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Dia Nacional e Internacional da Onça-pintada

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29 de Novembro - Dia Nacional e Internacional da Onça-Pintada

(National and International Jaguar Day)

 

Fotos: Suziane Brugnara e Juan Espanha - FPMZB/PBH

 

O Dia Nacional da Onça-Pintada foi oficializado por meio da Portaria do Ministério do Meio Ambiente nº 8, em 16 de outubro de 2018, com o objetivo de unir esforços em ações de divulgação sobre a importância ecológica, econômica e cultural da espécie. Essa mesma portaria declarou a onça-pintada como “símbolo brasileiro da conservação da biodiversidade”.

 

Segundo estimativas do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP), 50% da população total de onças-pintadas do mundo estão no Brasil. Entretanto, a destruição dos ambientes naturais aliada à caça predatória e atropelamentos nas estradas faz com que ela esteja na categoria "Vulnerável" na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção (ICMBio, 2022). No Brasil, esse animal vive em diversos biomas: Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, mas na Caatinga e na Mata Atlântica é onde se encontra mais ameaçado, sendo considerado “Criticamente em Perigo”.

 

Em novembro de 2018, durante a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-14), realizada no Egito, organizações não-governamentais e países de ocorrência da onça-pintada declararam o dia 29 de novembro como sendo o Dia Internacional da Onça-Pintada (International Jaguar Day), seguindo a iniciativa do governo brasileiro. Com isso, a ideia é integrar ainda mais as 18 nações onde a espécie ocorre, visando intensificar as ações em prol da sua conservação. Ainda nesse evento, foi apresentado um Plano de Ação Regional (Jaguar 2030 Conservation Roadmap for the Americas), elaborado para proteger o maior felino das Américas e os seus ecossistemas. O objetivo primário do plano é fortalecer o Corredor da Onça-Pintada em todos os países envolvidos, estabelecendo 30 ambientes prioritários até 2030. Dessa forma, buscam estimular o desenvolvimento sustentável, reduzir o conflito ser humano-fauna, além de aumentar a segurança e a conexão entre os habitats.

 

O Jardim Zoológico de Belo Horizonte apoia essas iniciativas. Junte-se a nós!

 

Abaixo, seguem uma atividade educativa e informações sobre a espécie.

 

Desafio Dia Nacional e Internacional da Onça-Pintada

Obtenha mais materiais educativos clicando aqui

 

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Onça-pintada

Panthera onca

Jaguar

 

Estado de conservação da espécie

Aparece na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção nas seguintes categorias: "Quase Ameaçada” (IUCN, 2025-2) e “Vulnerável” (ICMBio, 2022).

 

O Brasil perdeu 33% de sua vegetação nativa entre 1985 e 2023, totalizando cerca de 110 milhões de hectares convertidos, com destaque para os biomas Amazônia (metade da perda) e Cerrado (38 milhões de hectares).

 

Sendo a onça-pintada um predador topo de cadeia, precisa de grandes remanescentes de vegetação natural para a sua sobrevivência, portanto a perda populacional da espécie é ainda mais acelerada do que a perda de áreas.

 

De acordo com dados do ICMBio, 2013, o declínio populacional da espécie em decorrência de perda de habitat associado ao abate de indivíduos (caça ou retaliação) foi estimado em aproximadamente 30% em 27 anos.

Principais Ameaças

As principais ameaças à espécie são: perda e fragmentação de habitat associadas principalmente à expansão agrícola, mineração, implantação de hidrelétricas, ampliação da malha viária e atropelamentos nas estradas. A diminuição de presas na natureza tem levado a onça-pintada a procurar alimento em rebanhos domésticos, com isso, alguns indivíduos acabam sendo eliminados por caça ou retaliação por predação de animais de criação.

Estratégias de conservação

A espécie Panthera onca está incluída no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES). Vale esclarecer que as espécies incluídas nesse Apêndice são aquelas consideradas ameaçadas de extinção e são ou podem ser afetadas pelo comércio.

Ela é totalmente protegida em nível nacional na maior parte da sua área de ocorrência. Em 2018, durante a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-14), realizada no Egito, foi lançado um Plano de Ação Regional (Jaguar 2030 Conservation Roadmap for the Americas), que visa proteger esse que é o maior felino das Américas e os seus ecossistemas. Trata-se de um esforço de toda uma rede que une governos de diferentes países, organizações não-governamentais, comunidades locais e o setor privado em torno de uma visão compartilhada sobre a importância de se conservar as onças-pintadas. O objetivo é unir forças para combater as múltiplas ameaças que esse animal enfrenta, incluindo a perda e fragmentação dos ambientes naturais, conflito ser humano-fauna, a caça predatória e os atropelamentos. E, assim, visam preservar o patrimônio natural e cultural que as onças representam para muitas culturas latino-americanas.
 

No Brasil, a espécie está contemplada no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Grandes Felinos – PAN-Grandes Felinos, que está no seu 2º ciclo (2025-2030), e tem como objetivo “melhorar a situação populacional da espécie, com ênfase nas áreas estratégicas de conservação”.

 

Também, em 2018, a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), da qual o Zoológico de Belo Horizonte faz parte, assinou um Acordo de Cooperação Técnica junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio/MMA, a fim de se estabelecer programas de conservação ex situ para 25 espécies da fauna silvestre brasileira, entre elas a onça-pintada. Uma das metas do programa é organizar todas as informações disponíveis de cada uma dessas espécies que são mantidas em zoológicos, aquários e outras instituições científicas parceiras, envolvendo-as em um grande manejo cooperativo. Esses dados servirão como base para estudos de toda a população sob cuidados humanos, possibilitando a indicação dos melhores pareamentos para fins de reprodução e as ações que serão necessárias para que, a longo prazo, essa população esteja viável e estável. Esse é um processo em que deve haver o envolvimento de toda a sociedade. É importante que as pessoas conheçam essas espécies e compreendam o que cada um pode fazer em prol da conservação de cada uma delas. 

Ocorrência 

No início do século passado, a onça-pintada podia ser encontrada desde o sul dos Estados Unidos até o centro-sul da Argentina e Uruguai. No entanto, estudos mostram que desde então vem havendo uma redução dos ambientes naturais em que a espécie vive. Estima-se que cerca de 50% de sua distribuição original foi perdida. A espécie é atualmente considerada extinta no Uruguai. Chegou também ser considerada extinta nos Estados Unidos, porém indivíduos provenientes do México parecem entrar continuamente no país. No Brasil, a espécie ocorria em todos os biomas, porém não há mais relatos da sua presença nos Campos Sulinos. 

Características

É o maior felino das Américas e o terceiro do mundo, depois do leão e do tigre. O seu corpo é mais robusto, musculoso e compacto com comprimento variando entre 1,10m a 2,41m, fora a cauda que pode chegar a 0,75m. O peso oscila entre 35kg a 130kg, podendo chegar a 158kg. O macho é maior que a fêmea.
 

Possui a pelagem amarelada com pintas pretas. Na cabeça, na nuca e na cauda, as pintas são sólidas (“cheias”), enquanto nos lados do corpo, elas formam rosetas de variados tamanhos e com um ou mais pontos negros no seu interior. Essas manchas presentes no seu corpo são únicas, como as impressões digitais dos seres humanos. Na garganta, barriga e partes internas dos membros, a pelagem é branca. 
 

A onça-pintada e a preta são da mesma espécie. Possuem diferenças apenas na quantidade do pigmento da pele (melanina). A onça-preta possui maior quantidade desse pigmento, sendo completamente negra, mas, conforme a incidência de luz, é possível visualizar as rosetas. 

 

Os indivíduos que vivem em florestas fechadas, como a Amazônica, são menores e mais escuros do que aqueles que vivem em ambientes abertos, como Cerrado e Pantanal. Isso, além de facilitar a camuflagem, pode ser explicado pela maior quantidade de presas de grande porte nas áreas abertas. O porte avantajado também é necessário para abatê-las.

 

Possui orelhas pequenas e redondas com alta precisão auditiva. O focinho é extremamente sensível. Como os demais felinos, uma adaptação que apresenta para enxergar em ambientes de quase total escuridão é a pupila vertical, com grande capacidade de dilatação, que permite a máxima entrada de luz. Possui o crânio curto, robusto e arredondado, com mandíbula proeminente, 30 pares de dentes, com caninos e incisivos. Tem a mordida mais forte entre os felinos.

 Na natureza, vive cerca de 12 a 15 anos. Quando estão sob cuidados humanos, podem viver mais de 20 anos.

Hábitos

Possui hábitos principalmente crepusculares e noturnos. Costuma descansar boa parte do dia perto de rios e lagoas, mas sem deixar de ter atividade diurna. Ao entardecer, aumenta a atividade, deslocando em busca de uma presa. Nas primeiras horas da manhã, torna-se ainda mais ativa, já que esse período é propício à caça. Nada e mergulha com grande agilidade. É excelente escaladora, sobe em árvores com facilidade. Percorre distâncias que variam de 2km a 18km em um único dia.

Nas regiões como Pantanal, Floresta Amazônica e Mata Atlântica, a onça-pintada convive harmoniosamente (coexiste) com a onça-parda. Nessas áreas, o uso de habitats diferentes parece ser a estratégia para evitar confrontos, tendo a onça-pintada preferência pelas áreas mais úmidas e a onça-parda pelas mais secas. É solitária, geralmente macho e fêmea se encontram apenas no período de acasalamento.

O território do macho é bem maior que o da fêmea, podendo incluir o de várias delas simultaneamente. Com isso, as áreas ocupadas pelas fêmeas podem abranger espaços de uso comum. Estudos mostram que a área de vida que os indivíduos ocupam variam significativamente, de cerca de 10 km² a 260 km². Diversos fatores podem estar relacionados a essas variações, tais como disponibilidade de presas, disponibilidade de ambiente adequado e em função das estações do ano. 
 

Para marcar seu território, machos e fêmeas arranham as árvores com suas garras afiadas, urinam, defecam e vocalizam. Comunica-se através de uma variedade de vocalizações que incluem esturros, rugidos e grunhidos. Raramente corre em perseguição às suas presas. Em vez disso, faz emboscada, se aproxima sem ser percebida e se lança diretamente sobre a presa.

Alimentação

É um animal carnívoro e considerado oportunista, uma vez que consome grande variedade de presas, conforme a disponibilidade destas no ambiente. Se alimenta de répteis e aves de pequeno e médio portes até grandes animais como antas, queixadas, veados, jacarés, porcos-do-mato, capivaras, dentre outros. Mais de 85 espécies já foram registradas como presas da onça-pintada.
 

Assim como outros predadores do topo da cadeia alimentar, a onça-pintada desempenha um importante papel na melhoria das populações das suas presas, uma vez que costuma predar os indivíduos mais fracos e doentes, o que ajuda a manter o equilíbrio dos ecossistemas. 

Em virtude da destruição dos ambientes naturais e, consequentemente, da escassez de presas silvestres, pode atacar as criações domésticas. Costuma se alimentar de presas maiores em comparação com a onça-parda, especialmente quando ambas ocorrem nas mesmas áreas.

Reprodução

A maturidade sexual das fêmeas se dá por volta de 2-3 anos de idade, mesmo já tendo sido observado fêmeas que apresentaram cio mais precocemente. Os machos parecem atingir a maturidade sexual aos 3-4 anos de idade. São necessários estudos mais detalhados para certificar essas informações. O acasalamento pode ocorrer em qualquer época do ano.
 

A gestação dura em média 90 a 115 dias. Nasce de um a quatro filhotes, porém o mais comum são dois. Os filhotes nascem completamente cegos e totalmente dependentes da mãe. Com duas semanas de vida eles abrem os olhos. A fim de protegê-los, a mãe costuma abrigá-los em cavernas, tocas ou sob troncos caídos. Nos dois primeiros meses de vida, a única alimentação desses animais é o leite materno. Após essa idade, a mãe começa a alimentá-los com carne. Com cerca de um ano e meio a dois anos de idade os filhotes se separam da mãe e estabelecem os seus próprios territórios. 

 

Educação Ambiental na Zoobotânica