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Agentes da guardas municipal e prefeito Alexandre Kalil posando para fotos
Foto: Divulgação PBH

Agente da Guarda Municipal é exemplo de superação e otimismo

05/12/2017 | 15:25 | atualizado em 21/03/2018 | 13:36

Eram 5h40 da manhã, segunda-feira, dia 23 de janeiro de 2017. Data considerada pelo guarda municipal Fabiano Martins Rodrigues da Silva, de 37 anos, por incrível que pareça, como início do melhor ano de sua vida. Nesta ocasião, o servidor se envolveu em um grave acidente na BR- 381, quando ia para o trabalho, no Conselho Tutelar Centro-Sul, no Centro de Belo Horizonte. “Foi tudo muito rápido! Vi uma pessoa no meio da rodovia. Ao meu lado tinham dois caminhões. O primeiro impulso que tive foi desviar, para evitar o atropelamento.” Ao se esquivar do pedestre, que era um andarilho, Fabiano evitou atingi-lo, mas bateu em um poste e perdeu parte de sua perda direita.

A adversidade foi encarada pelo guarda municipal como uma nova oportunidade de vida, afinal foram 44 dias de internação e mais 10 meses de afastamento até o retorno às atividades, na readaptação funcional. Neste período, Fabiano teve complicações que exigiram uso intenso de antibióticos, para conter uma infecção e um início de necrose. Apesar das dificuldades, a vontade de se recuperar surpreendia a todos. “Eu não gostava de ficar me lamentando pelo ocorrido. Nas horas de visita, quando via alguém chorando ou com cara de pena, eu logo avisava: se veio para lamentar pode ir embora, temos é que comemorar, pois, estou vivo”, relembra.

 


Degrau por degrau

Solteiro e já acostumado a morar sozinho, quando recebeu alta médica, Fabiano foi levado direto para a casa da mãe. “O apoio dela foi fundamental nos primeiros dias, mas eu não me sentia à vontade, queria retornar para minha residência. Uma semana depois, então, pedi a alguns amigos para me levarem para uma visita ao meu apartamento, e por lá fiquei”, diz sorrindo.

É ainda sorrindo que Fabiano conta o “detalhe” de que seu apartamento fica no quinto andar de um prédio sem elevadores. E ele considera que este, sim, foi o primeiro desafio que precisou encarar em seu retorno à vida fora do hospital. O agente diz que considerou cada degrau um passo definitivo para a reconquista de sua independência. 

A autonomia ficou completa, porém, somente depois da colocação da perna mecânica. A prótese ortopédica foi adquirida com o apoio de uma rede de amigos, de colegas da Guarda Municipal e de anônimos, que ajudaram na compra do equipamento. A retomada ao trabalho, por sua vez, se deu no comando das câmeras de segurança do BH Resolve, unidade de atendimento ao público de diferentes serviços prestados pela Prefeitura de Belo Horizonte.


Reaprendendo a andar

A perda da parte abaixo do joelho de sua perna direita, que já havia mudado radicalmente a vida de Fabiano, obrigando a se movimentar por quatro meses usando muletas, a partir da aquisição da perna mecânica, exigiu nova adaptação. “As muletas tinham se tornado uma extensão do meu corpo. Sem elas, precisei reaprender a andar”, relata.

Ele explica que no início não conseguia se equilibrar e sentia dificuldade para ficar de pé sem um objeto de apoio. “Quando colocaram a prótese, travei. Meu cérebro parecia não compreender o que estava se passando. Mas fui aos poucos me acostumando, até ter confiança para caminhar novamente”, comemora.

Os primeiros passos vieram após diversas sessões de fisioterapia, para fortalecimento dos músculos da coxa e ligamentos do joelho, mas que lhe deram como recompensa a recuperação tão sonhada da independência. Fabiano continua com o tratamento, que lhe garante a cada dia mais segurança ao caminhar pela cidade.
 

Desafio diário

No trajeto de seu apartamento, no bairro Jardim Vitória, na Regional Nordeste, até o trabalho, no Centro de BH, Fabiano pega dois ônibus, e percebe as dificuldades que os portadores de deficiência passam no dia-dia. Ele considera o deslocamento um desafio diário.

“Se, por um lado, temos ônibus com ar condicionado, suspensão a ar e elevador para cadeiras de rodas – recurso que eu não preciso usar, inclusive –, ainda há uma grande falta de respeito por parte de alguns usuários dos coletivos. Muitas vezes, tenho que ficar em pé durante todo o trajeto e noto como algumas pessoas fingem dormir ou simplesmente não cedem os lugares reservados aos portadores de necessidades especiais”, desabafa.

Mas, sempre otimista, Fabiano faz questão de destacar que o acidente que sofreu fez de 2017 o melhor ao de sua vida. “Pude sentir o apoio e o carinho dos amigos e dos profissionais que cuidaram de mim, de forma bem clara. Considero que a minha nova realidade me proporcionou crescimento e me apresentou uma diferente perspectiva de vida e isso é um bem que não tem preço”, conclui.

 

05/12/2017. Superação Guarda Municipal. Fotos: Divulgação/Guarda Municipal