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Quadro colorido com desenhos de crianças de vários tamanhos e cores.
Foto: Erick Moraes/PBH

BH em Pauta: UMEI em Venda Nova expõe quadros de crianças

19/09/2017 | 15:54 | atualizado em 20/09/2017 | 20:19

Já imaginou assistir a uma exposição de telas pintadas por crianças de três anos de idade? Telas estas, diga-se de passagem, com valores artísticos que encantam o espectador, com recursos de alto relevo, colagens, cores fortes e vibrantes, entre outros recursos. Os quadros fazem parte da exposição “Diversiarte: o Olhar Infantil sobre a Cultura”, composta por 16 telas produzidas pelas crianças da Unidade Municipal de Educação Infantil (UMEI) Serra Verde, com acompanhamento dos professores, em projetos desenvolvidos pela escola nos anos de 2015, 2016 e 2017.

Desde 11 de setembro, a mostra que valoriza a diversidade cultural e social pelo olhar de crianças está exposta nas escadas e no hall do gabinete da Coordenadoria de Administração Regional (CARE) Venda Nova. Antes da abertura, 11 crianças esperavam ansiosamente pelo público para a apresentação musical que daria abertura a exposição e para mostrarem os quadros que ajudaram a produzir. Essa turma era composta de crianças de 5 e 6 anos, do 1º turno da UMEI, das professoras Nilda e Cristiany Araújo. Com um peça de TNT azul que uniu todo o grupo, inclusive as educadoras Jussara Soares e Arnólia da Silva Souza, de apoio à inclusão, as crianças cantaram a música “Meu Pano Encantado”, de Lu Chamusca.

Arnólia carregava Laryssa Vitoria, de 5 anos, portadora da Osteogênese Imperfeita, mais conhecida como síndrome de ossos de vidros, para que ela participasse da apresentação. A menina está na escola desde o ano passado e é muito entrosada com a turma. “Apesar da limitação física, ela tem o cognitivo preservado e foi uma das crianças que ajudaram na produção dos quadros. Depois que veio para a UMEI, Laryssa passou a experimentar outras sensações e é muito integrada à turma, todos gostam muito dela. A síndrome que ela tem provoca fraturas facilmente, um espirro pode provocar a quebra de algum osso. Mesmo assim, fazemos questão de incluí-la. Durante a semana da criança, por exemplo, ela brinca na cama elástica, deitada, para sentir o movimento, a sensação. Lala veio para agregar, ela é uma princesa especial”, afirma, emocionada, a vice-diretora Daniella Dias Chagas.

Laryssa está na turma da professora Simone Moreira. Ela e outros 23 colegas produziram uma tela que faz uma leitura sobre a constituição das culturas no mundo. O quadro retrata uma mulher negra, de perfil, com cabelos enrolados em alto relevo. Simone conta que as crianças fizeram questão de destacar a exuberância das cores africanas. “Depois de uma volta pelas histórias, músicas, fauna e flora, decidimos na roda de conversa retratar as mulheres e crianças. O que ficou mais forte foi a fala delas de não esquecer a exuberância das cores: tudo muito colorido, foi o que ficou mais marcado das mulheres africanas. A pintura foi coletiva e, depois de seca, foi finalizada com a colagem dos enrolados coloridos do cabelo feitos em Eva”, explica Simone.



Metodologia

Cada turma da UMEI Serra Verde recebeu uma tela em branco para trabalhar com os pequenos o tema diversidade. Poderiam produzir telas a partir de cada um dos projetos executados pela escola, como “Lendo com a Família”, “Tudo bem ser diferente”, “Biodiversiarte”, entre outros. Como resultado final, muitos quadros ficaram focados na riqueza e diversidade cultural africana, com pinturas de mulheres africanas, danças típicas, paisagens e animais daquele continente. Outras produziram telas a partir de livros infantis estudados pelas crianças, como Bonequinha Preta, de Alaíde Lisboa de Oliveira, e Chico Fubá, de Gustavo Gaivota. Outras professoras resolveram inovar e produziram, por exemplo, uma releitura do quadro Operários, de Tarsila do Amaral.

A coordenadora pedagógica Siomara Ângela Costa era professora de uma das turmas da UMEI até o ano passado e conta que o projeto Diversiarte iniciou-se com uma demanda da escola e das crianças sobre o diálogo entre as culturas e a diversidade: “Pensamos e propusemos experiências educativas dentro do eixo cultura-sociedade-natureza e em uma perspectiva do reconhecimento e valorização da diversidade, começando pelas próprias crianças, que são protagonistas de nosso trabalho.”

Foi adotada a história “Tudo bem ser diferente”, de Todd Parr, para o início dos trabalhos. O livro aborda de forma simples e educativa questões como a vida da criança em família, o papel social de cada familiar, o medo de se destacar na vida, o relacionamento entre as culturas. “É uma história que povoa o imaginário e as dúvidas das crianças. Após a contação da história, as professoras e a turma discutiram como seria o desenvolvimento do projeto. Em todas as atividades o foco foi a diversidade e como se perceber dentro dela”, relata Simone. As crianças gostaram de participar da construção dos quadros e as avaliações foram positivas, como conta a pequena Júlia Gabrielle: “Eu me sinto feliz por participar da exposição. Fiz algumas pinturas com meus amigos.”

“Desenvolver este projeto proporcionou momentos de aprendizado e reflexão. As crianças revelaram talentos, apresentando um trabalho criativo e desenvolvendo as habilidades em equipe. Acredito ter sido válido tanto para o processo ensino-aprendizagem de nossos alunos quanto para nossa prática pedagógica enquanto docentes da educação infantil. Além disso, provamos que as crianças são capazes de realizar feitos quando colocam em prática a criatividade”, avalia Syomara.



Pausa para o encantamento

O público que freqüenta a Regional Venda Nova, principalmente os funcionários que trabalham no prédio, ficam encantados avaliando os quadros. Muitos gostariam de levar um deles para casa. A assistente administrativa Luciane Magalhães assistiu a apresentação e ficou encantada com a exposição: “Apreciar obras artísticas já é muito gratificante e obras feitas por crianças é emocionante. Foi assim que me senti ao contemplar cada quadro, quando vi a beleza e a inocência retratadas em cada um. A apresentação artística é uma complementação e também uma comprovação do belo do trabalho desenvolvido com os alunos pela UMEI Serra Verde.”

A exposição fica na sede da Coordenadoria de Atendimento Regional Venda Nova (Rua Érico Veríssimo, 1428, bairro Rio Branco) até o dia 25 de setembro e depois volta para a UMEI Serra Verde, onde seguirá em exposição permanente.

 

19/09/2017. Umei Serra Verde - Diversiarte. Divulgação/PBH