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O Viver de Novo é uma iniciativa prioritária da Prefeitura de Belo Horizonte criada para dar respostas mais organizadas e eficazes diante do aumento da população em situação de rua no município. O projeto tem acompanhamento e monitoramento intensivos e busca promover inclusão social, garantir direitos e criar condições reais para a superação da situação de rua, por meio de ações integradas e do fortalecimento da rede de serviços, com papel central da assistência social e dos direitos humanos.
O projeto foi construído através da escuta das demandas da sociedade civil, em especial do Comitê Intersetorial de Monitoramento e Acompanhamento da Política Municipal para a População em Situação de Rua (CIAMP - BH) e da análise técnica das áreas envolvidas em relação a priorização das ações.
Desta forma, o Viver de Novo está organizado em cinco eixos: atendimento e abordagem, acolhimento institucional, moradia, saúde e geração de renda, além de um eixo transversal de comunicação. Além da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, o projeto conta com ações sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Urbel, SLU e Prodabel.

ATENDIMENTO E ABORDAGEM
Este eixo reforça o trabalho no território, para identificar as pessoas que estão em situação de rua e em situações de vulnerabilidade, fazer acolhida inicial, orientar e encaminhar para os serviços. O foco está no Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) e nos Centros POP, que funcionam como porta de entrada especializada.
Principais ações previstas:
- ampliar as unidades móveis de abordagem
- ampliar dias e horário de funcionamento dos Centros POP (todos os dias, incluindo feriados e finais de semana, das 8h às 18h) ✅
- implantar 2 novos Centros POP
- criar uma linha-guia (orientação de fluxos) e um novo sistema de registros para organizar informações e atendimentos ✅

ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL
Aqui o objetivo é ampliar e qualificar as opções de acolhimento, com mais vagas e modalidades mais adequadas para diferentes necessidades. A ideia é melhorar o acesso, reduzir barreiras e oferecer alternativas para permanência provisória quando necessário.
Entre as ações previstas:
ampliar vagas para pernoite em Unidades de Acolhimento Institucional
ampliar a modalidade de Hospedagem Social, incluindo a possibilidade de acesso com animais de estimação (cães)
implantar Casas de Passagem para atendimento a homens e para mulheres
implantar uma Unidade de Atendimento e Acolhimento ao Migrante

MORADIA
Este eixo reúne medidas para apoiar a saída das ruas com soluções de moradia, combinando acesso a programas e acompanhamento social.
Principais ações:
- ampliar e reestruturar o Bolsa Moradia, com meta de chegar a 900 vagas em 2027 ✅
- implantar o Moradia Cidadã, com a metodologia Moradia Primeiro (Housing First), com capacidade para 100 famílias
- fortalecer o acompanhamento social das pessoas atendidas pelos programas de moradia
- destinar 3% das vagas do Minha Casa, Minha Vida para pessoas em processo de superação da situação de rua ✅

ATENÇÃO À SAÚDE
O foco é ampliar o acesso aos cuidados, principalmente em saúde mental e em situações relacionadas ao uso de álcool e outras drogas, com ações mais próximas do território e melhor estrutura na rede.
Entre as medidas previstas:
implantar 6 Unidades de Acolhimento Transitório (UATs) - sendo 4 para pessoas adultas e 2 para crianças e adolescentes
ampliar equipes e horários do Consultório na Rua ✅
ampliar as equipes e fortalecer estratégias territoriais como o BH de Mãos Dadas (redução de danos) ✅
qualificar e ampliar os CERSAMs, incluindo reformas e ampliações

GERAÇÃO DE RENDA
Este eixo busca apoiar a reinserção social com qualificação, apoio social e acesso a oportunidades de trabalho e renda.
Destaques:
- reformulação do Programa Estamos Juntos, com foco no acesso a qualificação profissional e aumento da empregabilidade
- implementação do Programa Municipal de Atendimento aos Catadores de Materiais Recicláveis Autônomos e do Centro de Referência e Triagem dos Catadores de Materiais Recicláveis Autônomos
Eixo transversal: comunicação
Prevê um Plano de Comunicação para melhorar a informação ao público, orientar acessos e apoiar a articulação entre serviços.
ENTREGAS
![]() | Consultório na Rua recebe o reforço de novas equipesA Prefeitura de Belo Horizonte segue implementando ações para aperfeiçoar o cuidado com a saúde das pessoas em situação de rua. Consolidando as estratégias do programa Viver de Novo, o município contratou mais duas equipes para o Consultório na Rua, passando de oito para dez. A ampliação garantirá que as regionais Centro-Sul e Hipercentro contem com quatro equipes, duas em cada uma. |
![]() | Equipe do BH de Mãos Dadas Contra a Aids é reforçada para atuar junto às pessoas em situação de ruaComo parte das ações do Viver de Novo, projeto que contempla estratégias inovadoras para ampliar e qualificar o atendimento às pessoas em situação de rua, a Prefeitura de Belo Horizonte contratou quatro novos profissionais redutores de danos para atuar no programa BH de Mãos Dadas Contra a Aids. Está em andamento a contratação de mais dois profissionais, prevista para os próximos dias. |
![]() | Prefeitura amplia o horário de funcionamento de Centros de Referência para a População em Situação de RuaA Prefeitura de Belo Horizonte está ampliando o horário de atendimento dos Centros Pop Lagoinha e Centro-Sul, que passam a funcionar todos os dias da semana das 8h às 18h, possibilitando maior alcance, proteção e encaminhamento das demandas do público atendido. A ampliação é mais uma ação estratégica do programa Viver de Novo. |
![]() | 300 pessoas em situação de rua serão selecionadas para acesso ao programa Bolsa MoradiaA Prefeitura de Belo Horizonte inicia nesta semana a convocação de 300 pessoas em situação de rua para inserção no Programa Bolsa Moradia. Neste mês, 50 pessoas iniciaram o processo de entrada no programa, com a entrega de documentação e a autorização para identificação de imóveis para locação. A iniciativa faz parte do projeto Viver de Novo, anunciado pela PBH em dezembro de 2025, destinado a apoiar as pessoas em situação de vulnerabilidade na superação da condição de rua. |
POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA NO BRASIL
- Diretrizes nacionais
Política Nacional para a População em Situação de Rua (Brasil)
No Brasil, a principal referência é a Política Nacional para a População em Situação de Rua, instituída pelo Decreto Federal nº 7.053/2009. Ela orienta que o atendimento deve ser feito com base em acesso a direitos, respeito à dignidade humana e ações integradas entre políticas públicas (como assistência social, saúde, habitação, trabalho e renda, educação e segurança alimentar). Na prática, isso significa que as respostas não devem ser isoladas: o cuidado e a proteção precisam envolver várias políticas ao mesmo tempo, de forma coordenada.
Campanha Indiferença Machuca - Respeite as pessoas em situação de rua
- Política estadual
Minas Gerais Em Minas Gerais, a política estadual é definida pela Lei Estadual nº 20.846/2013, que estabelece princípios como: respeito à dignidade da pessoa humana; direito à convivência familiar e comunitária; valorização da vida e da cidadania; atendimento humanizado e universal; respeito às diferenças (como origem, raça, idade, nacionalidade, gênero, orientação sexual, religião), com atenção especial a pessoas com deficiência. O Estado também possui um comitê para acompanhar e monitorar essa política, o Ciamp-Rua-MG, que foi atualizado por norma estadual recente.
- Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH)
A Resolução nº 40/2020 do CNDH traz diretrizes de direitos humanos para orientar a atuação do poder público com a população em situação de rua. Ela reforça que: pessoas em situação de rua devem ser atendidas como sujeitos de direitos, com proteção contra violências e discriminações; o Estado deve garantir acesso real às políticas públicas e aos órgãos de defesa de direitos, com atendimento humanizado e sem barreiras desnecessárias; ações públicas devem evitar práticas que violem direitos, como abordagens degradantes e medidas que empurrem as pessoas de um lugar para outro sem proteção (práticas “higienistas”).
- Diretoria de Políticas para a População em Situação de Rua de Belo Horizonte
Em Belo Horizonte a política foi instituída pelo Decreto Municipal nº 16.730/2017, que criou a Política Municipal Intersetorial para Atendimento à População em Situação de Rua (PPSR). A PPSR define princípios e compromissos para garantir um atendimento mais justo e integrado, com base em valores como igualdade e equidade, respeito à dignidade humana, atendimento humanizado e valorização das particularidades de cada pessoa.
O que a política garante na práticaA política organiza a atuação conjunta de diferentes áreas da Prefeitura, para que as respostas não fiquem isoladas em um único serviço. Ela prevê articulação intersetorial nas áreas de:
- Assistência social
- Saúde Moradia
- Trabalho e renda
- Educação
- Segurança alimentar
- Cultura e cidadania
Além disso, a política estabelece bases importantes para dar continuidade e qualidade ao atendimento, como: integração entre órgãos do Executivo; articulação com outras esferas de governo; produção e uso sistemático de dados; realização periódica de censos e diagnósticos; previsão orçamentária nas políticas setoriais para garantir sustentabilidade das ações.
Conheça as ações da Diretoria de Políticas para a População em Situação de Rua de Belo Horizonte.
- Governança: como a política é acompanhada
Para acompanhar e fortalecer a execução da política, foi criado em 2015 o Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política para a População em Situação de Rua (CIAMP-Rua Municipal), revisado pelo Decreto nº 18.690/2024. Esse comitê tem participação paritária entre poder público e sociedade civil e atua no acompanhamento e monitoramento das ações, na proposição de medidas intersetoriais e na elaboração de relatórios e planos de ação. A Secretaria Executiva é exercida pela SMASDH, por meio da Diretoria de Políticas para Pessoas em Situação de Rua, Migrantes e Refugiadas (DPOP).
Planejamento e compromissos recentes
Belo Horizonte também formalizou adesão ao Plano Nacional Ruas Visíveis, por meio do Termo de Compromisso nº 03/2024. E, em consonância com o Decreto Municipal nº 16.730/2017 e com os parâmetros definidos pela ADPF nº 976, o Município elaborou o Plano Municipal Intersetorial para a População em Situação de Rua (2025). Esse plano foi construído de forma intersetorial e participativa, com acompanhamento do CIAMP-Rua Municipal e participação de secretarias envolvidas, sociedade civil, Ministério Público, Defensoria Pública, instituições de ensino e pessoas em situação de rua.




