Pular para o conteúdo principal

Hospital Célio de Castro realiza primeira captação de córneas 100% autônoma
Rafael Assis / Fhemig / Divulgação

Hospital Célio de Castro realiza primeira captação de córneas 100% autônoma

criado em - atualizado em

O Hospital Metropolitano Doutor Célio de Castro deu um importante passo na assistência pública de saúde ao realizar a primeira captação de córneas 100% autônoma em um doador que foi a óbito por parada cardíaca. Um avanço que acelera a realização de transplantes e amplia a chance de milhares de pessoas voltarem a enxergar.

A conquista representa mais agilidade no processo de doação e reforça a capacidade da rede municipal de contribuir para a redução da fila de espera por transplantes, devolvendo qualidade de vida, independência e esperança para pessoas que aguardam há anos pela oportunidade de voltar a enxergar.

Até então, as captações eram realizadas pela equipe do Banco de Tecidos Oculares do Hospital João XXIII e restritas a doadores com diagnóstico de morte encefálica. Agora, com equipe própria habilitada para o procedimento em casos de morte por parada cardíaca, o Hospital Célio de Castro amplia sua atuação e fortalece a rede de cuidado e solidariedade.

A autonomia para realizar a captação de córneas em casos de parada cardíaca permitirá acelerar os processos e ampliar o número de pessoas beneficiadas. Atualmente, três enfermeiros do Hospital Célio de Castro estão capacitados para realizar a enucleação, procedimento cirúrgico que consiste na retirada do globo ocular do doador.

Todo o processo é conduzido com extremo cuidado, respeito e sensibilidade. Após a retirada, uma prótese de reconstrução é utilizada para preservar a aparência da pessoa doadora, garantindo dignidade e acolhimento às famílias.

Com a organização do Serviço de Enucleação, o Hospital Célio de Castro já havia contribuído, em 2026, para a captação de 22 córneas por meio do Banco de Tecidos Oculares do Hospital João XXIII, sendo 20 em casos de parada cardíaca e duas em situações de morte encefálica.

Com a primeira captação totalmente autônoma realizada em 1º de junho, esse número já chegou a 24 córneas captadas.

Acolhimento e respeito às famílias

O primeiro “sim” de uma família nessa nova etapa simboliza muito mais do que uma doação. Representa a possibilidade concreta de transformar vidas.

Antes da pandemia da Covid-19, a espera por um transplante de córnea variava entre um e três meses. Com a suspensão das captações durante a emergência sanitária, a fila cresceu significativamente e, atualmente, o tempo de espera ultrapassa três anos.

A doação de órgãos é um ato de solidariedade que exige sensibilidade e cuidado. O trabalho é conduzido pela equipe multiprofissional da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIDOHTT), que oferece escuta qualificada, acolhimento e suporte às famílias em um momento de profundo luto.

Cabe ao hospital apresentar a possibilidade da doação, sempre respeitando o direito da família de decidir livremente. Não há qualquer tipo de julgamento sobre a escolha feita.