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Duas mulheres sorriem com adereços de carnaval.
Foto: Maíra Cabral

Bloco Caricato Aflitos do Anchieta estreia na avenida

09/02/2018 | 15:23 | atualizado em 14/02/2018 | 18:16
Tem amores que não se explicam. E este é o sentimento que a secretária Sônia Maria Pereira sente pelo Carnaval de Belo Horizonte. Aos 61 anos, teve 18 deles dedicados à presidência do Bloco Caricato Aflitos do Anchieta. Agora, juntamente com o sobrinho, Marco Antônio Pereira, entre outros amigos, fundou o Bloco Caricato Real Grandeza. A agremiação vai desfilar pela primeira vez na avenida Afonso Pena, na segunda-feira, 12 de fevereiro.

Os participantes estão caprichando no figurino, na bateria e na evolução. Com aproximadamente 60 integrantes, o único carro alegórico será o próprio trio elétrico. “Com criatividade de todos enfeitamos o caminhão e está ficando muito lindo. Tudo muito simples, mas feito com muito amor”, enfatiza Sônia.

A empolgação da carnavalesca está no sangue: os pais eram apaixonados pela festa momesca e não mediam esforços em levar a filha, ainda pequena, para a folia. Quando cresceu, Sônia nunca perdeu a festa na capital e não pensou duas vezes em carregar o sobrinho, Marco Antônio, para o samba. O amor pelo Carnaval foi contagioso e Marco Antônio foi o escolhido para presidir o novo bloco.

O Real Grandeza tem como berço o bairro Anchieta. Seus integrantes são oriundos do antigo bloco Aflitos do Anchieta, e seu nome se deve por ser este o antigo nome do bairro. Uma coroa e uma águia, aliadas às cores azul, vermelho, branco e dourado, formam a identidade visual do bloco.
 
O enredo da estreia é ‘Na brincadeira e na alegria somos todos palhaços’. Apesar da crítica em cima da situação em que o país vive, a ideia é contrastar com a magia do circo, trazendo de volta a leveza dos antigos carnavais. “Os palhaços são semeadores da alegria. Eles colorem a vida e alimentam fantasias. Não são simples personagens e sim atores em contato direto com alegria. E Carnaval é só alegria”, finaliza Sônia.



A origem dos blocos caricatos

Os blocos caricatos são a maior tradição do Carnaval de Belo Horizonte. Surgiram até mesmo antes das escolas de samba e até hoje desfilam na avenida. No início, operários que trabalhavam na fundação da capital pintavam os rostos e desfilavam batendo latas e tambores em cima das carroças. Eles acabaram criando o que muitos anos depois passaram a ser conhecidos como blocos caricatos. A manifestação popular foi resgatada em 1994. Na época, os "caminhões" eram enfeitados e desfilavam apenas em suas comunidades, mas com o tempo ganharam mais espaço na cidade, e hoje competem na avenida pelo titulo de melhor da cidade.
 



Carnaval de Belo Horizonte

Nos últimos anos o Carnaval de Belo Horizonte se consolidou como um dos maiores do Brasil. De acordo com as estimativas divulgadas pelo Ministério do Turismo, a cidade é um dos destinos mais procurados, ao lado de Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife e Olinda. Juntas, elas devem ser responsáveis por 65% de toda a movimentação financeira no país durante o período de folia.

O Carnaval de Belo Horizonte, que acontece oficialmente do dia 27 de janeiro a 18 de fevereiro, se tornou um dos mais surpreendentes do país. Para este ano, a expectativa é de 3,6 milhões de foliões, 20% a mais que em 2017. Serão cerca de 480 blocos de rua com 550 desfiles. São nove palcos oficiais distribuídos entre as regionais, descentralizando ainda mais a programação na cidade. 

Uma das novidades para 2018 é o aumento no valor da subvenção destinada aos grupos. As escolas de samba do Grupo A recebem R$ 75 mil; as do Grupo B, R$ 37,5 mil; e os blocos caricatos, R$ 37,5 mil. Os valores representam um aumento de 50% em relação ao investimento realizado em 2017.

A estrutura na avenida Afonso Pena também receberá vários incrementos, como a pintura do asfalto na cor branca, que valoriza as fantasias e adereços, a instalação de um cronômetro visível na avenida, melhorias na estrutura de som e na iluminação do espaço e arquibancadas com mais conforto. A proposta é investir em todas as frentes para que a experiência final seja a melhor possível para quem desfila e para o público, gerando um legado para os anos seguintes.

O regulamento de 2018 também inova ao prever, desde já, a vigência a partir de 2019 de uma dinâmica de acesso e rebaixamento das escolas entre Grupo A e Grupo B, estimulando uma competição saudável que resulte na qualificação dos desfiles a cada ano. Outro aspecto importante, também previsto no regulamento, é a abertura de espaço para o surgimento de novas escolas de samba e blocos caricatos, um ingrediente com potencial para trazer inovação e renovação para o Carnaval.
 
 

09/02/2018. Bloco caricato Real Grandeza. Fotos: Maira Cabral/Belotur