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Sede da Prefeitura de BH
Divulgação/PBH

Prefeitura promove encontro entre servidores para falar sobre HIV

21/12/2020 | 16:42 | atualizado em 21/12/2020 | 16:43

Neste mês de mobilização nacional sobre prevenção ao vírus HIV, AIDS e outras infecções sexualmente transmissíveis – o Dezembro Vermelho –  a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio do programa Movimenta PBH, promoveu um debate entre os servidores municipais sobre o tema.

Segundo a gerente de Gestão do Desenvolvimento, Lígia Rache, o assunto ainda é tratado como tabu por muitas pessoas, daí a importância de discussões nesse sentido. “Quanto mais informações tivermos sobre uma doença, maior nosso poder de evitá-la e tratá-la adequadamente. Além disso, é importante termos empatia e saber como acolher uma pessoa que vive com HIV/AIDS”, explicou.

A primeira palestra foi proferida pelo doutor Guenael Freire, médico especialista em Infectologia e Clínica Médica e mestre em Medicina pela UFMG. Guenael falou sobre o panorama atual da infecção por HIV, tratamentos e prevenção da doença.

De acordo com o médico, o Brasil apresenta quatro casos de HIV em cada 1 mil pessoas. “Segundo dados de 2017, o Brasil tem 656.701 casos notificados. Ainda há mais casos da doença entre os homens do que entre as mulheres, mas essa diferença vem diminuindo ao longo dos anos. A faixa etária em que a AIDS é mais incidente, em ambos os sexos, é a de 25 a 49 anos de idade. Às vezes, as pessoas não apresentam sintomas durante anos e só sentem algo  quando a imunidade fica baixa”, explicou.

 

Guenael também pontuou sobre as dificuldades do diagnóstico. Segundo ele, alguns sintomas da doença são parecidos com a dengue, como febre, manchas no corpo, dor de cabeça, fadiga. “Isto só vai ser elucidado com os exames. O teste rápido de HIV é confiável, mas deve-se fazer pelo menos dois exames. O tratamento deve ser iniciado assim que a pessoa apresentar o resultado positivo. Usam-se antirretrovirais, em comprimidos, sem grandes reações adversas. O tratamento como prevenção é eficaz. Se tratarmos de 90% dos infectados com HIV a partir de hoje, em 2030 a AIDS deixará de ser um problema para a saúde pública. É sempre bom lembrar de ações contra a doença, como o uso de preservativos, o  tratamento dos pacientes e parceiros, nunca compartilhar agulhas e seringas e o tratamento da gestante infectada”, enfatizou.

 

“A vida da pessoa que vive com HIV hoje: desconstruindo estigmas, convivendo com o HIV, qualidade de vida e relacionamentos sorodiferentes”. Esse foi o tema da doutora Cíntia Faiçal, referência técnica da Coordenação Municipal de Saúde Sexual e Atenção às IST, AIDS e Hepatites Virais da Secretaria Municipal de Saúde.

 

“O estigma e discriminação são obstáculos para a prevenção, tratamento e cuidado em relação ao HIV. Isso faz com que as pessoas tenham medo de procurar informações, serviços e métodos de prevenção. Mesmo após anos de tratamento, os pacientes ainda sofrem com preconceitos. Segundo pesquisa desenvolvida pela UNAIDS com diversas organizações e instituições no ano de 2019, cerca de 64% dos pacientes entrevistados informaram já terem sofrido alguma forma de discriminação. Nesse estudo, também foi analisado  o estigma internalizado, no qual 81,8% dos entrevistados relatam que é difícil contar às pessoas sobre o seu diagnóstico e 75,5% escondem das outras pessoas o resultado positivo sobre a infecção”, relatou Cíntia.

 

Segundo a médica, a pessoa que vive com HIV deve encarar a situação mesmo com todos os desafios encontrados. “A pessoa pode ter uma vida normal se fizer o tratamento correto. É fundamental o uso dos medicamentos e o acompanhamento médico. Os testes são importantes para o início do tratamento precoce. E o controle, em alguns casos, é mais simples do que o de outras enfermidades, como a diabetes”, disse a médica.

 

Cíntia também explicou sobre a profilaxia pré-exposição (PrEP). “Ela é uma combinação de dois medicamentos em um único comprimido, que impede que o HIV se estabeleça e se espalhe pelo corpo. Está indicada para pessoas que tenham maior chance de entrar em contato com o HIV. Em Belo Horizonte, a PrEP pode ser encontrada no Centro de Treinamento e Referência em Doenças Infecciosas e Parasitárias Orestes Diniz, no Santa Efigênia, e no Hospital Eduardo de Menezes, no bairro Bom Sucesso”, informou.

 

Após iniciar o tratamento, a médica explica que é importante que a pessoa mantenha a qualidade de vida com uma boa alimentação e atividades físicas. Também é fundamental manter uma boa saúde mental, que ajuda a evitar crises de depressão e ansiedade. A questão da sexualidade também deve ser trabalhada, pois a pessoa pode ter uma vida sexual normal, desde que tenha os cuidados necessários, utilizando o preservativo.

 

Nos relacionamentos sorodiferentes, uma pessoa vive com o HIV e a outra não. É muito importante que a pessoa que vive com HIV faça uso correto dos medicamentos antirretrovirais, assim como exames de acompanhamento (que devem ser incentivados pelo parceiro), e realize consultas regulares. Durante quadros infecciosos, a indicação do uso de preservativo nas relações sexuais deve ser reforçada. As pessoas sem o HIV devem se atentar para a possibilidade do uso da PrEP, fazer a testagem regular para o HIV e usar regularmente o preservativo nas relações sexuais.

 

No caso em que o parceiro opte por não utilizar a PrEP, existe ainda a possibilidade de fazer uso de profilaxia pós-exposição (PEP) se houver rompimento de preservativo. Nesses casos ele deve procurar o mais rápido possível um Serviço de Assistência Especializada (SAE), das 7h às 18h, ou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), à noite e nos finais de semana. 

 

A Prefeitura promove várias campanhas de informação sobre HIV e AIDS. Há também testagens e distribuição de medicamentos. O Programa BH de Mãos Dadas Contra a Aids faz um trabalho muito importante de orientação nas escolas públicas, tendo realizado 141 oficinas de sexualidade e diversidade em 2019.