25 September 2026 -
Para celebrar os 35 anos da Escola Municipal Caio Líbano Soares, no Bairro Santo Antônio, Centro-Sul de Belo Horizonte, a comunidade escolar se reúne neste sábado (26), das 9h às 11h30, em evento festivo na quadra do subsolo da Secretaria Municipal de Educação (Smed), no mesmo prédio onde funciona a instituição de ensino. A programação terá como um dos momentos principais o armazenamento da cápsula do tempo preparada por estudantes e professores com fotografias, depoimentos escritos e objetos que representam a história da escola, que será reaberta em 2031, quando a Caio Líbano completará 40 anos.
A celebração também homenageará educadores que ajudaram a construir a trajetória da instituição, como o professor Fábio, que atua na escola desde a fundação, em 1991. Ex-alunas que trabalham atualmente na própria Caio Líbano, como a assistente social Michele e a monitora de informática Graziele, também serão homenageadas.
A memória da escola será apresentada ainda em um teaser de curtas-metragens e de um livro de memórias idealizado pelo professor e escritor Flávio, produzido a partir de mais de 30 entrevistas com ex-alunos, professores e gestores. A programação também inclui exposição de telas produzidas por estudantes das turmas hospitalares, mural interativo, apresentação musical com banda de forró e almoço comunitário.
Histórias marcantes
Quando tinha apenas 10 anos, Daniel Salomão Calisto dormia em galerias, onde trabalhava engraxando sapatos e fazendo pequenos serviços. Aos 15, precisou escolher entre continuar na escola ou trabalhar em uma oficina mecânica para sobreviver. Décadas depois, aos 77 anos, ele retomou os estudos na Escola Municipal Caio Líbano Soares e estará entre os 35 estudantes escolhidos para representar os 35 anos de história da instituição, celebrado em 2026.
Décadas depois, já trabalhando como motorista da Prefeitura de Belo Horizonte no mesmo edifício onde viveu parte da infância, Daniel recebeu um incentivo que mudaria novamente sua trajetória. A equipe pedagógica da Caio Líbano o estimulou a retomar os estudos na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
“Eu andava muito com o Seu Daniel de carro e ele me contava que já tinha estudado, mas parado. Falei para ele voltar a estudar na Caio Líbano, fiz a matrícula dele e o incentivei. Foi uma conversa simples do dia a dia que mudou tudo”, relembra o coordenador pedagógico da escola, Rodrigo Martins.
Daniel segue frequentando as aulas e resume em poucas palavras o significado de ter voltado à escola. “A melhor coisa na vida é o estudo. Em qualquer espaço do mundo que você vai, precisa do estudo. Sem ele você não consegue”.
A história de Daniel faz parte da trajetória da Caio Líbano, que ao longo de sua existência consolidou uma proposta de Educação de Jovens e Adultos (EJA) para estudantes de várias idades, experiências e trajetórias de vida, ampliando as possibilidades de acesso e permanência na educação.
Várias trajetórias
A Escola Municipal Caio Líbano Soares é a única unidade da Rede Municipal de Educação que oferece a EJA tanto para o ensino fundamental quanto para o ensino médio. Atualmente, são 556 estudantes distribuídos em 39 turmas, entre o prédio-sede e 18 espaços externos espalhados pela cidade.
O diretor da escola, Heitor Carvalho, destaca que uma das características da instituição é a busca pela organização pedagógica capaz de atender às diferentes necessidades dos estudantes. A partir da escuta dos estudantes, a Caio Líbano incorporou ao currículo disciplinas como atualidades, corporeidade, laboratório de natureza e tecnologia. Também são oferecidas oficinas extracurriculares de inglês, informática básica, redação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), artes e tai chi.
A escola oferece ainda alimentação em todos os turnos e benefícios como passe livre estudantil para alunos que residem a mais de um quilômetro da unidade, além da integração com o programa federal Pé-de-Meia, conforme os critérios de participação.
EJA onde o estudante está
Nos últimos anos, a Escola Municipal Caio Líbano Soares também ampliou sua atuação para diferentes territórios e espaços de Belo Horizonte. A proposta é aproximar a educação de públicos que, por diferentes motivos, encontram dificuldades para frequentar uma escola convencional.
Entre as iniciativas coordenadas pela escola está a EJA Hospitalar, com atendimento a estudantes em centros de nefrologia e hemodiálise do Hospital Evangélico e da Santa Casa. A escola também inaugurou uma turma no segundo pavimento do Terminal Rodoviário de Belo Horizonte, voltada a trabalhadores, passageiros e pessoas em situação de rua.
Há ainda turmas comunitárias na Vila Estrela, Mestre Paranhos e Igreja Betel, além de parcerias com o Centro de Referência em Segurança Alimentar (Cresam), com atividades de gastronomia e panificação.
“O principal diferencial desta escola é o acolhimento. É uma referência e um porto seguro para pessoas que chegam enfrentando diversas vulnerabilidades ou traumas e encontram aqui a oportunidade de construir e reconstruir suas histórias”, destaca Heitor.
