Belo Horizonte já sente os efeitos das mudanças climáticas com o aumento da intensidade, da duração e frequência dos eventos extremos pluviométricos e de temperatura. Tem-se observado o aumento da temperatura média, redução da umidade do ar, e a ocorrência mais frequente das ondas de calor e queimadas.
No calor extremo, sob estresse térmico, os processos de termorregulação impactam negativamente a saúde, majorando os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), atingindo principalmente idosos, crianças, pessoas com comorbidades e gestantes.
Como medida de adaptação climática, a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), está implantando os Refúgios Climáticos: espaços públicos que disponibilizam estruturas para hidratação, resfriamento (umidificação ou molhamento) e descanso em área sombreada prioritariamente por arborização ou outra estrutura vegetada.
O projeto sustenta-se no princípio de justiça climática, estando alinhado ao Plano Local de Ação Climática (PLAC-BH) e à Política Municipal de Enfrentamento à Emergência Climática (Lei nº 11.793/2024).
- O QUE COMPÕE UM REFÚGIO CLIMÁTICO?
Cada Refúgio Climático é projetado para oferecer acesso à água potável para hidratação, possibilidade de umidificação e/ou molhamento, conforto térmico em áreas de descanso sombreadas por arborização ou outra estrutura vegetada em locais de grande circulação de pessoas.
Os Refúgios reúnem infraestruturas urbanas sustentáveis, que contribuem para o resfriamento passivo do ambiente e o uso equilibrado dos recursos hídricos. Para cumprir seu papel de forma eficiente, cada unidade deve contemplar minimamente seis estruturas e respeitar premissas técnicas, ambientais e urbanísticas.
Elementos Essenciais:

Pontos de hidratação com acesso à água potável, atenuando o impacto sobre a saúde por exposição ao calor, proporcionando bem-estar à população;

Resfriamento por aspersão ou névoa, dispositivos nebulizadores ou aspersores que podem promover umidificação ou molhamento direcionados ou redução da temperatura corporal durante períodos de calor intenso;

Sombreamento natural proporcionado pela arborização que favorece o aumento da umidade do ar local por evapotranspiração;

Áreas de descanso com bancos em área sombreada, que favorecem a permanência, convivência social e bem-estar;

Despavimentação de calçadas e ampliação da permeabilidade do solo em área vegetada, que favorece a infiltração hídrica;

Sombreamento e proteção solar complementar com pergolados e coberturas vegetadas, quando necessário.

Em locais específicos, também podem ser implantadas estruturas alternativas de resfriamento ou molhamento, como pórticos de aspersão, jatos de água a partir do piso ou espelhos d’água, que potencializam o conforto térmico e ambiental.
Além dos componentes básicos, os projetos dos Refúgios Climáticos seguem princípios fundamentais que garantem inclusão, durabilidade, sustentabilidade e engajamento da população:

Desenho universal do mobiliário urbano que assegure acessibilidade a diferentes faixas etárias e pessoas com deficiência (PCDs);

Durabilidade, resistência e menor custo de manunteção, promovendo efetividade para utilização contínua do equipamento e utilização em grande escala;
Comunicação e Educação Climática que engaje a população no enfrentamento às emergências climáticas
- QUAIS SÃO OS OBJETIVOS E BENEFÍCIOS DOS REFÚGIOS CLIMÁTICOS?

Entre os principais objetivos do projeto estão:
Ampliar o acesso gratuito à água potável nos espaços públicos, possibilitando hidratação à população;
Promover o resfriamento passivo do ambiente urbano no local do Refúgio, reduzindo o desconforto térmico, compondo resposta à exposição ao calor;
Integrar conectividade verde no território, ampliando áreas vegetadas e permeáveis que contribuem para o equilíbrio microclimático da cidade;
Reforçar o uso e a qualificação dos espaços públicos, promovendo convivência, saúde e bem-estar;
Fomentar o engajamento da população na pauta do enfrentamento às mudanças climáticas com uma estrutura que integra vários componentes importantes (água, vegetação, permeabilidade e saúde);
- Adaptar aos efeitos do calor na saúde da população, com atenção especial às áreas de maior vulnerabilidade climática, e pessoas mais expostas ao risco, como pedestres, ciclistas e trabalhadores ao ar livre.
- QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS LOCACIONAIS PARA DEFINIR OS REFÚGIOS CLIMÁTICOS?
Os critérios locacionais baseiam-se nas áreas de vulnerabilidade climática às ondas de calor, locais de grande circulação de pessoas em mobilidade ativa, exposição em ilhas de calor e possibilidade urbanística compatível para implementar a estrutura.
Mapa de Vulnerabilidade às Ondas de Calor

Veja aqui o estudo de Vulnerabilidade às Mudanças Climáticas do município de Belo Horizonte
- ONDE ENCONTRAR OS REFÚGIOS CLIMÁTICOS?
Atualmente, Belo Horizonte conta com duas unidades-piloto instaladas no hipercentro (Rua dos Carijós e Avenida Olegário Maciel) e uma terceira unidade prevista para a Praça Afonso Arinos. A meta é implantar Refúgios Climáticos distribuídos por todas as regionais da cidade.

LOCALIZAÇÃO DAS UNIDADES-PILOTO IMPLANTADAS:
- Rua dos Carijós, entre as avenidas Curitiba e Paraná
- Avenida Olegário Maciel, ao lado do Mercado Novo
