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BH Verde

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Dois técnicos da SMMA fazem registros da Serra do Curral
Vladimir Faria

 

Programa BH Verde: Governança Territorial, Áreas Verdes e a Consolidação de Belo Horizonte como uma "Cidade Esponja"


O ordenamento sustentável do território de Belo Horizonte, orientado pela Lei Municipal nº 11.181/2019 – Plano Diretor do Município –, pressupõe a articulação entre planejamento urbano, proteção ambiental e promoção da qualidade de vida. Nesse contexto, a conservação e a qualificação das áreas verdes assumem importância estratégica diante dos desafios relacionados à urbanização, às mudanças climáticas, à impermeabilização do solo e ao manejo das águas pluviais.  Assim, o Programa BH Verde, desenvolvido no âmbito da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), destaca-se como um instrumento estratégico de mapeamento, diagnóstico e planejamento para requalificação  das áreas protegidas pertencentes ao Município. As informações produzidas pelo programa subsidiam o planejamento e a gestão desses espaços, contribuindo para sua adequada destinação, proteção e qualificação socioambiental.


 

Proteção do Patrimônio Público

Concebido no início dos anos 2000, o programa responde à necessidade premente de organizar e sistematizar dados sobre terrenos de interesse ambiental sob domínio do Município. O projeto tem por objetivo avaliar  áreas legalmente destinadas à implantação de Espaços Livres de Uso Público (ELUP) — como parques urbanos, praças e unidades de proteção. A iniciativa assegura a salvaguarda dessas porções territoriais, impedindo ocupações irregulares e garantindo que cumpram sua função socioambiental na conformidade da lei.

Áreas Verdes, Resiliência Urbana e o Conceito de “Cidade Esponja”

Em perfeita consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e com a busca por soluções de drenagem sustentáveis e o Plano Local de Ação Climática, o BH Verde desempenha um papel pilar na transição de Belo Horizonte para o modelo de Cidade Esponja. Cidades dotadas de relevo acentuado e elevada impermeabilização, como a nossa capital, dependem fundamentalmente da conservação de solo natural vegetado para amortecer as águas pluviais.

Ao preservar e qualificar o solo descoberto dessas áreas públicas, o programa fomenta Soluções baseadas na Natureza (SbN), maximizando a infiltração da água da chuva na fonte, recarregando aquíferos subterrâneos e mitigando as vazões de pico que saturam as bacias hidrográficas do município.

Dessa forma, o Programa BH Verde representa importante subsídio para o desenvolvimento de estratégias integradas de resiliência climática e para a incorporação dos princípios associados ao conceito de “Cidade Esponja” no planejamento urbano de Belo Horizonte.

Banco de Dados e Resultados das Vistorias Técnicas

Atualmente, o banco de dados georreferenciado do BH Verde reúne quase 2.200 áreas públicas de interesse ambiental catalogadas sob a propriedade do Município. Por se tratar de um acervo dinâmico e sob constante revisão técnica, o processo de inventário segue ativo, de modo que novos espaços são continuamente incorporados para garantir a fidedignidade e a confiabilidade do cadastro municipal.

Em conformidade com as diretrizes de monitoramento territorial da prefeitura, foi realizado um amplo esforço de fiscalização e diagnóstico de campo entre outubro de 2023 e dezembro de 2025:

1.329 áreas públicas inseridas no cadastro municipal foram vistoriadas tecnicamente;

Deste total, 1.009 foram qualificadas como áreas verdes públicas efetivas.

Os laudos de caracterização gerados a partir destas diligências dão o suporte necessário para que a municipalidade proponha a destinação adequada e a implantação de novos ELUPs. Isso possibilita a construção de projetos estratégicos de alto valor socioambiental, tais como hortas comunitárias, agroflorestas urbanas, praças e parques, aproximando de forma equitativa os serviços ecossistêmicos da população.

Potencial para Ampliação da Arborização Urbana

No decorrer do exercício de 2025, foram promovidas cerca de 230 vistorias técnicas específicas para identificar o potencial de incremento florestal do município. Este mapeamento resultou na indicação precisa de 61 mil novos pontos aptos para o plantio de mudas arbóreas dentro das áreas verdes públicas, servindo como base científica indispensável para o planejamento florestal urbano e mitigação climática em Belo Horizonte

Perspectivas

A consolidação e a atualização permanente do banco de dados do Programa BH Verde ampliam a capacidade do Município de conhecer, planejar e gerir suas áreas públicas de interesse ambiental, em conexão à  Lei 12.120/2026, que institui o Programa de Implantação da Cidade Esponja em Belo Horizonte.

Mais do que um inventário territorial, o programa constitui uma base de informações capaz de subsidiar diferentes políticas públicas relacionadas ao planejamento urbano e ambiental, à arborização, à conservação da biodiversidade, à infraestrutura verde, à adaptação às mudanças climáticas e à qualificação dos espaços públicos.

Nesse sentido, a integração das informações produzidas pelo BH Verde com outras políticas, planos e instrumentos municipais pode contribuir para a implantação de Soluções baseadas na Natureza, para o fortalecimento da infraestrutura verde e para a adoção progressiva de estratégias associadas ao conceito de “Cidade Esponja”.

Ao identificar e caracterizar áreas públicas com potencial ambiental, o Programa BH Verde contribui para que esses espaços sejam reconhecidos não apenas como patrimônio territorial do Município, mas também como ativos estratégicos para a construção de uma Belo Horizonte mais verde, resiliente e preparada para os desafios climáticos.