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Ceca de dez mudas de Faveiro-de-Wilson em saquinhos, no chão.
Foto: Suziane Fonseca/PBH

IV Reunião do Grupo Assessor do PAN Faveiro-de-Wilson foi realizada no dia 18/4

20/04/2018 | 17:43 | atualizado em 25/10/2018 | 15:13

Na quarta-feira, dia 18 de abril, foi realizada, no auditório da Casa de Educação Ambiental da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB), a IV Reunião do Grupo Assessor do Plano de Ação Nacional para Conservação do Faveiro-de-Wilson – PAN Faveiro-de-Wilson. O objetivo do evento foi discutir o andamento de todas as 33 ações estabelecidas pelo PAN para a proteção desta espécie de árvore cujo nome científico é Dimorphandra wilsonii.

 

A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica é um dos integrantes do grupo de assessoramento técnico do PAN, que foi nomeado em 2015, por meio da portaria nº 101/2015 do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

 

Além da FPMZB, conta ainda com representantes do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF); do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); da Universidade Federal de Viçosa (UFV); da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad); do Centro Nacional de Conservação da Flora(CNCFlora); da Associação de Amigos da Serra do Elefante (AASE); do Instituto Terra Brasilis, do Instituto Prístino e da Associação Ama Pangeia.

 

Classificada como “Criticamente em Perigo” de extinção na Lista Vermelha da Flora ameaçada do Brasil, a espécie é endêmica de Minas Gerais, ou seja, ocorre somente nessa região geográfica. Após 12 anos de busca, foram encontradas pouco mais de 400 árvores adultas na natureza, com a importante ajuda das comunidades, em algumas propriedades nos municípios de Paraopeba, Caetanópolis, Sete Lagoas, Matozinhos, Jaboticatubas, Lagoa Santa, Esmeraldas, Florestal, Juatuba, Mateus Leme, São José da Varginha, Fortuna de Minas, Pequi, Maravilhas, Inhaúmas, Nova Serrana, Onça do Pitangui, Pará de Minas e Perdigão.  

 

A espécie chegou perto da extinção devido à destruição das matas dessas regiões nos últimos 60 anos. A maioria das árvores encontradas estava isolada no meio de pastagens, mas podem ser encontradas também em capoeiras e matas, tanto nas baixadas quanto nas encostas e topos de morro. Por ser uma árvore rara e ameaçada de extinção, o Faveiro-de-Wilson não pode ser cortado e é legalmente protegido pelo Decreto Lei nº 43904/2004.

 

 

Patrocínio

 Segundo Fernando Fernandes, engenheiro florestal do Jardim Botânico da FPMZB e coordenador do PAN, algumas das ações do Plano estão um pouco atrasadas devido, principalmente, à falta de recursos financeiros. Para superar essa dificuldade, propostas de parceria têm sido enviadas para editais públicos e outras fontes de financiamento ou patrocínio. No momento, o PAN tem dois patrocinadores: Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e Fundo de Parcerias para Ecossistemas Críticos (CEPF).

 

“Apesar de todo este esforço, a espécie ainda continua ameaçada de extinção, na categoria mais crítica (criticamente em perigo de extinção), devido ao fato de existirem poucos exemplares na natureza (hoje são 400), em ambientes geralmente impactados, sendo que nenhuma dessas árvores se encontra dentro de unidades de conservação de proteção integral. Soma-se a isto o fato de a espécie apresentar dificuldades de se propagar e de se dispersar na natureza espontaneamente, já que a fauna também está escassa na região e animais como a anta (dispersora das sementes), por exemplo, não existirem mais ali”, afirma Fernando.

 

Por outro lado, o engenheiro florestal salienta que, embora o número de árvores seja pequeno, é muito positivo que elas sejam hoje bem conhecidas (no início eram apenas 12), monitoradas e que os fazendeiros e as comunidades estejam cientes da sua existência, da sua raridade e da importância da sua preservação.

 

 

Ações previstas e realizadas

As ações de preservação previstas no PAN envolvem a conscientização ambiental, a criação de políticas públicas sobre o assunto; a integração entre as instituições envolvidas no Plano de Ação Nacional Faveiro-de-Wilson; pesquisas e preservação da espécie e do seu habitat. E entre as ações mais importantes estão o monitoramento da espécie na natureza, coleta de sementes, produção de mudas e reintrodução da espécie nos municípios onde ela ocorre.

 

E foi exatamente seguindo esse planejamento que, desde a última reunião (que ocorreu em 31/3/2017), foram realizadas visitas técnicas de representantes do PAN às regiões de Pequi, Paraopeba, Sete Lagoas, Juatuba e São José da Varginha.

 

Nessas ocasiões houve coleta de cerca de 100 kg de vagens com sementes; avaliação da reintrodução da espécie (Paraopeba); encontro com fazendeiros, sitiantes e voluntários e, também, evento na Câmara Municipal com entrega de certificados e kits para os colaboradores locais (Pequi); atividades educativas em escolas de Pequi e São José da Varginha, além de plantio de uma muda de Faveiro-de-Wilson na praça central dessas duas localidades.

 

A conscientização ambiental também foi outra frente de trabalho. Os técnicos visitaram uma comunidade quilombola de Pontinha (em Paraopeba) para apresentar o PAN para os moradores e comerciantes da região. Isso porque a extração do minhocuçu é uma das atividades que pode provocar a degradação das áreas de ocorrência do Faveiro.

 

Na ocasião foi organizada uma “Oficina de Plantar” destinada às crianças da comunidade quilombola que puderam semear sementes de Faveiro-de-Wilson e aprender desde cedo a cuidar da espécie. Os técnicos também deram início à reintrodução da espécie em uma extensa área da Área de Proteção Especial (APE), Serra Azul-Copasa (com mutirão dos participantes e apoio da estatal mineira).

 

Outro fato importante foi a descoberta de novos 20 exemplares em uma área de pasto e de uma árvore de grande porte (de 1,50m de diâmetro) no município Pequi, além de outras seis árvores em Jequitibá, município onde ela ainda não tinha sido encontrada, ou seja, fora da área de ocorrência conhecida até então, um pouco próximo da Serra do Espinhaço. Esse último achado resultou na aproximação dos representantes do PAN com o “Instituto Espinhaço” que, dentre outras coisas, é responsável por um grande projeto de plantio de árvores nativas na região do Espinhaço.

 

A reunião do PAN possibilitou uma discussão detalhada sobre o andamento de todas as ações propostas. Tendo em vista o caráter dinâmico do documento, foram ainda realizados ajustes de metas, prazos e atores envolvidos (pessoas e instituições), a fim de garantir o cumprimento das ações para conservação do Faveiro-de-Wilson. Durante o evento, os participantes compartilharam informes sobre o andamento do Plano, relataram as experiências positivas vivenciadas até agora, as dificuldades encontradas na execução das ações, e planejaram novas estratégias para garantir o sucesso do Plano de Ação Nacional.

 

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