Pular para o conteúdo principal

Dia Internacional do Puma

criado em 24/08/2021 - atualizado em 30/08/2021 | 16:00

30 de agosto

Dia Internacional do Puma (International Puma Day)

 

Esta data foi instituída em 2017 para lembrar o incêndio florestal que, no ano de 2009, devastou a reserva natural Pumakawa, localizada na Argentina. A palavra Pumakawa significa “aquele que cuida com discrição do Puma”. Essa instituição desenvolve atividades de conservação, educação, pesquisa e recreação conforme recomendações da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, sigla inglês) e tem o Puma como espécie símbolo.

 

Na ocasião desse grande incêndio, a reserva mantinha sob os seus cuidados nove exemplares de Puma. Quando as chamas atingiram o setor onde os animais se encontravam, o responsável pelo local decidiu libertá-los. “Se os deixássemos presos, certamente morreriam. Abrir a porta para eles poderia representar um risco para as pessoas que tentavam controlar o fogo”. Felizmente os animais seguiram o seu caminho e nenhum incidente foi registrado.

 

Essa espécie ocorre apenas nas Américas, sendo encontrada originalmente desde o sul do Canadá até o extremo sul do continente sul-americano, com exceção apenas do complexo das Ilhas Caribenhas e algumas regiões do Chile. No Brasil, está presente em todos os biomas. Entretanto, mesmo sendo bem distribuída no território nacional, as suas populações encontram-se bastante reduzidas ou mesmo extintas. Por habitar uma área tão vasta, é conhecida por diferentes nomes populares: onça-parda, suçuarana, onça-vermelha, leão-baio, leão-da-montanha e cougar.

 

Uma das maiores ameaças à sobrevivência dos felinos selvagens em todo o mundo é a destruição e/ou fragmentação dos ambientes naturais devido à expansão urbana e, também, às atividades agropecuárias. Essas modificações estão diretamente relacionadas à diminuição de presas disponíveis para alimentação e ao aumento dos conflitos com os seres humanos.

 

É cada vez mais importante chamar atenção para o que vem acontecendo com essa espécie e os seus habitats.

 

O Zoológico de Belo Horizonte/Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica apoia essa iniciativa. E você?

Conheça essa espécie tão importante para a natureza com o texto abaixo, produzido pela equipe de educação ambiental da Fundação e, depois, teste seus conhecimentos com a atividade disponibilizada. 

Atividade Puma concolor

 

___________________________________________________________________________________________________

 

 

Onça-parda (puma concolor)
Fotos: Suziane Fonseca (FPMZB)

 

 

Puma, onça-parda ou suçuarana

Puma concolor

Puma

 

Características

 

É o segundo maior felídeo do continente americano, atrás apenas da onça-pintada. Quando adulto seu comprimento total varia de 1,5 e 2,75 metros. O peso médio de um macho adulto pode variar entre 40 e 72kg e de uma fêmea, de 34 a 48kg.

 

A coloração da pelagem é uniforme, variando na região dorsal do amarelo-claro ao avermelhado, sendo o ventre e a parte interna dos membros mais claras. Tem a cabeça pequena em relação ao corpo, com olhos claros e focinho rosado. Os filhotes nascem com uma pelagem densa que varia do cinza ao bege, com pintas marrons. Seus olhos são azuis.

 

A visão é o seu sentido mais desenvolvido. Tem também uma boa audição, mas o olfato é pouco desenvolvido. Diferente de outros grandes felídeos, o puma não esturra, nem urra, mas produz um som semelhante ao miado dos gatos.

 

É um animal de corpo delicado e alongado, o que lhe dá muita agilidade. Suas patas posteriores, proporcionalmente as maiores entre os felídeos, permitem ao animal realizar grandes saltos, tanto em distância quanto em altura; atingir elevadas velocidades em distâncias curtas; escalar com excelente destreza e, também, eventualmente, deslocar-se com facilidade na copa das árvores.

 

Na natureza, a expectativa de vida desse animal varia entre 8 e 10 anos, podendo chegar a 15 anos em casos excepcionais. Quando está sob cuidados humanos vive cerca de 20 anos.

 

Estado de conservação da espécie

 

Aparece nas Listas Vermelhas de Espécies Ameaçadas de Extinção nas seguintes categorias: “Menos Preocupante” (IUCN, 2021-1) e “Vulnerável” (ICMBio, 2014).

 

Atualmente a espécie enfrenta uma drástica redução em sua distribuição devido principalmente à pressão de caça a que foi submetida desde a colonização europeia nos Estados Unidos e, mais recentemente, às mudanças no manejo da paisagem em virtude das ações humanas em toda sua área de ocorrência. As onças-pardas parecem estar extintas ou extremamente ameaçadas em toda porção oriental da América do Norte, estando restritas às regiões montanhosas ou pouco populosas do oeste canadense e americano, o que representa menos de 50% do seu habitat original naquela região. Nos Estados Unidos uma pequena população na Flórida corre grande risco de extinção devido à fragmentação de seu habitat e, também, à redução da diversidade genética. Na América Central não constam registros recentes da distribuição atual na porção central do México e em algumas regiões da Nicarágua, Honduras e El Salvador. Na América do Sul não existem registros atuais em algumas localidades na Venezuela, Peru, Uruguai e Argentina.

No Brasil, está presente em todos os biomas, mas as suas populações encontram-se bastante reduzidas ou mesmo extintas.

 

Ocorrência

 

Ocorre originalmente desde o sul do Canadá até o extremo sul da Argentina e Chile. No Brasil, está presente em todos os biomas.

 

A espécie pode ser encontrada em uma ampla variedade de habitats, desde florestas tropicais e subtropicais até florestas temperadas, áreas montanhosas acima de 3.000 metros de altitude, pântanos e em regiões extremamente áridas e/ou frias. Também está adaptada a ambientes abertos com pouca cobertura vegetal. Aparece, eventualmente, em ambientes alterados como plantações e pastagens.

 

Hábitos

 

É um animal solitário e territorialista, formando pares somente durante o período de acasalamento. É possível observar outras situações de pareamento, quando são encontrados irmãos jovens, em fase de pré-dispersão (quando estão deixando a companhia da mãe) ou mãe com filhotes jovens. Nestes casos podem ser observadas três ou quatro onças-pardas juntas. Costuma delimitar amplos territórios para alimentação e reprodução, que são marcados com sinais sonoros, arranhaduras no solo e em troncos de árvores, além de urina e fezes em locais estratégicos como trilhas e pedras.

 

O tamanho da área de vida de uma onça-parda pode variar entre estações do ano e de região para região, em função do grau de preservação do habitat (sendo maior em áreas fragmentadas) e da disponibilidade de presas.

 

Alimentação

 

É um animal carnívoro e considerado oportunista, uma vez que consome grande variedade de presas conforme a disponibilidade destas no ambiente. Na América do Norte, devido à ocorrência de presas de grande porte, são capazes de capturar alces, veados e cabras montanhesas. Já as subpopulações que habitam as regiões tropicais consomem principalmente presas de médio e pequeno porte, como pacas, tatus, quatis, aves e répteis em geral.

 

Assim como outros predadores do topo da cadeia alimentar, o puma desempenha um importante papel na melhoria das populações das suas presas, uma vez que costuma predar os indivíduos mais fracos e doentes, o que ajuda a manter o equilíbrio dos ecossistemas.

 

Em virtude da destruição dos ambientes naturais e, consequentemente, da escassez de presas silvestres, pode atacar as criações domésticas, sendo mais comuns a predação a ovinos, equinos e bovinos com idade inferior a um ano de vida.

 

Costuma se alimentar de presas menores em comparação com a onça-pintada, especialmente quando ambas ocorrem nas mesmas áreas.

 

Reprodução

 

Tanto machos quanto fêmeas atingem a maturidade sexual a partir de dois anos de idade. Não existe uma estação de acasalamento específica. Os períodos de corte (disputa por parceiro sexual) são curtos e uma única fêmea pode ser disputada por vários machos.

 

O período de gestação dura de 82 a 98 dias, nascendo de um a seis filhotes, pesando entre 230 e 460 gramas. Estes costumam ser abrigados em cavernas, tocas ou sob troncos caídos.

 

Principais ameaças

 

As principais ameaças à espécie são a perda e fragmentação de habitat (devido à expansão urbana e, também, à agropecuária, à mineração e à extração de madeira) e a caça predatória de sua base de presas selvagens. Além disso, a eliminação de indivíduos por caça, retaliação por predação de animais domésticos, queimadas e atropelamentos também contribuem significativamente para a redução de suas populações em toda a sua área de distribuição.

 

Estratégias de conservação

 

A espécie Puma concolor está incluída no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES). No entanto, as subespécies da Flórida, Costa Rica e sul da América do Sul (Puma concolor coryi, Puma concolor costaricensis e Puma concolor puma), respectivamente, estão relacionadas no Apêndice I. Vale esclarecer que as espécies incluídas no Apêndice II são aquelas que, embora atualmente não se encontrem ameaçadas de extinção, poderão chegar a esta situação, a menos que o comércio esteja sujeito a regulamentação rigorosa. As espécies que são incluídas no Apêndice I da CITES são consideradas ameaçadas de extinção e são ou podem ser afetadas pelo comércio.

 

Esta espécie é protegida em grande parte da sua área de ocorrência, com a caça proibida em grande parte da Argentina e também no Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guiana Francesa, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Suriname, Venezuela e Uruguai. Existem regulamentos de caça em vigor no Canadá, México, Peru e Estados Unidos.

 

É necessária a implementação de programas que buscam diminuir os conflitos decorrentes da predação de gado.

 

No Brasil, alguns esforços vêm sendo realizados visando a conservação da espécie. Nesse sentido, vale destacar o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Onça-parda (2012-2016), que tem como objetivo reduzir a vulnerabilidade da espécie, ampliando a proteção dos habitats adequados, o conhecimento aplicado a sua conservação e diminuindo os conflitos com as atividades humanas. Com o encerramento do PAN-Onça-parda, a espécie passou a ser contemplada no Plano de Ação para a Conservação dos Grandes Felinos – PAN-Grandes Felinos (2018-2023).

 

Além disso, é fundamental o levantamento de informações para dar suporte ao manejo deste animal que, dentre os carnívoros silvestres brasileiros, é um dos que mais se envolve em conflitos diretos com seres humanos. Também, é preciso desenvolver estudos de longo prazo sobre a dinâmica das populações de onças-pardas, bem como trabalhos que investiguem aspectos genéticos e sanitários, a fim de se traçar um perfil mais completo da espécie.

 

Não se pode esquecer que a cada dia os habitats dessa espécie se tornam mais e mais alterados e suas populações cada vez mais impactadas por ações humanas, com isto, os zoológicos tornam-se importantes aliados na conservação integrada. A partir do trabalho desenvolvido por essas instituições, torna-se viável a realização de pesquisas científicas em diversas áreas, tais como: biologia, ecologia, comportamento, nutrição, saúde e bem-estar. Assim é possível conhecê-la melhor e saber mais sobre a maneira como ela depende e se relaciona com seu ambiente natural. Esses estudos possibilitam ainda o estabelecimento de protocolos de manejo, uma ferramenta importante para o aperfeiçoamento do trabalho com animais sob cuidados humanos, o que contribui para a formação nessas instituições de uma população de segurança em condições saudáveis e geneticamente viáveis subsidiando, quando necessário, programas de reintrodução de espécimes na natureza.

 

Por meio de seus programas educativos, são capazes de sensibilizar as pessoas para a importância de se preservar esse animal e os ambientes naturais onde ele ocorre.

 

Animais que estão sob os cuidados do Zoológico de Belo Horizonte/Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica

 

Estão sob os cuidados da instituição dois machos dessa espécie – “Zeus” e “Apolo”, pai e filho. Esses animais chegaram ao Zoo em novembro de 2011, com idade estimada de seis e três anos, respectivamente.