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Caminhão de lixo com com quatro garis em rua íngreme durante o dia.
Foto: Ana Clara Nunes

Limpeza urbana está garantida mesmo em ruas íngremes de BH

24/11/2017 | 16:47 | atualizado em 24/11/2017 | 16:52
Todo mundo concorda que Belo Horizonte possui uma topografia acidentada. Mas nem de longe o relevo é motivo para a coleta de lixo ser afetada. Isso porque engenheiros e técnicos da Superintendência de Limpeza Urbana da capital (SLU) sempre estiveram atentos a esses desafios, realizando estudos e orientando motoristas e coletores sobre as formas mais seguras e eficientes de trabalhar em ruas e avenidas com alta declividade. 

Sérgio Luiz de Souza Pereira, engenheiro mecânico responsável pelo Centro de Operação e Controle (COC) da SLU, explica que todos os fatores são levados em consideração para garantir o bom andamento da coleta. “Ações de planejamento e operação estão interligadas, gerando resultados que nos deixam felizes, pois há mais de dez anos não registramos acidentes com empinamento de caminhões”, comemora.

Os veículos se tornaram mais robustos e com melhor distribuição de carga no interior do compartimento de resíduos. “Além disso, eles ficaram mais pesados, com chassis reforçados e com mais força de tração nas rampas", diz. Porém, Sérgio Pereira alerta que, “embora a evolução da tecnologia tenha trazido benefícios ao condutor, é de extrema importância que ele não exagere na velocidade, pois o conforto desses caminhões atenua o medo, com tendência a excessos de autoconfiança do motorista. Dessa forma, apostamos na sensibilização desses profissionais”, garante. 

O engenheiro adianta que a próxima etapa será a utilização de caminhões com câmbio de transmissão automática de marchas, o que irá melhorar ainda mais o ritmo das partidas, evitando movimentos bruscos de arrancada, principalmente em subidas. 
 
Segundo estudos da Universidade Federal de Minas Gerais e da BHTrans, o nível médio de declividade de ruas e avenidas de Belo Horizonte gira em torno de 12%. O engenheiro do COC destaca que acima de 20% a inclinação já desperta a atenção das equipes da SLU com relação aos riscos de elevação dianteira do caminhão. “Para se ter uma ideia, um dos trechos da avenida do Contorno possui uma declividade de 26% e a rua Abre Campo, no Santo Antônio, chega a quase 50%”, lembra.
 


Planejamento específico

A engenheira civil Daniella Wilken, chefe da Divisão de Projetos de Coleta da SLU, esclarece que a regra número um é priorizar tanto a segurança de quem está operando o veículo e quanto a do pedestre. Por isso, uma região cuja topografia é muito desfavorável exige um roteiro especial de coleta. “Elaboramos um trajeto em que o caminhão comece o recolhimento dos resíduos pelas ruas íngremes e que ele trafegue, de preferência, descendo. Estando mais vazio e, por conseqüência, mais leve, aumentamos a eficiência de frenagem”, observa. 

Daniella Wilken destaca que até o tipo de piso é levado em consideração, pois ruas de calçamento e que possuem gramíneas entre as pedras podem elevar os riscos de os pneus escorregarem. “Ruas sem áreas de escape, com casas e postes, também representam restrições para o tráfego de nossos caminhões", acrescenta. 

Nas vias com grande declive e menos extensas, em que não é recomendável o tráfego de caminhões, o veículo permanece parado em um local apropriado, enquanto os garis se deslocam até as portas das residências e do comércio para recolher os sacos com resíduos sólidos, evitando perigo e desconforto ao cidadão.

Um ponto importante é a perícia do motorista. Geralmente são escolhidos condutores experientes, com mais horas de direção para atuar em vias dessa natureza. “Nas arrancadas e paradas, quanto mais serenos forem os movimentos e mais suave a partida, menores as chances de problema”, ressalta a engenheira Daniella.
 


Conhecimento

Um estudo da SLU realizado em 2006 mediu o comportamento dos resíduos na caixa de carga de caminhões compactadores. O objetivo do trabalho foi descobrir os ângulos máximos de iminência de empinamento de caminhões coletores compactadores, na condição estática, em diferentes situações de carregamento em rampas com inclinações de 0º, 10º, 13º e 16º.

Foram feitas dez marcações na caixa de carga do caminhão, em espaços de 20 cm cada, e realizadas pesagens desse veículo desde a condição "vazio" até a "cheio", nas diferentes inclinações do piso. Assim, foram encontrados o peso bruto total, o peso no eixo dianteiro e a carga útil do caminhão mais o equipamento e a carga. Tudo isso a cada situação de carregamento, nas rampas de inclinações distintas. Cada ensaio foi repetido três vezes, tendo como resultado final a média das três medidas anteriores.

“Assim que as divisões iam sendo preenchidas, o centro de gravidade do caminhão também mudava de lugar”, relata Rosilene Viana de Freitas Souza Saldanha, engenheira civil da SLU, idealizadora do projeto. “O lixo vai se movimentando e, quanto mais cheio o caminhão, mais o centro de gravidade se descola para trás, variando para mais ou menos as chances de o caminhão empinar”, pondera. Vale esclarecer que centro de gravidade é o local em um corpo onde é aplicada a resultante das forças peso, como se toda a massa desse corpo estivesse concentrada nesse ponto. É uma espécie de ponto de equilíbrio de um corpo.

Rosilene Viana reuniu a experimentação em sua dissertação de mestrado. O projeto contou com a orientação do então professor de Estatística da Universidade Fumec, João Mário Andrade Pinto, e do ex-professor de Engenharia Mecânica da UFMG, Carlos Alberto Cimini Júnior, com o apoio do engenheiro do COC, Sérgio Luiz de Souza Pereira. A repercussão foi tão positiva que o trabalho se tornou artigo internacional publicado pela revista científica suíça “Waste Management & Research”.

“Trabalhamos para identificar a inclinação de segurança desses compactadores. Hoje sabemos que, em movimento, meia carga é mais perigosa do que o equipamento completamente cheio”, revela.
 
 

Saiba mais



Conheça algumas vias íngremes da cidade


Regional Pampulha
Rua Inspetor Pimentel, bairro Jardim Alvorada
Rua Flor de Caqui, bairro Jardim Alvorada
Rua José Antônio da Silva, bairro Jardim Alvorada
Rua Flor da Noite, bairro Jardim Montanhês
Rua Antônio Fernandes de Melo, bairro Jardim Alvorada
Rua Flor da Verdade, bairro Jardim Montanhês

Regional Noroeste
Rua Monte Santo (entre rua Padre Eustáquio e Riachuelo), bairro Carlos Prates
Rua Cláudio Antônio, bairro Aparecida 7ª Seção
Rua Vicente Longo, bairro Jardim Montanhês

Regional Norte
Avenida Desembargador Cândido Martins de Oliveira, bairro Lajedo

Regional Nordeste
Rua Olavo Ferreira, bairro Ribeiro de Abreu
Rua Pedro de Moura, bairro Cachoeirinha

Regional Oeste
Rua Alessandra Salum Cadar, bairro Buritis
Rua Brás, bairro Santa Sofia
Rua Treze de Setembro, bairro Alpes

Regional Leste
Rua Geraldina de Almeida, bairro Santa Efigênia
Rua Julindo Batista Lins, bairro Casa Branca
Rua Potomaio, bairro São Geraldo
Rua Professora Glória Baracho, bairro Casa Branca
Rua Paulo Papini, bairro Paraíso
Rua Fluorina, bairro Paraíso
Rua Maria Macaferri, bairro Santa Efigênia
Rua Horizonte, bairro Santa Efigênia
Rua Cintra de Oliveira, bairro Santa Efigênia
Rua Ribeirão das Neves, bairro Santa Efigênia
Rua Israel Volensk, bairro Santa Efigênia
Rua Tebas, bairro Vera Cruz

Regional Barreiro
Rua Aragarças, bairro Bonsucesso

Regional Centro-Sul
Rua Abre Campo, bairro Santo Antônio
Rua Congonhas, bairro Santo Antônio
Rua Pitangueiras, bairro Santo Antônio
Rua Matipó, bairro Santo Antônio

Regional Venda Nova
Rua Geraldo Pedro dos Santos, bairro Jardim Europa
Rua Um, bairro Jardim dos Comerciários
Rua Vinte e Um, bairro Céu Azul
Rua Constituinte, bairro Céu Azul
Rua Arlei Queiroz, bairro Jardim dos Comerciários
Rua Setenta e Sete, bairro Nova York
Rua Fioravante Scalzo, bairro Esplendor
 
 

24/11/2017. Ruas íngremes. Fotos: Divulgação/SLU