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Atores sob o palco, com pouca iluminação, usando óculos escuros
Foto: Luiza Palhares

Peça no Teatro Francisco Nunes une cinema, música e política

05/08/2019 | 18:59 | atualizado em 06/08/2019 | 11:20

O Teatro Francisco Nunes recebe, de 9 a 11 de agosto, sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 19h, o espetáculo teatral “Eclipse Solar”. Com direção do cineasta mineiro Ricardo Alves Jr. e dramaturgia de Germano Melo, a montagem retrata um grupo de expatriados numa cidade imaginária, a Cidade dos Exilados, que, enquanto esperam um eclipse solar total, se refugiam em seus próprios medos para transformar a dor em potência de vida. Os ingressos podem ser adquiridos por R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia) na bilheteria do teatro e no site do Sympla.

 

O espetáculo propõe uma experiência de teatro marcada pelo cinema e pela música, explorando as potências do audiovisual em gravação e projeção ao vivo no palco. Através de uma narrativa entremeada por canções, imagens e performances, a peça evoca um tempo e um espaço próprios para abordar dúvidas e perplexidades sobre o futuro dos nossos dias, propondo, também, tentar traduzir um sentimento coletivo de desencanto, melancolia e nostalgia. Reflexões sobre política, humanismo, pessimismo e desejo de liberdade compõem “Eclipse Solar”. E o elenco traz na maquiagem, nos cabelos e nos figurinos uma forte influência visual da disco music e do punk rock da década de 1980.

 

O espetáculo estreou como uma montagem de formatura da turma de concluintes 2018 do Curso Profissionalizante de Teatro do Centro de Formação Artístico e Tecnológico (CEFART) da Fundação Clóvis Salgado, em novembro de 2018, ficando em cartaz até o mês seguinte. A nova temporada, em 2019, marca a formação do grupo Quartatela, reunião de atrizes e atores que se encontraram neste curso e atuam em música, dança, cinema, literatura e educação, investigando o teatro em diferentes linguagens.

 

No princípio do projeto, o desejo era criar uma encenação que combinasse elementos teatrais e cinematográficos e que se desenhasse sobre o palco num fluxo contínuo, assim como flui o pensamento, em suas ondulações de consciência, devaneios, lógica e impulsos. Partiu-se do filme “Asas do Desejo”, de Wim Wenders, com o objetivo de mergulhar em sua poética sobre a cidade de Berlim, desencantada e dividida pelo muro. Entretanto, se impôs a urgência de se debruçar sobre o processo histórico do Brasil, com foco em 2018, o ano sobre o qual um certo olhar severo é incontornável. A partir daí, a narrativa apresenta a Cidade dos Exilados, para onde vão expatriados ávidos por preservar a liberdade do pensamento, dos corpos, da imaginação. Eles esperam o eclipse total do sol enquanto divagam sobre a existência e o desejo de ser. 

 

Os atores são também criadores e partes de um discurso que não caminha em único sentido, se abrindo às possibilidades de interpretação. Fazem o retrato de uma juventude que perde a inocência ao constatar a fatalidade trágica. Diante da dureza de nossa época, o conceito de espetáculo teatral como festa se fez necessário. A ideia é também abordar como mesmo diante da maior ou mais cruel adversidade, ainda somos capazes de transfigurar dor ou angústia em inquebrantável potência de vida.

 

 

Eclipse Solar

Direção: Ricardo Alves Jr.

9 a 11 de agosto | sexta e sábado, às 21h |domingo, às 19h

Teatro Francisco Nunes - Avenida Afonso Pena, s/n – Parque Municipal

Ingressos: R$20 (inteira), R$10 (meia) – bilheteria do teatro e no site do Sympla.

Informações para o público: (31) 3277-6325