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A imagem mostra a fachada da E. M. Edgard da Mata Machado, além de um carro escuro, árvores e casas. O muro da escola é azul e contém a sigla. Na imagem há também uma placa alusiva ao nome da escola.
Cláudio Lacerda

Escolas municipais avançam no Ideb com recomposição das aprendizagens e parceria com as famílias

criado em - atualizado em

O crescimento da Rede Municipal de Educação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) reflete o trabalho diário dentro das salas de aula. Centenas de escolas da registraram avanços no Ideb, levando Belo Horizonte a figurar entre as dez melhores capitais no ranking de qualidade do ensino fundamental. Na Escola Municipal Professor Edgar da Matta Machado (região Nordeste), por exemplo, o resultado positivo veio com a recomposição de aprendizagens no contraturno, a oficina de metodologia ativas na Escola Integrada e simulados bimestrais para todos os alunos.

 

A instituição de ensino foi a que mais cresceu no Ideb entre 2023 e 2025: saltou da nota 3,8 para 5,78 nos anos iniciais, e de 4,10 para 5,25 nos anos finais. “Quando assumimos a gestão, no ano passado, a escola tinha sido o último lugar em 2023, na rede. Mas em momento algum isso foi empecilho para nós. Sabíamos que o resultado não retratava a potencialidade da escola. Precisávamos de ajustes”, destaca a diretora da Professor Edgar da Matta Machado, Richelli Santos.

 

Ela explica que o esforço foi conjunto, com envolvimento de todos: família, professores, equipe, gestão. “A gente não espera o caldo entornar. Sempre que necessário, convidamos os responsáveis para conversar sobre o aluno, para eles estarem cientes e ajudarem no acompanhamento”.

 

Na Escola Municipal Professor Lourenço de Oliveira (região Leste), o fortalecimento da relação com a comunidade fez diferença. O indicador dos anos finais do ensino fundamental subiu de 5,5, em 2023, para 6,2, em 2025, chegando ao segundo lugar na rede, empatado com a Escola Municipal Lidia Angelica. Os anos iniciais foram medidos pela primeira vez em 2025, quando a escola passou a ofertar o ciclo completo, a nota foi 6,6. “Intensificamos e ampliamos os eventos abertos à comunidade, as formas de comunicação com as famílias e as reuniões de pais, tanto individuais quanto de turmas”, ressalta o diretor Douglas Guimarães.

 

Outros fatores que contribuíram para o resultado, segundo ele, foram o grande número de profissionais engajados e a intensificação do acompanhamento pedagógico na escola, com mapeamento dos casos de estudantes com mais dificuldades e iniciativas relacionadas à infrequência e a recomposição de aprendizagens. “As pequenas, médias e grandes decisões foram focadas na aprendizagem do aluno”.

 

Na Escola Municipal Sebastião Guilherme de Oliveira, no Barreiro, o Ideb dos anos iniciais passou de 5,4 para 7,0 e o dos anos finais de 4,6 para 5,4, terceira maior alta no ciclo. O diretor Ricardo Lima cita como fatores importantes os projetos de reforço para corrigir distorção idade-série e reprovação, bem como atividades que atraiam o interesse dos estudantes, como concursos literários, brincadeiras tipo “soletrando”. Outro destaque foi a moeda criada pela escola para trabalhar educação financeira e matemática.

 

O diretor menciona, ainda, o vínculo de confiança com a comunidade escolar. “Nós da gestão fazemos questão de estar na entrada ou saída, no portão, conversando com os pais. Esse vínculo faz com que pais conheçam e acreditem em nosso trabalho, e isso diminui a infrequência escolar”. 

 

Anos iniciais

 

A Escola Municipal Presidente João Pessoa (Centro-Sul) ficou em primeiro lugar dos anos iniciais da rede, empatada com a Escola Municipal Professora Maria Modesta Cravo, e em segundo lugar entre as que mais subiram. A nota passou de 5,8 para 7,60. A diretora Line Lessa elenca uma série de iniciativas que explicam o salto para a primeira posição, mostrando que os esforços precisam acontecer em várias frentes.

 

Algumas ações mencionadas por ela são a recomposição das aprendizagens, a formação continuada dos docentes nas reuniões pedagógicas com temas relevantes, projetos interdisciplinares e projetos voltados à alfabetização, incentivo à leitura, letramento matemático e alimentação saudável, participação em olimpíadas de matemática, respeito ao tempo de aprendizagem e às diversidades, e promoção da inclusão escolar. 

 

Assim como os demais gestores, Line ressalta o trabalho dos professores como imprescindível para o avanço. "Esse excelente resultado foi pelo trabalho coletivo e compromisso. Ele reflete o esforço diário dos estudantes, a parceria das famílias e a dedicação incansável dos funcionários e professores. Essa conquista não é só da escola; é de toda a comunidade escolar”.

 

Resultados

 

Os dados do Ministério da Educação (MEC) mostram que, em relação aos anos iniciais, a Rede Municipal de Educação alcançou a nota de 6,2. O dado é o melhor desde 2017. Nos anos finais, os alunos das escolas municipais de BH alcançaram a nota de 5,2. Na medição anterior a nota tinha sido de 4,7.