27 de Abril - Dia Mundial da Anta (World Tapir Day)

Fotos: Suziane Brugnara - FPMZB/PBH
A data foi instituída como forma de chamar atenção para a conservação das espécies de anta existentes no planeta e para aumentar a consciência das pessoas acerca da importância desse animal para os ambientes onde vive.
Você sabia, por exemplo, que a anta é considerada uma “jardineira da floresta”? Como se alimenta de uma grande quantidade de frutos e percorre diariamente grandes distâncias, quando defeca, espalha as sementes prontas para germinar, sendo responsável pela formação e renovação das florestas.
De maneira geral, as principais ameaças a esse animal são: perda de habitat e caça. Mas, considerando a área de ocorrência das diferentes espécies, existem outras ameaças que também precisam ser destacadas, como: atropelamentos em rodovias, contaminação por agrotóxicos, queimadas, doenças pela proximidade com animais domésticos, dentre outras.
O Zoológico de BH é amigo da anta. Que tal você ser também? Junte-se a nós!
Abaixo, segue uma atividade educativa. Divirta-se.
Palavras cruzadas Dia Mundial da Anta
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Conheça a espécie de anta que integra o plantel do Zoológico de Belo Horizonte
Anta
Tapirus terrestris
Lowland Tapir

Foto: Daniel Alves - FPMZB/PBH
- Estado de conservação da espécie
Aparece nas Listas Vermelhas de Espécies Ameaçadas de Extinção na categoria “Vulnerável” (IUCN, 2025-2 e ICMBio, 2022).
Estimativas mostram que nos últimos 33 anos essa espécie perdeu 30% da população, assim como 30% da área de ocorrência original. Essa taxa atual de declínio de 30% deve continuar pelas próximas três gerações (33 anos). Para se chegar a essa conclusão levou-se em consideração toda a extensão e foi calculada usando uma média de redução entre uma variedade de biomas – Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica e Cerrado.
- Principais ameaças
Possui ameaças diferentes em ambientes naturais diferentes. De maneira geral, as principais são: destruição e fragmentação da vegetação nativa para a agricultura em larga escala, o que resulta na perda de habitat, caça, atropelamentos, contaminação por agrotóxicos, queimadas e doenças pela proximidade com animais domésticos.
- Estratégias de conservação
A anta-brasileira (Tapirus terrestris) está listada no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES). Vale esclarecer que as espécies incluídas no Apêndice II da CITES, normalmente, são aquelas que, embora atualmente não se encontrem ameaçadas de extinção, poderão chegar a esta situação, a menos que o comércio esteja sujeito a regulamentação rigorosa. Nesse caso é necessária uma atenção especial, pois mesmo essa espécie não estando classificada em uma categoria com risco “extremamente” ou “muito alto” de extinção na natureza, aparece na categoria “Vulnerável” (IUCN, 2025-2 e ICMBio, 2022), na qual se enquadram aquelas espécies com risco “alto” de extinção.
O Grupo Especialista em Antas (TSG, sigla em inglês) da Comissão de Sobrevivência de Espécies (SSC, sigla em inglês) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês) vem realizando uma série de ações de conservação que se estendem por toda a área de ocorrência da espécie, que abrange 11 países, dentre eles o Brasil. Algumas dessas ações são: desenvolvimento de Planos de Ação Nacionais para a pesquisa e conservação da espécie; desenvolvimento de metodologias de estudo de campo em diversas áreas do conhecimento; desenvolvimento de protocolos para duas importantes ferramentas de conservação, a reintrodução e a translocação de espécimes; implementação de campanhas educativas e de marketing voltadas para diferentes públicos (nacional e internacional), avaliações globais sobre o estado de conservação da espécie para a Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN.
Mais especificamente para o Brasil, o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) iniciou em 1996, na Mata Atlântica, um programa de pesquisa e conservação com essa espécie, o que gerou um rico banco de dados. Em 2008, o programa foi ampliado para uma abordagem nacional, a fim de abranger outros biomas – Pantanal, Cerrado e Amazônia. Assim foi criada a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta-brasileira (Tapirus terrestris), que possui hoje o maior banco de dados sobre a espécie no mundo, e as metodologias de pesquisa desenvolvidas e seus resultados auxiliam cientistas que trabalham com as várias espécies de anta em diferentes países.
É fundamental, também, a criação e efetivação de novas unidades de conservação, bem como a proteção efetiva das já existentes. Além disso, é importante implementar medidas que visam a redução da perda de habitat causada por incêndios florestais, ocupação humana, agropecuária em larga escala e a implantação de novos empreendimentos.
Não se pode esquecer que a cada dia os habitats dessa espécie se tornam mais e mais alterados e suas populações cada vez mais impactadas por ações humanas, com isto, os zoológicos tornam-se importantes aliados na conservação integrada. A partir do trabalho desenvolvido por essas instituições, torna-se viável a realização de pesquisas científicas em diversas áreas, tais como: biologia, ecologia, comportamento, nutrição, saúde e bem-estar. Assim, é possível conhecê-la melhor e saber mais sobre a maneira como ela depende do seu ambiente natural e se relaciona com ele. Esses estudos possibilitam ainda o estabelecimento de protocolos de manejo, uma ferramenta importante para o aperfeiçoamento do trabalho com animais sob cuidados humanos, o que contribui para a formação nessas instituições de uma população de segurança em condições saudáveis e geneticamente viáveis subsidiando, quando necessário, programas de reintrodução de espécimes na natureza.
Por meio de seus programas educativos, são capazes de sensibilizar as pessoas para a importância de se preservar esse animal e os ambientes naturais onde ele ocorre.
- Ocorrência
Ocorre em regiões de planície do norte e centro da América do Sul, inclusive no Brasil. Habita tanto florestas densas, como matas secundárias ou mesmo cerrados e áreas de vegetação mais aberta, contando que consiga estar sempre perto de rios, lagos ou lagoas.
- Características
É o maior mamífero terrestre nativo do Brasil. Chega a medir dois metros de comprimento, mais de um metro de altura e pode pesar até 300 kg. A fêmea é sempre maior que o macho.
Possui o focinho em forma de uma pequena tromba móvel.
Quando adulto, o corpo desse animal é acinzentado, com uma crina curta e as pontas das orelhas brancas.
Tem o olfato muito bom, por isto, costuma varejar tudo à sua volta. Já a visão e a audição não são tão desenvolvidas.
Possui quatro dedos nas patas dianteiras e três nas patas traseiras.
O tempo médio de vida quando está sob cuidados humanos pode ser superior a 30 anos; na natureza, a estimativa é de cerca de 22 anos.
- Hábitos
É uma espécie preferencialmente noturna.
Costuma defecar na água, entretanto, há registros de fezes encontradas em áreas secas ou próximas à floresta.
Esse animal ocorre em baixas densidades populacionais e são na maioria das vezes encontrados sozinhos ou em no máximo dois ou três indivíduos, que são geralmente aparentados.
Formam-se os casais apenas na época do acasalamento.
Além de nadar e mergulhar muito bem, a anta faz da água seu refúgio, seja contra o excesso de calor ou em caso de se sentir ameaçada.
Para se comunicar, utiliza vários tipos de sons (assobios, estalos etc.) cada um com um significado.
- Alimentação
É herbívora. Sua dieta é composta principalmente de folhas e frutos.
Um estudo realizado no bioma Mata Atlântica, a partir da análise de amostras fecais desse animal mostrou que a anta consome 58 espécies de frutos de 23 famílias de plantas diferentes. As preferências variam conforme a região onde vive. Às vezes consome raízes e, também, pedaços de casca de árvores.
- Reprodução
Possui um ciclo reprodutivo bastante longo. O acasalamento ocorre em qualquer época do ano. O período de gestação dura em torno de 13 a 14 meses. Nasce, geralmente, um filhote por vez, que pesa de 7 a 9Kg e apresenta listras claras em meio ao pelo castanho, o que serve de camuflagem em meio à sombra e luz das matas. O recém-nascido somente irá adquirir a coloração definitiva com cerca de seis meses de vida, o mesmo tempo em que mama, mas continua andando com a mãe pelo menos até completar um ano de idade. O intervalo entre nascimentos é geralmente superior a dois anos.
A maturidade sexual é atingida aos três anos de idade, para machos e fêmeas.