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Mural confeccionado por alunos no Projeto Diga Não ao Bullying
Foto: Divulgação/PBH

Projeto Não ao Bullying muda a rotina e traz harmonia para o ambiente escolar

04/01/2019 | 15:20 | atualizado em 09/04/2019 | 10:12
Trabalhar com crianças de 10 a 13 anos de idade é um enorme desafio e requer muita habilidade. Afinal, sempre antenados, esses pequenos que estão em período de transição da infância para a pré-adolescência, são muito críticos. E, principalmente em ambiente escolar, essas críticas podem extrapolar e acabar virando bullying. 

Professora da Rede Municipal de Educação, Juliana Tofani de Sousa alerta que as alterações vividas nesta faixa etária interferem muito no comportamento dos alunos. “As turmas do 5º sempre foram um desafio. É um momento de mudanças na vida escolar e também no comportamento das crianças, que estão em uma faixa etária mais complexa, descobrindo novas vivências e interesses. A adaptação nem sempre é fácil”. 

Juliana explica que tanto professores como os pais devem saber lidar com as alterações de humor para garantir uma convivência saudável. “Nesse contexto de mudanças estão presentes, muitas vezes, a indisciplina, a agressividade, a falta de compromisso, agravada pelo acompanhamento familiar precário e até mesmo por ofensas verbais ou físicas”, pondera. 

E para minimizar esse comportamento inadequado e evitar que essa agressividade se volte contra eles mesmos, Juliana e Vanessa de Salvo Castro Alves, ambas professoras do 5º ano da Escola Municipal Desembargador Loreto de Abreu, na Regional Norte, desenvolveram o projeto Não ao Bullying, que instiga a reflexão sobre essa prática, promovendo a conscientização e a prevenção dessas situações em ambiente escolar. Em 2018, o trabalho foi realizado com cerca de 60 crianças com idades entre 9 e 14 anos. 

Para o desenvolvimento do Projeto Não ao bullying, as professoras elaboraram propostas diversificadas envolvendo diferentes áreas do conhecimento, dinâmicas e materiais, explorando os recursos existentes na escola e nas aulas de informática. Durante o ano, os alunos também assistiram filmes e vídeos sobre a temática, conversaram, entrevistaram, ouviram relatos e palestras com convidados que descreveram situações em que sofreram ou sofrem bullying. 

A professora Vanessa fala que essas atividades contribuíram com as reflexões e conclusões sobre as ações cotidianas de cada um. “Hoje o fluxo de informações é veloz e descontinuado. Existe uma sobrecarga de informações, que acontece por meio de comunidades virtuais e reais, o que pode facilitar, mas também pode trazer desacertos para a comunicação entre as pessoas e o entendimento errôneo do que é aprendido. Nosso projeto busca aguçar o interesse, o pensamento crítico e divergente, a criatividade, e incentivar a autonomia, envolvendo não só nossos alunos, mas também as famílias, os profissionais e outras turmas da escola”, relata.

Na avaliação das autoras do projeto, os resultados são gratificantes. Elas dizem que são perceptíveis melhoras nas relações interpessoais e avanços no desempenho escolar. “Os alunos estão mais maduros e autônomos, capazes de argumentar pontos de vista com fundamentação e de se posicionarem frente aos problemas de forma mais reflexiva e apaziguadora”, diz Vanessa. “A mudança de postura desses alunos trouxe reflexos positivos para toda a escola. O clima escolar melhorou e hoje as turmas do 5º ano participam do dia a dia da escola com mais interesse e harmonia”, completa Juliana.  

O aprendizado é reconhecido pelos estudantes, conforme afirma Ketlen Cristine da Silva, 11 anos. “Antes eu olhava as pessoas com superioridade, via nelas defeitos, mas não via o que eu tinha por dentro. Já perdi muitas  amizades e com o projeto passei a olhar para as pessoas de uma forma diferente, a olhar não só a aparência, mas como elas são, como me tratam. Aprendi a respeitar a personalidade das pessoas e minha vida mudou. Agradeço pelo que fizeram por mim, pelo incentivo, pelo apoio de todos. Se não fosse por isso, acho que eu seria uma pessoa pior”.

Também para Vitória Alves do Santos, de 11 anos, a convivência com os colegas se tornou mais harmoniosa. “O que achei mais importante no projeto foi que as professoras se empenharam muito para ajudar a gente a parar de fazer bullying com os colegas. Já sofri bullying e sei como é ruim. Os alunos me chamavam de chimpanzé, de macaco e isso diminuiu muito depois desse projeto”, conta.
 

04/01/2019. Projeto Diga Não ao Bullying. Fotos: Divulgação/PBH