e ampliar as ações do Programa Ex-Situ de Gorilas em outros zoos e centros de conservação, tanto no Brasil, quanto no exterior.- Estado de conservação da espécie
Aparece na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção na categoria “Criticamente em Perigo” (IUCN, 2025-2).
De acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês), a partir do uso de modelo preditivo, isto é, aquele que utiliza dados do passado para prever comportamentos futuros, no qual foram incorporados dados de pesquisas coletadas entre 2003 e 2013 em toda área de ocorrência dos gorilas das planícies ocidentais, estima-se que houve um declínio populacional de 19,4% entre 2005 e 2013, correspondendo a uma perda anual de 2,7%. Essas reduções nas populações se devem à caça predatória e às enfermidades, como as epidemias do vírus ebola, em vários pontos da África.
Apesar da abundância e ampla distribuição geográfica, os gorilas ocidentais são classificados como “Criticamente em Perigo” de extinção: uma redução da população de mais de 80% ao longo de três gerações (uma geração é de aproximadamente 22 anos). Esses dados são baseados em perdas populacionais contínuas devido à caça, doenças e perda de habitat: a caça predatória está se intensificando com a expansão das rotas de acesso às florestas e o vírus ebola, em algumas localidades, permanece como uma ameaça altamente significativa.
A uma taxa conservadora de redução (2,7% ao ano, em vez de 4% calculada anteriormente), a redução na população de gorilas ocidentais está prevista para exceder os 80% ao longo de três gerações (ou seja, 66 anos, 2005 a 2071). A caça não cessou, apesar dos intensos esforços; a ameaça do vírus ebola, também, não foi removida. Além disso, a escala de conversão de habitat para o agronegócio e para a mineração em escala industrial aumentará e os efeitos das mudanças climáticas se tornarão cada vez mais evidentes.
- Principais ameaças
Entre as principais ameaças à espécie está a caça predatória para a obtenção de carne, mesmo em áreas legalmente protegidas. Essa ameaça está diretamente relacionada à abertura de estradas de acesso às terras as quais foram autorizadas as concessões para extração de madeira e, também, àquelas liberadas para procura de minerais e a sua extração. Outro fator responsável pelo declínio desses animais são as doenças infecciosas, como as epidemias do vírus ebola, em vários pontos da África. A perda de habitat é outra grande ameaça aos gorilas ocidentais, à medida que a cobertura vegetal nativa está sendo substituída por plantações, especialmente de dendê e, também, em virtude da recente expansão da extração mineral em escala industrial. Por último, aparecem as mudanças climáticas: embora os prováveis impactos delas ainda não sejam conhecidos, algumas previsões sugerem o ressecamento das florestas tropicais úmidas, na região de ocorrência da espécie, como consequência potencialmente negativa para toda a ecologia florestal e a sobrevivência da espécie.
- Estratégias de conservação
A espécie Gorilla gorilla está listada no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens em Perigo de Extinção (CITES) e na Classe A da Convenção Africana sobre a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais. Vale esclarecer que as espécies incluídas no Apêndice I da CITES são consideradas ameaçadas de extinção e são ou podem ser afetadas pelo comércio.
Além disso, foram produzidos Planos de Ação Direcionados para Conservação tanto da subespécie Gorilla gorilla diehli quanto da subespécie Gorilla gorilla gorilla. Considerando as principais ameaças a esses animais, uma série de recomendações foi elaborada visando à redução desses riscos, tal como o aumento na aplicação efetiva da lei em toda a região, não apenas em áreas protegidas, mas também em concessões madeireiras e florestas desprotegidas. Também foi proposto o planejamento eficaz e coordenado do uso da terra para evitar o desmatamento do habitat dos gorilas para estabelecer plantações industriais, especialmente para o dendê (IUCN/SSC Primate Specialist Group 2014). A extração industrial de outros recursos naturais, nomeadamente madeira e minerais, deve ser incluída numa abordagem abrangente e espacialmente explícita. Esse planejamento deve ser feito em nível nacional e regional, uma vez que várias áreas importantes para a conservação dos gorilas são transfronteiriças e, portanto, estão sob a responsabilidade de agências nacionais de dois ou mais países. Esse esforço de divulgação deve incluir informações específicas sobre a diminuição dos impactos humanos, como a prevenção da transmissão de doenças humanas aos grandes símios.
As instituições que mantêm esses animais sob cuidados humanos, como os zoológicos que têm condições de garantir a eles elevados níveis de bem-estar, exercem um papel fundamental na conservação integrada da espécie. Entre as várias ações desenvolvidas nesses locais, vale destacar as pesquisas científicas em diversas áreas, tais como: biologia básica e aplicada, ecologia, comportamento, nutrição, saúde e bem-estar. Assim, é possível conhecê-los melhor e saber mais sobre a maneira como eles dependem de seu ambiente natural e se relacionam com ele. O manejo de gorilas sob cuidados humanos é realizado de forma integrada por todos os zoos que abrigam esses animais e sua reprodução é cuidadosamente planejada baseando-se em critérios genéticos, dentre outros. Essa estratégia garante a proteção nessas instituições de um percentual significativo da população mundial desses animais em condições saudáveis, genética e demograficamente viáveis, possibilitando, se necessário, futuros programas de reintrodução de espécimes na natureza. Essas instituições contribuem, ainda, com programas educativos que estimulam a formação de cidadãos sensíveis e comprometidos com essa causa.
- Ocorrência
A subespécie Gorilla gorilla gorilla é nativa das florestas de pântano e de terra firme da região centro-oeste do continente africano. A sua área de ocorrência abrange os seguintes países: Angola, Camarões, República Centro-Africana, Guiné Equatorial, Gabão, Nigéria e República do Congo.
- Características
Os machos adultos podem medir 1,70m e pesar entre 135kg e 275kg. Já as fêmeas são bem menores: medem em torno de 1,50m e pesam entre 70kg e 140kg. Essa altura se refere aos animais em sua posição normal, apoiados nos quatro membros (posição quadrúpede).
É errado chamar um gorila de macaco. O gorila faz parte do grupo dos grandes primatas que não possuem cauda. Macacos ou monkeys são os primatas com cauda; e o gorila está entre os chamados de apes, que são primatas com sistemas sociais mais complexos, facilidade de aprendizado e capacidade de fazer uso de ferramentas rudimentares.
O nariz de cada gorila é único, por isso é usado pelos profissionais que trabalham com esses animais como uma forma de distinguir os integrantes de um grupo.
Na natureza vive, em média, 30 anos e o período máximo de vida registrado sob cuidados humanos foi de 54 anos.
- Hábitos
É um animal primariamente terrestre, mas pode subir em árvores. Suas atividades são diurnas, sendo os períodos de maior atividade no início da manhã e da tarde.
Constrói ninhos individuais, nos quais passa as horas mais quentes do dia (entre 10h e 14h) e a noite. O ninho é construído preferencialmente no chão, mas ser for necessário pode ser feito em uma árvore, e é utilizado uma única vez. No restante do dia desloca-se à procura de alimentos. Esses deslocamentos são maiores nos meses mais secos, quando os recursos estão menos disponíveis. Nos meses chuvosos, esses deslocamentos podem reduzir pela metade.
O gorila não é um animal bem adaptado para nadar e, por isso, costuma evitar rios e lagos. Muitas vezes, animais jovens e adultos gostam de brincar com a água ou utilizá-la para diversos fins, tais como a busca de alimentos. Para isso, por vezes, percorrem os rios e pântanos sobre duas pernas com água até a cintura.
Vive em grupos constituídos por cinco a 30 indivíduos. Cada grupo, fêmeas e seus filhotes, é liderado por um macho adulto dominante, que possui as costas cinza-prateadas, conhecido como silverback. A liderança é conseguida graças à sua experiência e suas habilidades em proteger o grupo e não só por causa de sua força. O apoio e a aceitação por parte das fêmeas são fundamentais para um macho manter a dominância sobre o grupo por um longo período. O macho dominante é o responsável por conduzir o grupo por lugares onde possam encontrar alimento. Cada grupo possui um território de mais ou menos 40km2.
É pacífico, mas quando se sente ameaçado, o macho líder pode lançar um forte rugido, seguido de grunhidos, primeiro lentamente e depois mais depressa, erguer-se sobre as duas pernas, arrancar a vegetação e atirá-la para o ar. Em seguida, bater no peito com as mãos ligeiramente fechadas e correr em várias direções.
- Alimentação
Na natureza: alimenta-se basicamente de folhas, raízes, cascas fibrosas de árvores e frutos.
No Zoológico de Belo Horizonte é alimentado quatro vezes ao dia, duas no período da manhã e duas à tarde, para que tudo esteja sempre fresco e saudável. A sua dieta é bastante diversificada, composta de legumes, hortaliças, folhas, flores e frutos, além de suco natural pouco concentrado.
- Reprodução
Na natureza parece não haver uma estação de acasalamento específica.
Nasce geralmente um filhote por vez, com cerca de 2kg, após uma gestação que dura cerca de oito meses e meio. Podem nascer gêmeos, mas é raro.
Quando atingem a maturidade sexual, tanto machos quanto fêmeas saem do grupo no qual nasceram. Os machos podem formar grupos de solteiros ou andar solitários até encontrar fêmeas para constituir seu próprio grupo. Para as fêmeas, essa migração se dá por volta dos oito anos; e para os machos, a partir de 11 anos.
As mães carregam as crias no colo até os três meses de idade. A partir daí elas transportam os filhotes nas costas. Após três a cinco anos, os filhotes tornam-se independentes e a fêmea pode ter outro filhote. Quando estão sob cuidados humanos, a independência do filhote pode se dar mais precocemente.