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Fotografia de uma sala de aula, onde um professor está em pé à frente da turma, fazendo sinais em Libras. Ao redor, estudantes estão sentados em suas carteiras, acompanhando a aula. Ao fundo, há um projetor com uma apresentação intitulada “Aula de Libras – Ensino Fundamental 2”, além de cartazes educativos, calendário, livros e materiais escolares.
Claudio Lacerda/Ascom Smed

Professor surdo transforma rotina de escola e ajuda a ampliar o ensino de Libras na Rede Municipal de BH

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Quando o professor Fábio Roberto chegou à Escola Municipal Sebastião Guilherme de Oliveira, no Barreiro, há dois anos, poucos estudantes arriscavam alguns sinais de Libras. Hoje, alunos mais velhos já conversam em língua de sinais, enquanto direção e coordenação pedagógica também aprenderam a se comunicar com ele e com os estudantes surdos. A mudança mostra como o contato cotidiano com a Libras pode transformar a convivência dentro da escola, e é parte de uma iniciativa que vem ganhando espaço na Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte: a Política de Educação Bilíngue de Surdos.

 

Depois de trabalhar durante 10 anos em outra área, Fábio decidiu se dedicar ao ensino da Libras para crianças e adolescentes. Na escola da rede municipal, cada aula é planejada para tornar a aprendizagem mais divertida e acessível. Brincadeiras, desafios em equipe e jogos interativos fazem parte da estratégia para despertar o interesse dos estudantes.

 

“Quando comecei a dar aula para o primeiro ano, foi um desafio muito grande. As crianças bem pequenas não têm o costume de usar os sinais e sentem dificuldade de movimentar as mãos”, conta.

 

Com o tempo, os sinais começaram a aparecer também fora das aulas. Os estudantes passaram a utilizar a Libras para se comunicar entre si, e outros profissionais da escola foram incorporando a língua à rotina.

 

“Quando colocamos o surdo como referência na escola, os ouvintes desenvolvem essa sensibilidade. Nas atividades em grupo, todos trabalham juntos e aprendem a se comunicar. Ouvintes ajudam surdos, e surdos ajudam ouvintes”, afirma Fábio.

 

Aos 11 anos, Gabriel Arcanjo Leal Santos Fernandes Soares já percebe como a Libras tem transformado sua experiência na escola. Estudante surdo da Escola Municipal Sebastião Guilherme de Oliveira, ele conta que os colegas têm aprendido a língua de sinais para se comunicar com ele, e que também participa desse aprendizado, ensinando novos sinais aos amigos.

 

“Na escola, eu me sinto muito bem. Os professores e meus amigos estão aprendendo Libras, e isso é muito importante para mim. A inclusão entre surdos e ouvintes é muito boa. Quando a gente consegue se comunicar, fica mais alegre. Meus amigos estão aprendendo Libras e eu também ensino um pouco para eles”, afirma. Na rotina escolar, a troca vai muito além da aprendizagem de uma língua: cria amizades, aproxima os estudantes e faz da comunicação uma via de mão dupla. 

 

A experiência do professor ajuda a mostrar a importância de ampliar o ensino de Libras para toda a comunidade escolar. Atualmente, a língua de sinais está presente em 61 escolas da Rede Municipal, priorizando unidades que têm estudantes surdos ou com deficiência auditiva. Mais de 16,8 mil estudantes, entre surdos e ouvintes, têm contato com Libras nas escolas municipais.

 

A Rede Municipal atende cerca de 255 estudantes surdos e com deficiência auditiva, da Educação Infantil à Educação de Jovens e Adultos (EJA), nas nove regionais de Belo Horizonte. Para garantir o atendimento e fortalecer as ações pedagógicas, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) conta com o Núcleo de Políticas de Educação Bilíngue de Surdos (NUPEBS), vinculado à Diretoria de Políticas Afirmativas.

 

Turmas bilíngues

 

A política também avança com a implantação de turmas bilíngues em escolas-polo. A experiência já acontece na Escola Municipal Padre Flávio Giammetta, no Barreiro, e na Escola Municipal Honorina de Barros, na região Noroeste.
Nessas turmas, a Libras é utilizada como língua de instrução e mediação dos conteúdos curriculares, enquanto a Língua Portuguesa é trabalhada na modalidade escrita como segunda língua. As turmas reúnem professores ouvintes fluentes em Libras e professores surdos, que contribuem para o ensino da língua e para o fortalecimento da identidade e da cultura surda.

 

Além das aulas regulares, a Smed conta com cerca de 70 tradutores e intérpretes de Libras/Português em sala de aula e com instrutores de Libras que atuam na rede em parceria com a Associação de Surdos de Minas Gerais (ASMG). A secretaria também oferece Oficinas Virtuais de Libras para a comunidade escolar, com cerca de 100 participantes certificados por semestre.

 

Dia Nacional do Surdo

 

Celebrado neste sábado (26), o Dia Nacional do Surdo é uma oportunidade para destacar os avanços da Educação Bilíngue de Surdos na Rede Municipal e reforçar a importância da Libras como instrumento de comunicação, aprendizagem e convivência.

 

Na escola onde Fábio trabalha, esses avanços aparecem nos pequenos gestos do cotidiano: um estudante que aprende um novo sinal, um colega que consegue iniciar uma conversa, um profissional que passa a se comunicar diretamente com um aluno surdo.

 

São sinais que mostram que, quando uma língua ganha espaço na escola, também aumentam as possibilidades de encontro, participação e aprendizagem.