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Mascote cousteauzinho repousando em seu local no Parque Jacques Cousteau.
Foto: Edanise Reis/ PBH

Parque Jacques Cousteau é exemplo de paisagismo em BH

30/11/2017 | 16:28 | atualizado em 14/12/2017 | 11:09

Quem caminha pelos jardins coloridos e exuberantes do Parque Jacques Cousteau, no bairro Betânia, certamente não consegue imaginar que este espaço um dia já chegou a armazenar mais da metade do lixo de Belo Horizonte. Conhecido como um dos mais belos parques da cidade, o Jacques Cousteau é hoje referência em paisagismo, vencedor de três edições do concurso Cidade Jardim e um dos mais admirados e procurados espaços ao ar livre da cidade. 

No entanto, somente em 1971, o então “depósito de lixo” da capital foi transformado em área verde, que recebeu o nome de Parque Municipal da Vila Betânia. Na ocasião, funcionou como Horto do Betânia, sendo destinado à produção de mudas para toda a cidade, alcançando geração de um milhão de exemplares por ano. Posteriormente, o Jardim Botânico da cidade assumiu essa tarefa, instalando-se temporariamente na área, até a construção da sua sede definitiva em 1991, na área do jardim zoológico. Muitas dessas mudas cresceram e floresceram no Parque, sendo as primeiras a integrarem a vegetação da mata local.

A área verde de 335 mil m2, hoje administrada pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB), passou de vilã a mocinha em quase meio século de história. Fazendo jus aos títulos conquistados, o Parque serve de berço para centenas de espécies arbóreas e ornamentais, já que possui, até hoje, um viveiro de mudas que servem de insumo para o trabalho de paisagismo e manejo arbóreo em todos os parques, além de outras áreas de Belo Horizonte. Entre as espécies de plantas presentes no local estão sibipurunas, pau-ferro, clerodendro, estrelinha, barba de serpente, azaleia, pseuderantemo, areca, agave, dracena, jasmim-manga, capim-dos-pampas, bromélias, trepadeira jade, agapanto e estrelizia. 

Rompendo definitivamente com seu passado de degradação e luta para chegar a ser uma das mais importantes áreas verdes da cidade, o Parque Jacques Cousteau hoje se configura como local de inspiração e lazer, prática de esportes, contemplação e contato com a natureza.

Como opções de lazer para a comunidade, o Jacques Cousteau oferece parquinho infantil, cinco trilhas em meio à mata, pista de caminhada, pista para usuários de bicicleta, uma academia a céu aberto e uma programação de eventos fixa, que contempla aulas de ginástica, alongamento e Lian Gong. O parque ainda atende a um grupo de escoteiros todos os sábados.

Como riquezas ambientais podem ser citadas, ainda, o córrego Bonsucesso, que corta a área do parque, e espécies de vegetação nativas do Cerrado, uma herança de quando o parque ainda era uma fazenda, anos antes de a área ser vendida à Prefeitura de Belo Horizonte.  

Aliás, a cobertura vegetal merece destaque por sua contínua e avançada regeneração natural, o que, somado a boas estratégias de manejo arbóreo, garante que mais de 80% da área total apresente significativa cobertura vegetal. 

Mesmo morando a 12 km do local, Tatiana Freitas, 29 anos, leva o filho Arthur, de 1 ano e meio, duas vezes por semana ao Parque. Ela explica que os pais, em sua infância, a levavam todos os dias para brincar no Parque Jacques Cousteau, mas que quando cresceu mudou-se para outra região da cidade. No entanto, ao frequentar outras áreas de lazer próximas de sua atual residência concluiu que o Jacques Cousteau é um dos melhores espaços gratuitos preparados para receber a família em BH, especialmente as crianças. “Para mim, é o parque mais bonito e bem cuidado da cidade e por isso vale a pena me deslocar esse tanto para aproveitar essa beleza. São os jardins mais lindos que já vi em área pública aqui na cidade”, afirma.  

A gerente de parques do Barreiro e Oeste, Edanise Reis, é a responsável pelo local e explica que, ao longo dos anos, esse parque vem atraindo um maior número de frequentadores. Em parte, isso se deve à realização de eventos no local, como aniversários de crianças, o que faz com cada vez mais pessoas conheçam e gostem do lugar. “Todo aniversariante que comemora a data no parque é convidado a plantar uma árvore em uma área, batizada como bosque dos aniversariantes. Com isso as pessoas criam um vínculo com o local e querem cada vez mais cuidar e visitar o parque. O sucesso foi tanto que não temos mais espaço nesse bosque para novas mudas. Hoje fazemos o plantio na área de mata, para aqueles que querem manter essa ‘tradição’”, comenta Edanise. 

Outra novidade que vem contribuindo para tornar o Jacques Cousteau mais conhecido é a Academia da Cidade, que agora realiza suas atividades dentro de um antigo galpão. A atividade, que consiste na prática regular de exercícios orientada por profissional da área, de forma gratuita, acontece às terças e quintas-feiras e também aos sábados, das 7h às 10h. Maria Lúcia Mendonça é aluna do projeto. “Eu frequento o parque com meu marido, aos sábados. Soube da Academia da Cidade há pouco tempo e já vou começar a participar na próxima semana. É mais um motivo para vir aqui sempre. Trouxe mais quatro amigas e minha nora comigo há alguns dias para tentar convencê-las a fazer os exercícios comigo, mas elas estão bem mais interessadas em ficar sentadinhas nos bancos ou fazendo piqueniques pelo gramado. Estão encantadas com a área, pois não conheciam o lugar, apesar de passarem perto daqui com frequência”, diverte-se. 

A paixão pelo parque não vem só dos frequentadores. Ali, é comum ver jardineiros e funcionários sempre sorridentes em seu labor. Isso se traduz no cuidado e carinho de cada um com um lugar tão agradável para se trabalhar. “Por iniciativa dos funcionários, começamos a fazer arranjos e enfeites a partir de materiais que antes seriam descartados. Temos uma mascote, apelidada de Cousteauzinho, que na verdade é um boneco feito com vasos de cerâmica inutilizados. Temos também floreiras montadas em carrinhos de mão enferrujados, que já não serviam para o trabalho do dia a dia; um jardim vertical de bromélias feito com tijolos, e um jardim maior, feito dentro de uma Tobata (pequeno trator), onde quase todos os dias uma fila de crianças se aglomera para tirar fotos. Isso é o resultado da criatividade e trabalho coletivo da equipe da FPMZB”, completa Edanise. 

O mais recente projeto do parque, ainda em execução, promete oferecer aos frequentadores uma oportunidade de aprimoramento cultural. Uma Geladoteca (geladeira antiga, adaptada, que servirá como biblioteca compartilhada), já está sendo montada no local. A iniciativa, parceria com a Escola Municipal Mestre Ataíde, vizinha ao parque, promete ser mais uma atração para que a população desfrute ainda mais das riquezas do lugar. 

 

Serviço

Parque Municipal Jacques Cousteau

Horário de funcionamento: terça-feira a domingo, das 8h às 18h. 

Localização: rua Augusto José dos Santos, 366 – bairro Betânia. 

Informações: 3277-5972 

Entrada gratuita.


 

30/11/2017. BH em Cantos - Parque Jacques Cousteau. Fotos: Edanise Reis e Celso Santa Rosa/PBH