24 July 2026 -
Neste sábado (25) é celebrado o Dia Nacional do Escritor. Na Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte, muitos escritores estão dentro das escolas. São profissionais que trabalham em bibliotecas, professores que transformam experiências em livros e estudantes que descobrem, ainda na infância, a possibilidade de se tornarem autores.
A escritora Stela Araújo de Souza é assistente administrativa na biblioteca da Escola Municipal Lídia Angélica, na Regional Pampulha. Ela aproveita a experiência no mundo dos livros para organizar projetos escolares voltados à literatura. Entre as iniciativas está o projeto “Leituras Compartilhadas”, que reúne turmas da Educação Infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental para sessões de contação de histórias, com leituras coletivas interpretadas por meio de apresentações teatrais e fantoches.
Com quase duas décadas de dedicação à educação pública de BH, a profissional acredita que estar em contato com escritores aproxima os alunos do universo literário. “Também realizamos parcerias com autores e só o fato de perceberem que um deles está falando diretamente com eles já os encantou. Essas pontes que construímos são muito importantes”.
Outro escritor da Rede Municipal é Anderson Seixas, professor de educação física da Escola Municipal União Comunitária, na Regional Barreiro. Assim como Stela, ele dedica parte da vida à literatura. A descoberta surpreende os estudantes, acostumados a associá-lo às atividades esportivas.
Ele despertou o interesse pela escrita ainda na infância, quando lia obras de fantasia, seu gênero literário favorito. Desde então, manteve vivo o desejo de publicar um livro, sonho realizado há quase cinco anos.
Embora literatura e educação física sejam áreas aparentemente distintas, Anderson se inspira na própria história e desenvolve ações de incentivo à leitura em sala de aula. “Desenvolvo algumas brincadeiras para conscientizar os alunos a terem hábitos mais saudáveis, como ler, e largar um pouquinho o celular. É papel do professor de educação física levar o aluno para a reflexão”.
Jovem escritora
O Secretaria Municipal de Educação (Smed) também exalta as crianças autoras, como Antônia Magalhães Coelho Portela, estudante da Escola Municipal Vinicius de Moraes, no Barreiro. Com apenas 9 anos, ela decidiu, pela primeira vez, compartilhar seu trabalho com os leitores: o livro “O Segredo da Floresta”.
Publicada no início deste ano, a obra acompanha a história da personagem Antônia, uma menina que acorda misteriosamente em uma floresta ameaçada de extinção. Com a missão de protegê-la, a garota desvenda enigmas em busca de artefatos mágicos para salvar o lugar.
A ideia da publicação do livro nasceu da preocupação da pequena escritora com o meio ambiente. Apesar de voltada para o público infantil, o livro está disponível para todos. “Eu quero passar a mensagem de que devemos respeitar a natureza, pois várias pessoas no dia a dia destroem as nossas matas. O livro também foi feito para adultos, que devem ter noção sobre o que estão fazendo”.
O interesse pela leitura foi incentivado desde cedo em casa, especialmente pela mãe, que é professora da Rede Municipal. Segundo Eliane Aparecida Magalhães dos Santos, além do apoio da família, a escola também teve papel fundamental para que a filha atingisse seu potencial. “Antônia recebeu estímulo de todos os professores e teve à disposição uma biblioteca maravilhosa. As crianças são como terras férteis; quando a escola motiva e incentiva, as sementes germinam”.
Formação de leitores
A Smed valoriza essas histórias e as iniciativas que fazem da leitura e da escrita parte do cotidiano de milhares de estudantes. Para ampliar o acesso à literatura e fortalecer a formação de leitores, a Smed desenvolve uma série de ações. Entre elas estão os Kits Literários, distribuídos a todos os estudantes, de acordo com os diferentes perfis e faixas etárias.
A seleção contempla a diversidade de temas, gêneros e autores e inclui kits de literatura afro-brasileira, africana e indígena, que contribuem para a ampliação dos acervos das bibliotecas escolares e para o trabalho com as relações étnico-raciais.
Outro programa é a Jornada Literária, que estimula a produção de livros pelas turmas da educação infantil (alunos de 4 e 5 anos), do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), a partir da escolha de uma temática anual. Também são desenvolvidas atividades como saraus literários, elaboração do projeto gráfico, encenações teatrais e sessões de autógrafos.
Neste ano, o tema é “Justiça Social”, com prazo final de entrega até 30 de outubro. Desde a criação da Jornada Literária, em 2011, cerca de 760 livros já foram produzidos.
A Smed também atua para que todas as escolas tenham bibliotecas equipadas e automatizadas no sistema Pergamum, ferramenta de gestão da informação adotada para a integração e o gerenciamento de acervos e bibliotecas. Mais de 225 já foram automatizadas, além de quase um milhão de obras catalogadas. A iniciativa amplia o acesso dos estudantes aos livros e torna a gestão das bibliotecas escolares mais eficiente.
A subsecretária de Inclusão, Equidade e Clima Escolar e de Gestão Pedagógica, Arminda Oliveira, ressalta que o papel da Smed ultrapassa as barreiras da gestão pedagógica tradicional. “Acreditamos na escola pública como um polo pulsante de produção literária e cultural. Quando abrimos espaço para que um estudante publique seu primeiro texto ou valorizamos o talento de um professor ou bibliotecário escritor, estamos mostrando que as vozes deles importam e têm poder de transformação”.
