18 March 2026 -
Esteiras de triagem horizontal foram instaladas em quatro galpões de cooperativas de catadores de material reciclável de Belo Horizonte, melhorando as condições de trabalho e aumentando a eficiência na separação de resíduos recicláveis.
Foram beneficiadas a Coopesol Leste (Cooperativa Solidária dos Trabalhadores e Grupos Produtivos da Região Leste), a Coopersoli Barreiro (Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos Produtivos do Barreiro e Região), a Asmare (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável - Unidade II) e a Coomarp (Cooperativa Solidária dos Trabalhadores em Materiais Recicláveis da Pampulha).
Para instalar as esteiras, a Prefeitura de Belo Horizonte realizou obras nos galpões, como melhorias do piso, construção de fosso e adaptações no sistema elétrico. Acompanham as esteiras equipamentos auxiliares como moega de recepção de materiais; dutos de triagem; funil para rejeitos; e carrinhos auxiliares para bags (sacolões de lona) para posicionamento sob as bicas de triagem e sob a calha de rejeitos.
Equipes da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) acompanham o início dos trabalhos dos catadores, que receberam orientações da empresa que produziu a esteira sobre como operar o maquinário. A primeira esteira já está em funcionamento na cooperativa Asmare. As demais esteiras devem iniciar a operação em breve, já que os trabalhadores estão sendo treinados e outras intervenções ainda serão feitas nos galpões. O investimento foi de aproximadamente R$ 1 milhão, com recursos do Programa Avançar Cidades, do Governo Federal.
Benefícios para o catador
As esteiras possuem aproximadamente 15 metros de comprimento e têm como principal função transportar os resíduos e tornar mais ágil o processo de separação de materiais recicláveis, como papel, plástico, vidro e metal.
O material é colocado no início da esteira, em um compartimento destinado ao recebimento de materiais, chamado moega. A partir daí um motor elétrico movimenta o equipamento, fazendo com que os recicláveis percorram toda a extensão. Ao longo da estrutura, os catadores ficam posicionados para realizar a triagem dos materiais à medida que chegam. Cada trabalhador é responsável por separar um ou mais tipos de materiais.
Após a separação, os materiais são lançados em dutos e caem em bags próprias para cada tipo de reciclável. Já os rejeitos, que não possuem valor comercial ou não podem ser reciclados, seguem pela esteira até o final, onde são lançados em um recipiente, para ser enviado ao aterro sanitário.
A esteira traz benefícios para a saúde do catador, pois permite que o trabalho seja realizado com mais agilidade e em posição ereta, evitando a necessidade de abaixar e levantar repetidamente, como acontecia no processo de triagem antes da implantação do equipamento.
“Essa esteira vai melhorar a nossa produção, pois antes realizávamos um retrabalho muito pesado. Com ela, teremos uma estrutura melhor e menos esforço físico. Estamos muito contentes com essa nova ferramenta, que representa um novo jeito de trabalhar”, disse Silvana Maria Leal de Assis, presidente da Coopersoli.
A catadora Karina Pereira dos Santos, que trabalha na Asmare desde 1994, destacou que a produtividade aumentou com a chegada do equipamento. “Com a instalação da esteira, a gente consegue triar de dois a três caminhões por dia. Antes não chegava a um, porque a gente tinha que pegar o material do chão, jogar na banca e separar tudo manualmente”, explicou.
Filha de catadora, Karina faz parte da diretoria da Asmare e atua também como secretária da associação. Ela garante que a esteira trouxe mais satisfação à rotina profissional da equipe e avalia que a tecnologia reduz o cansaço de horas de trabalho. “O material já cai separado nas bags e vai direto para as caçambas, facilitando a prensagem nos fardos”.
Inclusão
Em Belo Horizonte, o programa de coleta seletiva inclui associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis. A coleta seletiva porta a porta é realizada por seis associações e cooperativas, credenciadas pela SLU por meio de chamamento público. Essas entidades são contratadas e remuneradas pela autarquia, que também disponibiliza seis caminhões compactadores para a atividade. O planejamento e a fiscalização do serviço permanecem sob responsabilidade da SLU.
Todo o material recolhido na coleta seletiva é destinado pela PBH a essas entidades. A SLU também atua na manutenção dos galpões utilizados para o trabalho e realiza o pagamento do aluguel daqueles que não pertencem ao patrimônio da PBH.