Pular para o conteúdo principal

Imagem de um funcionário, com camisa vermelha, trabalhando na obra de um projeto piloto do alagado na Bacia Várzea da Palma, com um trator e prédios ao fundo.
Ascom Smobi/Divulgação

Projeto-piloto aplica conceito de “cidade-esponja” na Bacia Várzea da Palma

criado em - atualizado em

Um projeto inédito em Belo Horizonte busca transformar bacias de detenção de enchentes em ambientes sustentáveis e multifuncionais. Desde o início deste mês, a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi) executa um projeto-piloto na Bacia Várzea da Palma, região Norte da capital, com aplicação do conceito de “cidade-esponja”, a partir de uma técnica que utiliza espécies vegetais para auxiliar na filtragem da água, retenção de sedimentos, absorção de nutrientes e aumento da infiltração no solo.

A Bacia de Detenção Várzea da Palma 1 foi construída pela Prefeitura entre 2021 e 2023, na área do Córrego da Gameleira, dentro da primeira etapa do programa Drenurbs. O equipamento armazena grandes volumes de água durante chuvas intensas para, depois, liberar esse volume de forma gradual, reduzindo o risco de enchentes na região. A nova iniciativa utiliza Soluções Baseadas na Natureza (SbN) para que a bacia continue sendo capaz de manter a eficiência no controle das águas e, ao mesmo tempo, proporcione benefícios ambientais, paisagísticos e sociais à população.

A técnica utilizada é chamada de “fitorremediação”. Estão sendo construídos três setores alagados que, somados, compreendem uma área de 1,7 mil metros quadrados. Essas estruturas serão preenchidas com espécies típicas desses ambientes, como lírio-do-brejo, papiro-do-brejo, ingá-do-brejo e outras macrófitas aquáticas e emergentes, todas indicadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Segundo a diretora de Bacias da Smobi, Ana Paula Fernandes, o projeto foi inspirado em experiências bem-sucedidas de infraestrutura verde e no mencionado conceito "cidade-esponja", como as implantadas no Parque do Pajeú, em Fortaleza (CE), e no Parque Orla Piratininga, em Niterói (RJ). "Nossa proposta é transformar uma estrutura de drenagem em um espaço ambientalmente qualificado, capaz de melhorar a qualidade da água, ampliar a biodiversidade, reduzir as ilhas de calor e oferecer um ambiente de convivência para a população, sem perder sua função principal de controle das cheias", destaca Ana Paula.

Estudos hidrológicos realizados na bacia confirmaram a viabilidade da implantação do alagado. A área apresenta características naturais favoráveis, como presença permanente de água e profundidade rasa, variando entre 1,25 metro e 2 metros, formando áreas brejosas durante todo o ano.

Biodiversidade

Apesar de desempenhar importante papel na drenagem urbana, a Bacia Várzea da Palma 1 atualmente enfrenta problemas como o descarte clandestino de entulho e resíduos da construção civil e degradação do cercamento. Serviços de limpeza executados pela Subsecretaria de Zeladoria Urbana (Suzurb) mostram que 97% do material retirado da bacia corresponde a resíduos sólidos. Ao longo de um ano, o volume de detritos recolhidos chega a 3 mil metros cúbicos, o que pode comprometer a capacidade hidráulica da bacia e provocar mau cheiro.

Porém, mesmo com os impactos decorrentes do descarte irregular de resíduos, a área abriga importante biodiversidade. É comum a presença de aves como garças, colhereiros, maritacas e bem-te-vis, atraídas pelas áreas úmidas. No entorno da bacia também são encontrados ipês, oitis, árvores frutíferas e diversas espécies ornamentais.

A implantação do alagado urbano contribuirá para minimizar os impactos, favorecer a recuperação ambiental e aumentar a eficiência do sistema de drenagem. Também contribuirá para a formação de novos habitats para a fauna. Em um segundo momento, o espaço ganhará novos equipamentos de uso público, como decks de madeira, mobiliário urbano e áreas destinadas à contemplação.