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Besouro metálico em galho de árvore
Foto: Daniel Alves/PBH

PBH pesquisa ciclo do besouro metálico em busca de solução

25/07/2018 | 15:43 | atualizado em 25/07/2018 | 15:43
Entender melhor como é o ciclo do besouro metálico (Euchroma gigantea), como funciona o ataque às árvores e a melhor forma para combatê-los são os objetivos de uma pesquisa realizada por servidores da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) e Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB). 
 
O inseto, que pode ter até 10 cm de comprimento, tem larvas do mesmo tamanho que se alimentam do tronco e raízes das árvores, principalmente as mungubas e paineiras, fazendo com que as espécies fiquem ocas por dentro. Em 2017, a PBH realizou mais de três mil vistorias em árvores das espécies que são atacadas pelo inseto e suprimiu mais de 500 árvores.
 
Engenheira agrônoma e responsável pela pesquisa, Maria Aparecida Rocha Resende relata que começou a pesquisar os besouros em 2016. “Iniciamos a pesquisa quando começamos a perceber que o inseto estava presente nas árvores de BH. Peguei mais de 70 besouros vivos para estudo de biologia, saber como podemos combater, se é melhor na fase adulta ou na fase larval”, disse.
 
De acordo com a servidora da FPMZB, algumas literaturas afirmam que o ciclo de um besouro metálico (desde o ovo até virar um besouro adulto) duraria em média 300 dias. No entanto, alguns pontos importantes podem ser destacados desde que a pesquisa se iniciou.
 
A pesquisadora conta que o experimento conta com exemplares do inseto em todas as suas fases em ambiente mais natural possível. Ela explica que os besouros adultos são alimentados com galhos das paineiras e mungubas, além das resinas das árvores. “Quando eles põem os ovos, após a eclosão para larvas, nós as colocamos nos troncos de uma árvore cortada para observamos como elas se alimentam e causam o estrago nos troncos. Com isso, estamos conhecendo todo o ciclo e como se manifestam: o ovo, a larva, e o inseto adulto. Estou alimentando e cuidando de larvas aqui com mais de um ano, ou seja, mais de 300 dias como dito na literatura e ela ainda não virou um besouro adulto, esse é um ponto importante do experimento”, contou Maria Aparecida. 
 
Outra questão observada na pesquisa é como os ovos são consistentes. Quando a fêmea coloca ovos, em instantes esses ovos se aglutinam e ficam como uma massa bem consistente. “Em uma das vezes em que coletei uma fêmea, ela imediatamente fez a postura (colocou ovos) dentro do recipiente em que estava sendo levada, e aí percebemos que minutos depois esses ovos, que são parecidos com uma massa fica dura feito cimento. Concluímos que as fêmeas, quando se sentem ameaçadas, colocam os ovos para se protegerem”, disse Aparecida.
 

Feromônios

Recentemente pesquisa dos besouros ganhou uma nova etapa junto com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL). O experimento irá estudar os feromônios dos insetos para entender como eles se comunicam e copulam. Por meio de um experimento se coleta os compostos exalados pelos besouros e coloca aquele composto em contato com os insetos por meio de solventes para verificar qual a reação. "Essa é uma etapa do processo de pesquisa do besouro, outras pesquisas também são necessárias. Queremos estudar um fungo ou bactéria para controlar o besouro, vamos pesquisar homeopatia pra acabar com o besouro, vamos tentar todas as alternativas para termos um resultado consistente”, concluiu Maria Aparecida. 
 

25/07/2018. PBH pesquisa ciclo do besouro metálico em busca de solução. Fotos: Daniel Alves/SMMA