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8 jovens alunos da Rede Municipal vestindo jaleco com logo do projeto de iniciação científica
Foto: Andréa Moreira/PBH

Estudantes de escolas da Pampulha participam de projeto de iniciação científica

14/08/2018 | 17:03 | atualizado em 14/08/2018 | 17:03
Paulo Henrique Pereira Ramos, 14 anos, estudante da Escola Municipal Francisca Alves (EMFAL), é um dos 48 estudantes de escolas municipais da Pampulha que participaram, pela primeira vez, do “Projeto UFMG & Escolas – Educando para a Ciência”. O projeto tem foco na educação para a Ciência, com ênfase nos aspectos formativos. É realizado duas vezes ao ano, nos meses de janeiro e julho, período de férias escolares, nos laboratórios de Bioquímica e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB/UFMG).
 
Para esta edição, o tema tratado foi “Quem é o mosquito da dengue?”. Com a formulação de perguntas, os estudantes fazem experimentos dentro dos laboratórios para encontrar as respostas. A turma do Paulo Henrique queria criar uma substância repelente ou atrativa para o mosquito da dengue. “Pensamos na pimenta, citronela ou canela. Fomos para o laboratório fazer os experimentos e descobrir qual seria o melhor,” contou.
 

Incentivo à iniciação científica

A EMFAL tem trabalhado em seu projeto político pedagógico um Programa de Iniciação Científica cujo objetivo maior é incentivar estudantes de escola pública a se tornarem universitários. O programa contempla projetos como a GINCAMAT, a Mostra de Iniciação Científica, Robótica, Cursinho Pré CEFET, COLTEC e Sesi/Senai, entre outros.
 
Vice-diretora da EMFAL, Rosane Pires Viana explicou que a gestão tem se empenhado em oferecer toda a estrutura para o desenvolvimento desses projetos. “Estamos investindo alto financeira e pedagogicamente porque acreditamos imensamente no potencial dos estudantes de nossa escola e às vezes, um empurrãozinho é somente o que falta para que alcem grandes voos”, disse.
 
Estudante da E.M. Aurélio Pires, Ryan Chrystian Venâncio Franco, 13 anos, achou muito interessante participar do projeto porque mudou sua forma de enxergar os laboratórios de ciências. “Quando eu era criança, via os laboratórios de maneira superficial, pois nos desenhos animados parecia apenas um local cheio de frascos. Mas na realidade é bem diferente. O que mais me chamou a atenção é o modo como o trabalho é desenvolvido. A disciplina que mais gosto é a matemática e pude aplicá-la no cálculo da quantidade dos elementos utilizados nos experimentos. Esta experiência vai contribuir muito para o meu conhecimento.”
 
Para as estudantes da EMFAL, Maria Luiza Silva Santos, 13 anos, e Maria Eduarda Andrade Lopes, 12 anos, a experiência foi muito significativa. “Pra mim, foi inesquecível. É algo que vou levar para minha vida. O que mais me chamou a atenção foi acompanhar o ciclo do mosquito. Pretendo escolher entre dois cursos: medicina veterinária ou bioquímica”, disse Maria Luiza. Embora goste muito de Ciências Biológicas, a estudante Maria Eduarda relata que foi uma oportunidade para outros aprendizados. “Achei muito interessante porque aprendi como os cientistas trabalham. Não conhecia os termos utilizados em um laboratório e descobri também como funcionam alguns aparelhos. Pode-se acompanhar de perto o desenvolvimento dos insetos.”
 
Coordenadora do projeto na EMFAL, a professora Jacqueline Ribeiro Piumbini achou fantástica a experiência. “Os estudantes estão aprendendo coisas para a vida deles, não só referente ao conhecimento, mas também a se posicionarem diante de um problema e a questionarem.”
 

Projeto “UFMG & Escolas – Educando para a Ciência”

O projeto "UFMG & Escolas - Educando para a Ciência" existe desde 2003 e está voltado para o estabelecimento de um novo espaço de intercâmbio entre pesquisadores do ICB/ UFMG, estudantes e professores atuantes em instituições de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, do Estado de Minas Gerais. Busca-se o desenvolvimento do pensamento científico, crítico e criativo em estudantes e professores e a identificação de jovens talentos para a Ciência.
 
A essência do curso é a formulação de perguntas que possam ser respondidas de modo experimental nos laboratórios, onde acontece a maior parte do curso. Por que nos alimentamos? Por que respiramos? O mundo é dos micróbios? O que há de Ciência na cozinha? Foram alguns dos temas abordados em cursos anteriores.
 
“Em especial, interessa-nos proporcionar oportunidades para que jovens estudantes e professores de escolas possam desenvolver suas potencialidades e assim atuar na sociedade e no mercado de trabalho com mais competência e dignidade, colaborando para suas realizações profissionais”, explicou a coordenadora de Pós-Graduação do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG, professora doutora Leda Quercia Vieira.
 
Para a coordenadora, o projeto tem mostrado resultados importantes. “No início, o principal resultado era que aqueles que não achavam que podiam entrar na Universidade, de repente viam que é possível.” A coordenadora explicou que o principal objetivo do projeto é o de estabelecer, no ICB/UFMG, novos espaços de formação para estudantes e professores do ensino básico. “Este processo de formação estará fundamentado na vivência do dia a dia da Ciência, no intuito de criar ambientes propícios para que jovens talentos sejam descobertos e tenham oportunidades de crescimento profissional e social”, disse.
 
Ao todo, 14 monitores, estudantes da graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado acompanham as atividades dos estudantes nos experimentos laboratoriais. O planejamento do experimento, a criação dos controles e as metodologias aplicadas partem diretamente dos estudantes, o que contribui para o desenvolvimento de cada aluno durante o curso.
 
Doutorando em Imunologia e monitor de laboratório, Caio Cotta Natale ressalta que o projeto contribui para a formação de cidadãos mais ativos. “Os estudantes estão acostumados com a estrutura canônica da escola, o professor fala e eles escutam. No projeto UFMG & Escolas, esperamos ensinar a formação do pensamento científico de outra maneira. Desmistificamos a ciência e a universidade, e, talvez, concretizamos para muitos deles a possibilidade da entrada em uma universidade pública no futuro.”
 
Uma das propostas pedagógicas da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Educação, para estudantes do 3º ciclo é o projeto Conexões do Conhecimento cujo objetivo é estimular estudantes a desenvolverem uma postura científica diante do conhecimento. Os eixos estruturantes da proposta pedagógica do 3° Ciclo são a apropriação do conhecimento, o desenvolvimento de múltiplas linguagens e o protagonismo juvenil.
 

14/08/2018. Estudantes de escolas municipais da Pampulha participam de projeto de iniciação científica. Fotos: Andréa Moreira/PBH