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O primeiro Jardim de Chuva em Venda Nova é projetado pela PBH com a ajuda da comunidade
Divulgação/PBH

Primeiro Jardim de Chuva em Venda Nova é projetado pela PBH com a ajuda da comunidade

criado em - atualizado em

A regional Venda Nova deu um passo importante rumo à resiliência climática nesta quinta-feira (21). Estudantes, pesquisadores e servidores da Prefeitura de Belo Horizonte se reuniram na Escola Municipal Professor Moacyr Andrade (EMPMA) para projetar, de forma coletiva, o primeiro jardim de chuva da sub-bacia do córrego Capão. A Oficina de Co-desenho faz parte do Programa Veredas e marca o início do investimento do programa na região.

Durante a atividade, os participantes fizeram uma Expedição Investigativa - "Leitura do Chão" - caminhando pela área interna e pelo quarteirão da escola para avaliar a viabilidade técnica e social do terreno. O jardim de chuva será executado até o final de junho de 2026, podendo ocupar a área interna ou os arredores da escola.

O projeto executivo e o futuro monitoramento do novo jardim de chuva contam com a parceria estratégica de pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais - Campus Santa Luzia (IFMG Santa Luzia). O caráter inovador da ação atrai também os olhares da comunidade acadêmica estrangeira, mobilizando estudantes internacionais do Programa Delfín, atividade de intercâmbio científico que envolve países da América Latina. O jardim funcionará como um protótipo vivo e um laboratório a céu aberto para monitorar a qualidade da água e os indicadores de biodiversidade local.

A escolha da Escola Municipal Professor Moacyr Andrade como território central do Programa Veredas se deve, em grande parte, ao trabalho em Soluções Baseadas na Natureza (SBN) já desenvolvido na unidade pela Professora Ana Cláudia Dias. A intenção da Prefeitura de Belo Horizonte é integrar esse ecossistema de conhecimento e o protagonismo das juventudes locais ao planejamento urbano da cidade.

A comunidade escolar participará ativamente desenhando o croqui coletivo do jardim de chuva. Estão previstas a integração de elementos como um futuro meliponário, com criação de abelhas nativas sem ferrão, fruto de uma articulação com o projeto Escola Verde da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Secretaria Municipal de Educação; e plantas que respondam tanto a critérios técnicos de drenagem e fitorremediação (limpeza da água), quanto pedagógicos.

Venda Nova 

A implantação do jardim de chuva faz parte de uma ação mais ampla de adaptação climática em Belo Horizonte. A região da sub-bacia do córrego Capão, em Venda Nova, foi escolhida pela Prefeitura como área piloto do Programa Veredas, iniciativa voltada à prevenção de desastres naturais e ao fortalecimento da resiliência climática da cidade.

O programa já garantiu mais de R$ 15 milhões em doação internacional para estudos e projetos e conta com apoio de instituições globais, como a Rede C40 — organização que reúne cerca de 100 grandes cidades do mundo no enfrentamento à crise climática — e a GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit), agência do governo da Alemanha voltada ao desenvolvimento sustentável.

O Veredas é coordenado pela Secretaria de Política Urbana (SMPU) e integra uma estratégia de planejamento urbano que reúne diferentes áreas da Prefeitura, como as secretarias de Meio Ambiente (SMMA) e Zeladoria (SUZURB). O objetivo é enfrentar desafios urbanos como inundações, ilhas de calor e degradação ambiental por meio de soluções baseadas na natureza.

“Atualmente, o projeto está na fase de planejamento, com foco na escuta da população, na construção da governança multinível e multissetorial e no diagnóstico de problemas locais. A expectativa é que as futuras intervenções tragam melhorias concretas na qualidade de vida dos moradores da sub-bacia do córrego do Capão, em Venda Nova. Com o Programa Veredas, Belo Horizonte reforça a posição no cenário internacional como referência em políticas de adaptação climática e planejamento urbano sensível à água”, afirmou Núria Manresa Camargos, gerente de Planos Locais de Urbanização da Secretaria Municipal de Política Urbana.

Jardim de chuva

Os jardins de chuva são soluções baseadas na natureza criadas para captar, armazenar e infiltrar a água das chuvas diretamente no solo. Diferentemente dos jardins convencionais, eles possuem camadas de brita e substratos especiais que aumentam a capacidade de drenagem e retenção da água.

Além de ajudarem a reduzir alagamentos, esses espaços funcionam como filtros naturais, retendo poluentes e melhorando a qualidade da água que retorna ao lençol freático. As espécies vegetais utilizadas são escolhidas especialmente para resistirem tanto aos períodos de seca quanto às chuvas intensas, realidade comum em Belo Horizonte.

Desconto no IPTU

Atualmente, Belo Horizonte conta com 67 jardins de chuva espalhados pela cidade, principalmente na região Norte, como complemento às obras de mitigação de enchentes nos córregos do Nado e do Vilarinho. A expectativa da PBH é instalar pelo menos 40 novos jardins de chuva até o fim de 2026.

Desde 2024, a Prefeitura mantém o programa “Adote um Jardim de Chuva”, que concede desconto de 10% no IPTU, limitado a R$ 2 mil, para moradores ou instituições que assumirem a manutenção dos espaços. Cada jardim pode ser adotado por um imóvel localizado no mesmo trecho do logradouro público. A adesão é feita de forma simples pelo Portal de Serviços da PBH.