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Em uma sala de treinamento de artes marciais, o professor Igor Oliveira posa, ajoelhado, em um tatame azul e vermelho. Igor usa quimono branco. Ao fundo e ao lado, há paredes brancas e azuis.m.
Daniel Caixeta/PBH

Programa Superar chega aos 32 anos promovendo ações inclusivas por meio do esporte

criado em - atualizado em

O educador físico Igor Oliveira da Silva iniciou sua trajetória como estagiário no Programa Superar, iniciativa da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SMEL) que está celebrando 32 anos de existência. Atualmente, ele é professor de judô e resume da seguinte forma sua experiência: "Eu acordo feliz para vir para cá”.

E não é para menos. Criado em 1994, o programa oferece atividades esportivas para pessoas com deficiência, auxiliando alunos, familiares e profissionais a construir uma política pública inclusiva. No espaço em que começou como estagiário e, meses depois, teve a oportunidade de ser contratado, ele encontrou mais que um local de trabalho. Encontrou uma forma de levar autonomia, convivência e felicidade às pessoas com deficiência por meio do esporte.

A história de Igor abre a série especial de aniversário do “Histórias que Inspiram”. Formado em Educação Física em 2022, ele conheceu o Programa Superar ainda durante a graduação. A experiência do estágio despertou o interesse para atuar com pessoas com deficiência e abriu caminho para que ele seguisse como professor. “Fiz meu estágio aqui no Superar, me apaixonei, fiz um bom trabalho e, depois de alguns meses, fui contratado”, lembra.

Atualmente, além das aulas de judô, Igor atua no atendimento de alunos com maior comprometimento, por meio de atividades funcionais adaptadas. O trabalho atende pessoas que, por diferentes condições, não conseguem participar de modalidades como natação, esportes de quadra ou o próprio judô.

Socialização e autonomia

As atividades são planejadas conforme as necessidades de cada participante. Alguns realizam exercícios relacionados a tarefas cotidianas, como subir escadas. Outros trabalham com cargas leves ou movimentos semelhantes aos da musculação, sempre respeitando as condições físicas individuais. Entre os alunos atendidos estão pessoas com dificuldades de equilíbrio, baixa produção de força ou condições que exigem acompanhamento mais próximo, como a possibilidade de crises epilépticas.

Para o professor, os resultados aparecem em conquistas que até podem parecer pequenas para quem observa de fora, mas representam mudanças importantes na vida dos alunos. Um arremesso que finalmente alcança a tabela, uma corrida realizada sem apoio ou uma tarefa concluída com mais independência se transforma em motivo de comemoração para toda a equipe. “Eu fico muito feliz quando um aluno que não conseguia arremessar uma bola na tabela começa a arremessar, ou quando um aluno que tinha dificuldade para correr começa a se movimentar sem apoio. É muito gratificante. Eu comemoro junto com eles a cada vitória", afirma.

Os benefícios, segundo Igor, não se limitam ao desenvolvimento físico. A participação no Superar também contribui para a socialização, a saúde emocional, a responsabilidade e a organização da rotina. “Tem aluno que não socializava com facilidade e, hoje, bate papo, conversa muito bem. Eles chegam aqui, sabem qual esporte vão praticar, conhecem o horário da atividade e sabem a hora de ir embora”, relata.

Muitos alunos dependem dos familiares durante praticamente todo o dia. Por isso, cada avanço na autonomia também representa uma mudança na rotina de quem participa do cuidado diário. “A gente sabe que, em sua maioria, os alunos dependem muito das mães, 24 horas por dia. Fico muito feliz de poder aliviar um pouco essa tensão dos familiares e, ao mesmo tempo, trazer benefícios para os alunos”, conta.

Mais independência

O professor pontuou que, depois de encerrar o dia de trabalho, continua pensando nas atividades que poderá desenvolver no encontro seguinte. Para ele, a satisfação está na possibilidade de contribuir para que os alunos desenvolvam novas habilidades, conquistem mais independência e encontrem, no esporte, um espaço de convivência. “Aqui é um ambiente em que eu chego feliz, porque sei que vou levar um pouco de alegria para os alunos por meio do esporte”, resume.

A reportagem com Igor Oliveira é a primeira da série especial de aniversário do “Histórias que Inspiram”. Ao longo de agosto, novas publicações apresentarão pessoas e trajetórias que ajudam a contar os 32 anos do Programa Superar.