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Dia do Mico-leão-preto

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28 de Fevereiro - Dia do Mico-Leão-Preto

 

Fotos: Humberto Mello e Suziane Brugnara - FPMZB/PBH

 

Instituída pela Secretaria de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, a data tem o objetivo de destacar a importância do Programa de Proteção do Mico-Leão-Preto (Leontopithecus chrysopygus), exemplo de salvamento de espécies ameaçadas de extinção. O Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) vem há mais de 35 anos trabalhando em favor da conservação dessa espécie, que ocorre apenas no oeste do estado de São Paulo, nos remanescentes de Mata Atlântica.

 

Assim como outras espécies de primatas, o mico-leão-preto faz o papel de “sentinela” no ciclo da febre amarela, pois ao ser infectado, alerta os humanos para o aparecimento da doença na região. Além disso, é um bom dispersor de semente, auxiliando na manutenção das florestas das áreas onde vive.

 

Por tudo isso, um dia dedicado à espécie é importante para apresentá-la às pessoas, chamar atenção para as ameaças que enfrenta na natureza e para os esforços que vem sendo empreendidos visando à sua conservação.

 

O Zoológico de BH apoia as ações de conservação em prol da espécie. Junte-se a nós! 

 

Abaixo, seguem uma atividade educativa e informações sobre a espécie para que você nos ajude nesse desafio de preservá-la, compartilhando conhecimento. 

 

Palavras cruzadas do mico-leão-preto

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Mico-leão-preto

Leontopithecus chrysopygus

Black Lion Tamarin

 

Estado de conservação da espécie

Aparece na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, na categoria “Em Perigo” (IUCN, 2025-2 e ICMBio, 2022).

 

Estima-se uma redução populacional de 50% ou mais nas próximas três gerações (2019-2040) devido à contínua perda de habitat dentro da sua área de abrangência (devido ao estabelecimento de novas propriedades rurais, agropecuária, queimadas, desmatamento etc) com potencial para perdas relevantes devido a eventos inesperados, como, por exemplo, surtos de febre amarela que causam mortalidade significativa nas populações de mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia).

Principais ameaças

As principais ameaças à espécie são: estabelecimento de novas propriedades rurais, agropecuária, queimadas, desmatamento, desconexão e redução do habitat. Os recentes surtos de febre amarela que atingiram as regiões sul e sudeste do Brasil podem, também, representar uma ameaça às populações de mico-leão-preto. Considera-se como maior ameaça à espécie o isolamento e a diminuição das populações que conseguem se manter ao longo do tempo em fragmentos florestais em processo de degradação, com abrigos e recursos alimentares abaixo do indicado para essas populações. Além disso, pode-se também considerar uma ameaça futura as possíveis interferências das mudanças climáticas que atingirão os habitats disponíveis para a espécie, conforme projeções.

Estratégias de conservação

Foi considerado extinto por 65 anos devido à ausência de registros na natureza até sua redescoberta em 1970. Felizmente, com os esforços de conservação de organizações socioambientais e governamentais, hoje o mico-leão-preto tem um futuro mais promissor.

 

Algumas ações têm sido relevantes para a conservação da espécie, como o manejo das pequenas populações isoladas, inclusive das que estão sob cuidados humanos em zoológicos e outras instituições licenciadas. Atualmente, os esforços estão focados na saúde genética dessas populações (translocação, manejo de dispersão e reintrodução), educação ambiental, expansão e/ou criação de áreas protegidas para a espécie e melhor gerenciamento das já existentes.

 

Como a Mata Atlântica no oeste do estado de São Paulo, área de ocorrência do mico-leão-preto, é extremamente fragmentada em pequenas áreas de mata, os animais sofrem com o isolamento, correndo risco de se extinguir por falta de habitat, de alimento e de pares reprodutivos. Uma das iniciativas do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) foi justamente plantar um corredor de mata que conecta duas grandes áreas florestais na região do Pontal do Paranapanema, a Estação Ecológica Mico-Leão-Preto (ESEC-MLP) e o Parque Estadual Morro do Diabo.

 

Com 2,7 milhões de árvores nativas, o corredor tem cerca de 20km de extensão e é uma estratégia para que os animais possam transitar em uma área mais ampla, aumentando as chances de abrigo, alimentação e reprodução. Outra ação relevante é o estabelecimento de programas com as comunidades locais, visando à melhoria da qualidade de vida e à prática do desenvolvimento sustentável.

 

O principal sucesso de todos esses anos de esforços em conservação tem sido o resgate de uma espécie que esteve à beira da extinção e que, graças ao Programa de Conservação, mudou de categoria de ameaça, passando de “Criticamente em Perigo” para “Em Perigo” de extinção.

 

Os zoológicos têm um papel fundamental na conservação integrada da espécie, uma vez que garantem a formação de uma população de segurança em condições saudáveis e geneticamente viáveis nessas instituições, possibilitando futuros programas de reintrodução de espécimes na natureza.

Ocorrência

É endêmico da Mata Atlântica do oeste do estado de São Paulo, tendo sua distribuição limitada entre os rios Paranapanema e Tietê, não ultrapassando o rio Paraná. Ocorre em floresta estacional semidecidual, ou seja, aquela em que as árvores perdem parte de suas folhas na estação seca. Não é restrito a habitats primários e apresenta tolerância a modificações/perturbações no ambiente. Sobrevive em florestas secundárias desde que existam recursos acessíveis, tais como ocos de árvores para servir de dormitório para os grupos e alimento disponível o ano inteiro.

Características

É um primata de pequeno porte, cujo seu comprimento (cabeça e corpo) mede entre 22cm a 30cm. A cauda mede entre 31cm e 40cm. O peso do indivíduo adulto é de 575g (macho) e 600g (fêmea).

 

A rica pelagem que forma a juba - semelhante à dos leões - é responsável pelo seu nome popular.

 

Possui mãos e pés estreitos e compridos, com dedos longos e unhas em forma de garra, que facilitam a captura de insetos nas frestas presentes nas cascas das árvores.

 

A cor de sua pelagem é predominantemente preta com tons de castanho amarelado na região lombar e na base da cauda. A pele da face é quase nua e apresenta pés e mãos de cor negra.

Hábitos

Possui hábitos diurnos, isso significa que realiza suas atividades durante o dia, quando são muito ativos.

 

É territorialista: cada grupo demarca um território (área de vida) que pode variar de 40ha a 400ha de floresta, dependendo do tamanho da população.

 

Para dormir, utiliza geralmente ocos de árvores, aconchegando-se uns sobre os outros. Eles não saem do oco durante a noite. Comunicam-se entre si emitindo diversos tipos de vocalizações/sons, tanto para os membros do próprio grupo, quanto para os grupos vizinhos.

Alimentação

É onívoro. Sua dieta é composta por frutos, exsudatos vegetais (líquidos que formam as resinas, gomas), néctar, flores e pequenos animais (anfíbios, répteis, aves, mamíferos, insetos, entre outros).

Reprodução

Vive em grupos familiares de dois a oito indivíduos. Cada grupo é composto por uma fêmea dominante; um a dois machos reprodutivos; e os filhotes e juvenis do casal, que permanecem no grupo até atingirem a maturidade sexual e se dispersarem para a formação de seus próprios grupos familiares. A maturidade sexual é atingida com um ano e meio de vida.

 

O mico-leão-preto se reproduz, geralmente, uma vez ao ano, com gestação de quatro meses. Nascem de um a três filhotes por vez, mas na maioria das vezes a fêmea dá à luz dois filhotes, pesando cerca de 60g cada. Os recém-nascidos passam os primeiros dias de vida pendurados ao ventre materno. Depois disso, é o pai que os carrega no dorso, que os cuida e os limpa. A mãe se aproxima somente para a amamentação. Os demais integrantes do grupo auxiliam no cuidado parental até que os filhotes possam se locomover sozinhos.

 

Educação Ambiental na Zoobotânica