21 July 2026 -
A Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte completa um ano da implementação de uma ferramenta pedagógica que tem ampliado a educação inclusiva na capital. A Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) é voltada para a participação e aprendizagem de estudantes não falantes ou com fala comprometida por meio de tecnologias assistivas.
Desde agosto do ano passado, mais de 1,5 mil educadores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e Profissionais de Apoio Escolar (PAE) foram capacitados em CAA. O objetivo é buscar mais formas de garantir o direito de expressão e participação ativa de estudantes não verbais ou com dificuldades severas de comunicação.
Os educadores utilizam recursos como pranchas de comunicação, cartões com figuras e símbolos e fotografias, além de aplicativos em tablets e computadores para complementar ou substituir a oralidade. Com apoio dos instrumentos, os estudantes conseguem expressar desejos, responder perguntas, participar das atividades escolares e interagir com colegas e professores.
As ferramentas de CAA estão presentes na vida dos irmãos Benício e Kallel, de 6 e 8 anos, respectivamente. Os dois são diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de nível três de suporte e, desde a educação infantil, estudam na Escola Municipal Doutor Xavier Nogueira, da Regional Venda Nova.
Para a mãe dos alunos, Elaine Cristina Campos, a CAA foi essencial para melhorar a comunicação dos filhos tanto em casa quanto na escola. “Eles me usavam como ferramenta ou ficavam muito irritados, e eu tentava decifrar o que queriam comunicar. Hoje em dia, eles conseguem apontar na prancha e ser entendidos. Para a nossa família, foi um divisor de águas”.
Além das capacitações e formação continuada dos profissionais, nesse último ano foram adquiridas mais de 1,3 mil licenças para uso de recursos de comunicação, além de realizados grupos de discussão e ofertadas mentorias semanais para acompanhamento das práticas pedagógicas de professores do AEE.
Para a secretária municipal de Educação, Natália Araújo, a ferramenta tem sido parte essencial da inclusão nas escolas da rede. "Nosso compromisso é garantir que cada estudante participe ativamente do processo de aprendizagem, tenha sua comunicação respeitada e encontre um ambiente escolar cada vez mais acessível e inclusivo”.
Os próximos meses serão marcados por mais capacitações em Comunicação Aumentativa e Alternativa. A partir de agosto, uma nova formação continuada será aberta para profissionais recém-chegados à rede municipal e para educadores que não participaram dos encontros anteriores. Além disso, as mentorias semanais continuam acontecendo.
Experiências bem-sucedidas
Professora do AEE, Lídia Aguiar participou da formação e das mentorias em CAA oferecidas pela Secretaria Municipal de Educação (Smed). Ela levou todo o conhecimento e a experiência adquiridos para a creche Associação Arco Encantado, em Venda Nova, onde criou o Max, um robô de papelão que interage e se comunica com alunos que apresentam dificuldades de fala.
A criação de Lídia é programada por comando de voz para realizar atendimentos individualizados de acordo com os desafios comunicacionais vividos por cada estudante. “O robô Max trabalha para que as crianças sem a oralidade totalmente desenvolvida possam aprender de forma criativa, dinâmica, e, claro, brincando”, explica.
Sua criação foi apresentada no último mês de junho no 2º Seminário de Boas Práticas em CAA. Cerca de 650 professores do AEE participaram do evento, realizado no auditório do Centro de Educação Integral Imaculada, na Regional Centro-Sul. Foram promovidos três encontros, reunindo profissionais da rede parceira, das Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) e das Escolas Municipais de Educação Fundamental (Emefs).
Os professores compartilharam experiências e ações de CAA realizadas junto a estudantes com dificuldades de fala. Também foram promovidas rodas de conversas e debates, além de uma exposição em que tecnologias assistivas desenvolvidas por profissionais da rede foram colocadas à mostra.
