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Dia Mundial do Gorila

criado em 01/09/2021 - atualizado em 25/09/2021 | 12:00

 

24 de setembro - Dia Mundial do Gorila (World Gorilla Day)

 

Essa data foi instituída em 2017 pelo Fundo Internacional Dian Fossey para o Estudo de Gorilas (DFGFI, sigla em inglês), pois coincide com  50º aniversário do Centro de Pesquisa de Karisoke, em Ruanda, base de estudo de campo mais antiga dedicada à conservação, proteção e estudo de gorilas e seus habitats na África.

 

O Dia Mundial do Gorila cria a oportunidade para instituições e pessoas de todo o mundo se reunirem para celebrar os gorilas e, mais importante, adotar medidas para proteger esses animais.

 

O Zoológico de Belo Horizonte/Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica apoia essa ideia! Junte-se a nós. Leia o material abaixo e teste seus conhecimentos com nossa atividade educativa.

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Dia mundial do gorila

Fotos: Daniel Alves/PBH

 

 

GORILA
Gorilla gorilla gorilla
Western Lowland Gorilla

 

Características

 

Os machos adultos podem medir 1,70 metro e pesar entre 135 e 275 quilos. Já as fêmeas são bem menores: medem em torno de 1,50 metro e pesam entre 70 e 140 quilos. Essa altura se refere aos animais em sua posição normal, apoiados nos quatro membros (posição quadrúpede).

 

É errado chamar um gorila de macaco. O gorila faz parte do grupo dos grandes primatas que não possuem cauda. Macacos ou “monkeys” são os primatas com cauda e o gorila está entre os chamados de “apes”, que são primatas com sistemas sociais mais complexos, facilidade de aprendizado e capacidade de fazer uso de ferramentas rudimentares.

 

O nariz de cada gorila é único, por isso é usado pelos profissionais que trabalham com esses animais como uma forma de distinguir os integrantes de um grupo.

 

Na natureza vive, em média, 30 anos e o período máximo de vida registrado sob cuidados humanos foi de 54 anos.

 

Estado de conservação da espécie

 

Aparece na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, na categoria “Criticamente em perigo” (IUCN, 2021-1).

 

De acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês), a partir do uso de modelo preditivo, isto é, aquele que utiliza dados do passado para prever comportamentos futuros, no qual foram incorporados dados de pesquisas coletadas entre 2003 e 2013 em toda área de ocorrência dos gorilas das planícies ocidentais, estima-se que houve um declínio populacional de 19,4% entre 2005 e 2013, correspondendo a uma perda anual de 2,7%. Essas reduções nas populações se devem à caça predatória e às enfermidades, como as epidemias do vírus ebola, em vários pontos da África. Apesar da abundância e ampla distribuição geográfica, os gorilas ocidentais são classificados com “Criticamente em perigo” de extinção: uma redução da população de mais de 80% ao longo de três gerações (uma geração é de aproximadamente 22 anos). Esses dados são baseados em perdas populacionais contínuas devido à caça, doenças e perda de habitat: a caça predatória está se intensificando com a expansão das rotas de acesso às florestas e o vírus ebola, em algumas localidades, permanece como uma ameaça altamente significativa. A uma taxa conservadora de redução (2,7% ao ano, em vez de 4% calculada anteriormente), a redução na população de gorilas ocidentais está prevista para exceder os 80% ao longo de três gerações (ou seja, 66 anos, 2005 a 2071). A caça não cessou, apesar dos intensos esforços; a ameaça do vírus ebola, também, não foi removida. Além disso, a escala de conversão de habitat para o agronegócio e para a mineração em escala industrial aumentará e os efeitos das mudanças climáticas se tornarão cada vez mais evidentes.

 

Ocorrência

 

A subespécie Gorilla gorilla gorilla é nativa das florestas de pântano e de terra firme da região centro-oeste do continente africano. A sua área de ocorrência abrange os seguintes países: Angola, Camarões, República Centro-Africana, Guiné Equatorial, Gabão, Nigéria e República do Congo.

 

Hábitos

 

É um animal primariamente terrestre, mas pode subir em árvores. Suas atividades são diurnas, sendo os períodos de maior atividade no início da manhã e da tarde.

 

Constrói ninhos individuais, nos quais passa as horas mais quentes do dia (entre 10h e 14h) e a noite. O ninho é construído, preferencialmente no chão, mas ser for necessário pode ser feito em uma árvore e é utilizado uma única vez. No restante do dia desloca-se à procura de alimentos. Estes deslocamentos são maiores nos meses mais secos, quando os recursos estão menos disponíveis. Nos meses chuvosos, estes deslocamentos podem reduzir pela metade.

 

O gorila não é um animal bem adaptado para nadar e, por isto, costuma evitar rios e lagos. Muitas vezes, animais jovens e adultos gostam de brincar com a água ou utilizá-la para diversos fins, tais como a busca de alimentos. Para isto, por vezes, percorrem os rios e pântanos sobre duas pernas com água até a cintura.

 

Vive em grupos constituídos por cinco a 30 indivíduos. Cada grupo, fêmeas e seus filhotes, é liderado por um macho adulto dominante, que possui as costas cinza-prateadas, conhecido como silverback. A liderança é conseguida graças à sua experiência e suas habilidades em proteger o grupo e não só por causa de sua força. O apoio e a aceitação por parte das fêmeas são fundamentais para um macho manter a dominância sobre o grupo por um longo período. O macho dominante é o responsável por conduzir o grupo por lugares onde possam encontrar alimento. Cada grupo possui um território de mais ou menos 40 km2.

 

É pacífico, mas quando se sente ameaçado, o macho líder pode lançar um forte rugido, seguido de grunhidos, primeiro lentamente e depois mais depressa, ergue-se sobre as duas pernas, arranca a vegetação e atira-a para o ar. Em seguida, bate no peito com as mãos ligeiramente fechadas e corre em várias direções.

 

Alimentação

 

Na natureza: alimenta-se basicamente folhas, raízes, cascas fibrosas de árvores e frutos. No Zoológico de Belo Horizonte/FPMZB: é alimentado quatro vezes no dia, duas no período da manhã e duas à tarde, para que tudo esteja sempre fresco e saudável. A sua dieta é bastante diversificada, composta de legumes, hortaliças, folhas, flores (browses) e frutos, além de suco natural, pouco concentrado.

 

Reprodução

 

Na natureza parece não haver uma estação de acasalamento específica.

 

Nasce, geralmente, um filhote por vez, com cerca de 2 kg, após uma gestação que dura cerca de oito meses e meio. Podem nascer gêmeos, mas é raro.

 

Quando atingem a maturidade sexual, tanto machos quanto fêmeas saem do grupo no qual nasceram. Os machos podem formar grupos de solteiros ou andar solitários até encontrar fêmeas para constituir seu próprio grupo. Para as fêmeas, essa migração se dá por volta dos oito anos e, para os machos, a partir de 11 anos.

 

As mães carregam as crias no colo até os 3 meses de idade. A partir daí elas transportam os filhotes nas costas. Após 3 a 5 anos os filhotes tornam-se independentes e a fêmea pode ter outro filhote. Quando estão sob cuidados humanos, a independência do filhote pode se dar mais precocemente.

 

Principais ameaças

 

Entre as principais ameaças à espécie está a caça predatória para a obtenção de carne, mesmo em áreas legalmente protegidas. Esta ameaça está diretamente relacionada à abertura de estradas de acesso às terras as quais foram autorizadas às concessões para extração de madeira e, também, aquelas liberadas para procura de minerais e a sua extração. Outro fator responsável pelo declínio desses animais são as doenças infecciosas, como as epidemias do vírus ebola, em vários pontos da África. A perda de habitat é outra grande ameaça aos gorilas ocidentais, à medida que a cobertura vegetal nativa está sendo substituída por plantações, especialmente de dendê e, também, em virtude da recente expansão da extração mineral em escala industrial. Por último aparecem as mudanças climáticas: embora os prováveis impactos destas ainda não sejam conhecidos, algumas previsões sugerem o ressecamento das florestas tropicais úmidas, na região de ocorrência da espécie, como consequências potencialmente negativas para toda a ecologia florestal e a sobrevivência da espécie.

 

Estratégias de conservação

 

A espécie Gorilla gorilla está listada no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens em Perigo de Extinção (CITES) e na Classe A da Convenção Africana sobre a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais. Vale esclarecer que as espécies incluídas no Apêndice I da CITES são consideradas ameaçadas de extinção e são ou podem ser afetadas pelo comércio.

 

Além disso, foram produzidos Planos de Ação Direcionados para Conservação tanto da subespécie Gorilla gorilla diehli quanto da subespécie Gorilla gorilla gorilla. Considerando as principais ameaças a esses animais, uma série de recomendações foi elaborada, visando à redução destes riscos, tal como o aumento na aplicação efetiva da lei em toda a região, não apenas em áreas protegidas, mas também em concessões madeireiras e florestas desprotegidas. Também foi proposto o planejamento eficaz e coordenado do uso da terra para evitar o desmatamento do habitat dos gorilas para estabelecer plantações industriais, especialmente para o dendê (IUCN/SSC Primate Specialist Group 2014). A extração industrial de outros recursos naturais, nomeadamente madeira e minerais, deve ser incluída numa abordagem abrangente e espacialmente explícita. Esse planejamento deve ser feito em nível nacional e regional, uma vez que várias áreas importantes para a conservação dos gorilas são transfronteiriças e, portanto, estão sob a responsabilidade de agências nacionais de dois ou mais países. Esse esforço de divulgação deve incluir informações específicas sobre a diminuição dos impactos humanos, como a prevenção da transmissão de doenças humanas aos grandes símios.

 

As instituições que mantêm esses animais sob cuidados humanos, como os zoológicos que têm condições de garantir a eles elevados níveis de bem-estar, exercem um papel fundamental na conservação integrada da espécie. Dentre as várias ações desenvolvidas nesses locais, vale destacar as pesquisas científicas em diversas áreas, tais como: biologia básica e aplicada, ecologia, comportamento, nutrição, saúde e bem-estar. Assim é possível conhecê-los melhor e saber mais sobre a maneira como eles dependem e se relacionam com seu ambiente natural. O manejo de gorilas sob cuidados humanos é realizado de forma integrada por todos os zoos que abrigam esses animais e sua reprodução é cuidadosamente planejada baseando-se em critérios genéticos, dentre outros. Essa estratégia garante a proteção nessas instituições de um percentual significativo da população mundial desses animais em condições saudáveis, genética e demograficamente viáveis, possibilitando, se necessário, futuros programas de reintrodução de espécimes na natureza. Essas instituições contribuem, ainda, com programas educativos que estimulam a formação de cidadãos sensíveis e comprometidos com essa causa.

 

Animais que estão sob os cuidados do Zoológico de Belo Horizonte/FPMZB

 

  • Macho “Leon” – veio do Loro Parque, Espanha, para o Zoológico de Belo Horizonte/FPMZB, em 12 de outubro de 2013, com 15 anos.

 

  • Fêmea “Lou Lou” – veio da Fundação Aspinall, Reino Unido, para o Zoológico de Belo Horizonte/FPMZB, em 12 de outubro de 2013, com 9 anos.

 

  • 1º Filhote de “Leon” e “Lou Lou” é “Sawidi” – nascido no Zoológico de Belo Horizonte/FPMZB em 05 de agosto de 2014.

 

  • 2º Filhote de “Leon” e “Lou Lou” é “Anaya” – nascida no Zoológico de Belo Horizonte/FPMZB em 08 de junho de 2019.

 

  • Fêmea “Imbi” – veio da Fundação Aspinall, Reino Unido, para o Zoológico de Belo Horizonte/FPMZB, em 19 de agosto de 2011, com 11 anos.

 

  • 1º Filhote de “Leon” e “Imbi” é “Jahari” – nascido no Zoológico de Belo Horizonte/FPMZB em 10 de setembro de 2014.

 

  • 2º Filhote de “Leon” e “Imbi” é “Ayo” – nascido no Zoológico de Belo Horizonte/FPMZB em 08 de maio de 2017.

 

  • 3º Filhote de “Leon” e “Imbi”, sexo indeterminado – nascido no Zoológico de Belo Horizonte/FPMZB em 03 de setembro de 2021.