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Técnica da SLU aborda catadora de lixo reciclável na rua.
Foto: Divulgação PBH

SLU dá dicas de planejamento de consumo com menos resíduos

29/12/2017 | 14:29 | atualizado em 29/12/2017 | 16:29
Em tempos de correria e muitos afazeres, parece impraticável adotar atitudes ambientalmente positivas que diminuam os impactos causados pelo homem ao meio ambiente. Mas é possível, sim, utilizar os recursos naturais de forma sustentável, produzindo menos lixo e, assim, ajudar a manter o equilíbrio ecológico do planeta. Basta adotarmos uma postura mais cidadã e reflexiva. Afinal, só em Belo Horizonte, são produzidas, por dia, 1.900 toneladas de resíduos domiciliares, o que corresponde diariamente a 271 caminhões lotados. 

Segundo Ana Paula da Costa Assunção, chefe do Departamento de Políticas Sociais e Mobilização da SLU, é necessário se propor a uma mudança de hábito. E, para isso, o ponto de partida é ter consciência e refletir sobre o próprio padrão de consumo. “Durante um mês, por exemplo, procure identificar os produtos e as respectivas quantidades que você consome. Leve em consideração os variados ambientes que frequenta, como casa, local de trabalho e pontos turísticos”, aconselha.

A partir dessa avaliação crítica, Ana Paula garante que fica mais fácil perceber as possíveis fontes de desperdício. “Por que será que, às vezes, consumimos de maneira exagerada? Seria por necessidade ou puramente status? Desorganização ou para suprir alguma carência emocional?”, pondera. Para a chefe de Mobilização Social, algumas pessoas hoje já pesquisam sobre a origem dos produtos que consomem, optando por marcas que incorporam ações de responsabilidade sobre o ciclo de vida das mercadorias. 

Outros cidadãos já querem saber sobre os tipos de materiais que compõem o produto e suas respectivas embalagens, se são tóxicos ou se promovem o esgotamento de recursos da natureza. “Quais os impactos ambientais da exploração de determinadas matérias-primas? O processo produtivo é agressivo ao meio ambiente? Quando consumidos, que resíduos são gerados? Quais as possibilidades de descarte, destinação e tratamento desses resíduos? Essas são algumas das perguntas que devemos nos fazer se desejamos uma mudança real”, aponta a gestora.

Voltando nosso olhar para essa realidade, a próxima fase é identificar as práticas de consumo que podem ser modificadas, alerta a chefe de Mobilização Social. Criar metas para se alcançar uma mudança efetiva também é um bom caminho. “Liste aquilo que você julga dar conta de realizar; avalie constantemente o que está dando certo e errado nesse processo, adote práticas para acabar com os desperdícios diagnosticados; diminua o consumo daqueles produtos identificados como supérfluos”, enumera. “Existem aplicativos para celular que auxiliam o consumidor nesses parâmetros, oferecendo boas pesquisas sobre as alternativas existentes.”

A lista de boas atitudes é extensa e urgente. Transformar resíduos orgânicos, como restos de alimentos, cascas de verduras, frutas e legumes em adubo é uma ótima pedida. Utilize receitas que reaproveitam alimentos. Diminuir o consumo de sacolas plásticas de supermercados e imprimir menos arquivos, utilizando, de preferência, papel reciclável, não são exageros. E não se esqueça: jamais descarte óleo na pia da cozinha. Compartilhe experiências de consumo sustentável com familiares e amigos. Encontre substitutos para os produtos e marcas que causem muitos impactos socioambientais.



Coleta seletiva e reciclagem

A coleta seletiva da capital conta hoje com sete cooperativas parceiras da Prefeitura. São 20 toneladas de papel, metal, plástico e vidro que se transformam em renda e inclusão social para muitas famílias. Cada vez que os resíduos são transformados e reaproveitados por meio da reciclagem, aumenta-se a vida útil dos aterros sanitários. Para se ter uma ideia, são 806 mil toneladas de resíduos aterrados, por ano. Esse número poderá ser menor, gerando ganhos ambientais e economia aos cofres públicos, se a cidade continuar avançando nesse segmento. 



Bom exemplo

A telefonista Maria das Graças Gomes de Oliveira procura resgatar os antigos hábitos de seus pais e avós, como comprar mantimentos a granel, evitando o excesso de embalagens. Outro costume é produzir bolos, biscoitos e sobremesas em casa, fugindo um pouco das opções industrializadas. “Devíamos reaprender com nossos antepassados, que cultivavam hortaliças no quintal, consumiam bebidas como leite e refrigerantes em frascos retornáveis de vidro. Hoje, infelizmente, a própria indústria não nos possibilita esse resgate pleno aos velhos tempos. Além disso, as pessoas chegam exaustas em casa, após longas jornadas de trabalho. Porém, sempre é possível dar nossa contribuição, e isso já fará a diferença, pode acreditar”, observa Maria das Graças.
 
 

29/12/2017. SLU-Consumo Sustentável. Fotos: Pedro Antônio/SLU