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Um homem segurando peça de artesanato e outros quatro sentados produzindo durante oficina
Foto: Lidiane Sant' Ana/PBH

Cersam oferece novas chances a usuários de álcool e outras drogas

28/09/2018 | 14:52 | atualizado em 28/09/2018 | 14:53

“Já são cinco anos de histórias. Muitas ainda hão de passar por aqui e ter finais felizes”, afirma Kelly Nilo, gerente do Centro de Referência em Saúde Mental Álcool e Drogas – Cersam AD Barreiro (rua Barão de Monte Alto, 11, bairro Cardoso). Inaugurada em 2013, a unidade é referência para o tratamento de uso e abuso de álcool e drogas para moradores das regionais Barreiro e Oeste.

 

São comuns histórias de pessoas que chegam ao Cersam com dores e sofrimento mental, ocasionados pelo uso contínuo de álcool e outras drogas, desestabilizadas na família e profissionalmente. Com o acompanhamento oferecido no Cersam, muitas têm sua história mudada.

 

No conjunto de políticas e práticas que têm como objetivo minimizar os danos associados ao uso e abuso de álcool e drogas, há a figura do redutor de danos – um ex-usuário que mostra que é possível largar as drogas e para provar, usa a própria trajetória de vida.

 

Desde a inauguração da unidade do Barreiro, Angelo de Azeredo Coutinho atua como redutor de danos, ao lado a lado de profissionais da psiquiatria, psicologia e assistência social. “Eu fui atendido no Cersam AD Pampulha durante um ano e meio. Lá eu encontrei a confiança, o amor e a amizade que me ajudaram a largar as drogas”, conta.

 

Ele, que já foi paciente, trabalha há cinco anos oferecendo acolhida para quem ainda luta contra o vício. “Não são os fatores externos que determinam suas escolhas. O mundo não é o responsável pelos seus erros e acertos. O fim de um relacionamento, a perda do emprego, ou o seu ótimo trabalho e seu sucesso. Quem escolhe é você, sempre”, ensina.

 

Segundo a gerente, liberdade e responsabilidade são pontos-chave do tratamento. “Aprendi que minhas escolhas é que determinavam a minha vida e minha conduta e, por mim resolvi mudar,” conta Angelo. Apesar de destacar que é uma escolha, ele admite que não é fácil. “Sair das drogas requer persistência”, conclui.

 

Centro de Saúde Mental – Álcool e outras Drogas

O Cersam AD tem mais de 3.600 inscritos e recebe novos usuários continuamente. A média de novos atendimentos chega a 700 por mês e o absenteísmo é muito baixo. O objetivo é promover a estabilização do quadro clínico, a reconstrução da vida pessoal, o suporte necessário aos familiares, o convívio e a reinserção social.

 

Além do atendimento médico e apoio emocional, os usuários do serviço aprendem sobre seus direitos e deveres. As atividades coletivas favorecem que os usuários expressem através da arte suas angústias e anseios, resultando em maior eficácia ao tratamento.

 

São realizadas oficinas de relaxamento, alongamento, música, artesanato, culinária, letras e expressão, gestão autônoma da medicação, roda de terapia comunitária e promovidos grupos de caminhada, antitabagismo, sexualidade e autocuidado. Os pacientes participam também de passeios, bingo e palestras.

 

Atendimento de saúde mental na cidade

A rede de atendimento em saúde mental do SUS BH conta com oito Cersams que funcionam 24 horas, todos os dias da semana e atendem usuários em crise sem a necessidade de agendamento ou marcação prévia. As unidades funcionam nas regionais Barreiro, Oeste, Pampulha, Norte, Noroeste, Nordeste, Venda Nova e Leste. A rede conta também com duas unidades para atendimento Infantil: os Cersamis Nordeste e Noroeste.

 

Há três unidades que oferecem tratamento especificamente para a redução de danos ocasionados pelo uso de álcool e outras drogas: Cersam AD Barreiro (rua Barão de Monte Alto, 11, bairro Cardoso); Cersam AD Pampulha (rua Ligúria, 70, bairro Bandeirantes) e Cersam AD Nordeste (rua Joaquim Gouvêa, 600, bairro São Paulo) e Cersam AD Centro-Sul (alameda Ezequiel Dias, 365, bairro Santa Efigênia).

 

A rede do serviço de saúde mental da cidade também conta com nove Centros de Convivência onde são oferecidas oficinas de música e atividades culturais e de lazer. São mantidas ainda 33 casas de Serviços Residenciais Terapêuticos. Elas são destinadas a abrigar e promover a inserção social de portadores de transtorno mentais egressos de internações psiquiátricas de longa permanência, que não possuam suporte social e laços familiares.

 

28/09/2018. Escolha livre e informada e apoio emocional no combate às drogas. Fotos: Lidiane Sant'Ana/PBH