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Horta da Emei Santa Cruz vira referência em educação antirracista e sustentável
Divulgação/PBH

Horta da Emei Santa Cruz vira referência em educação antirracista e sustentável

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O projeto Horta dos Sabores, desenvolvido pelos professores da Emei Santa Cruz, em Belo Horizonte, ultrapassou os limites da escola e se tornou tema do livro” Educação Antirracista: experiências de profissionais da Emei Santa Cruz”, publicado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A conquista literária reforça o impacto pedagógico da iniciativa, que  desde 2015 transforma a educação infantil via sustentabilidade, valorização cultural e inclusão. O que começou com pequenos canteiros suspensos em pneus evoluiu para um espaço de referência em práticas agroecológicas e educativas, fortalecendo vínculos comunitários e inspirando novas abordagens de ensino.

Durante a pandemia, a escola participou do programa “Sonhar, Planejar, Alcançar”, em parceria com a Sesame Workshop. Nessa época as crianças criaram a “Árvore dos Sonhos”, que resultou na implantação do “Espaço Verde”, área de convivência e aprendizado ao ar livre. Em 2022, a parceria com o programa EcoEscola ampliou a iniciativa, levando o cultivo para canteiros no chão, fortalecendo a produção de hortaliças e ervas medicinais de origem afro-brasileira e indígena, como taioba, alecrim e boldo.

Inspirado em pensadores como Lélia Gonzalez, Daniel Munduruku e Ailton Krenak, o projeto transformou a horta em espaço de resistência cultural e valorização de saberes historicamente marginalizados. Oficinas de compostagem e cultivo envolveram toda a comunidade escolar, reforçando a importância da coletividade e da preservação ambiental.

Mais do que aprendizado, a horta auxilia na promoção de uma alimentação saudável para estudantes, professores e funcionários, com alimentos servidos na escola e compartilhados com as famílias quando a colheita é farta, fortalecendo vínculos e ampliando os benefícios da iniciativa. Reconhecida em feiras e exposições, a “Horta dos Sabores” tornou-se referência para outras instituições, disseminando práticas sustentáveis, educativas e inclusivas.

Os autores do livro são as próprias professoras, que têm ligação direta com a horta escolar. “Enumeramos os sonhos das crianças e um deles foi o espaço verde. Tínhamos um cantinho com pneus e resolvemos fazer a horta em um espaço um pouco maior com mais cuidados”, destacou  a diretora Viviane Martins.

A coordenadora Walquiria Almeida afirma que “Krenak fala da urgência de reconectar a sociedade com a natureza e em nosso espaço temos hortaliças e ervas medicinais da cultura indígena e africana, que possibilitam estratégias pedagógicas para ampliar as experiências das crianças com estes alimentos.”

Outras educadoras também ressaltam o impacto da iniciativa. A professora Rita Dias afirma que esta é uma oportunidade de a criança ter contato com a terra. “Elas regam, colhem e levam a alface para a cantina da escola.” A professora Maria de Jesus complementa: “Trabalhamos a ecologia, sustentabilidade, educação ambiental e compostagem. Incentivamos o plantio em espaços alternativos, como garrafas pets e potes de sorvete.”

Assim, o projeto que nasceu de um sonho coletivo agora se eterniza em livro, ampliando sua relevância e inspirando novas práticas de educação ambiental e cultural. A obra reúne relatos das próprias professoras da instituição ligadas à horta escolar e foi Organizada por Tânia Aretuza Ambrizi Gebara, Gabriel Henrique Gomes da Silva, Cláudio Emanuel dos Santos e Walquíria Almeida de Jesus, com elaboração da Biblioteca do Centro Pedagógico/EBAP/UFMG.