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Sob um horizonte claro, o verde do Parque Municipal Américo Renneé Giannetti divide espaço com o cinza dos arranha-céus e ruas de Belo Horizonte
Foto: Divulgação/PBH

BH em Pauta: Softwares monitoram qualidade do ar de BH

09/08/2017 | 15:17 | atualizado em 10/08/2017 | 16:12
Simular o nível de poluentes na atmosfera e contribuir para melhoria da qualidade do ar de Belo Horizonte. Isso é o que um conjunto de softwares em uso pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) vai fazer nos próximos anos. Modelos pioneiros de dispersão dimensionais e tridimensionais estão em fase de testes para serem colocados em prática.

“O uso desses softwares permite o estudo de como será o comportamento da fumaça de chaminés de fábricas, lavanderias, cozinhas industriais, restaurantes, hotéis ou motéis em um bairro antes mesmo de elas serem instaladas”, afirma Wanderson Marinho, gerente de licenciamento de atividades industriais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA).

De acordo com Marinho, é possível simular situações críticas alterando fatores que determinam a dispersão, como a concentração de poluentes na fonte, regimes de velocidade do vento ou temperatura na região: “Além disso, estudar em quais situações aquela fonte poluidora poderá trazer riscos sérios a uma determinada área. Simulamos em quais regiões da cidade a fumaça de uma fonte fixa terá melhor dispersão. Isto diminui as chances de deixar a qualidade do ar fora dos padrões naquela área.”

Outra potencialidade da tecnologia é a simulação na dispersão de poluentes gerados por fontes móveis como carros, caminhões e ônibus. Isso vai facilitar o estudo dos impactos na qualidade do ar e auxiliar na redução ou expansão do número de viagens, alterações nos sentidos de fluxo de trânsito, alteração no tipo de combustíveis, entre outras possibilidades.

Alguns desses modelos de softwares em uso na Secretaria de Meio Ambiente foram desenvolvidos por instituições renomadas como a Agência Ambiental dos Estados Unidos (United States Environmental Protection Agency - EPA), no caso dos modelos AERMOD e Calpuff. Há também o MSS (Micro Swift Spray), desenvolvido por uma empresa francesa com anos de experiência na área.

Os estudos de modelagem podem auxiliar na determinação dos locais para instalação de novas estações de monitoramento de poluição atmosférica, já que permitem identificar áreas críticas do ponto de vista da qualidade do ar ou mesmo representativas quanto à concentração de poluentes.

Mais de vinte profissionais da Secretaria de Meio Ambiente, BHTrans e outros órgãos já foram treinados no uso dos softwares. “Temos realizado trabalhos conjuntos para levantamento das fontes fixas da cidade, inclusive as que não passam por licenciamento, com o objetivo futuro de gerar um inventário dessas fontes. Esperamos que no próximo ano a ferramenta esteja plenamente inserida em nossos processos de trabalho, ajudando a garantir à população o acesso a uma qualidade do ar equilibrada e adequada”, explica Marinho.


Poluição sonora

Atualmente, um dos maiores problemas do licenciamento ambiental, principalmente na área industrial, está relacionado aos ruídos. Os softwares de modelagem de ruídos permitem a elaboração de mapas de ruídos, incluindo fontes fixas (máquinas e equipamentos) e móveis (veículos automotores), sendo possível simular diferentes situações, considerando a substituição de equipamentos, implantação de barreiras acústicas, aumento ou diminuição no tráfego de veículos leves e pesados, entre outras alterações que impactam na emissão de ruídos.

Alguns profissionais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente já participaram de treinamentos com um software de modelagem de ruídos e há planos da PBH para adquiri-lo, com o intuito de incorporar essa ferramenta à rotina de trabalho da equipe técnica.

“Entendemos que a utilização dessas novas tecnologias de modelagem eleva as atividades do licenciamento ambiental a um novo patamar, por estarem entre as mais avançadas ferramentas de previsão e avaliação de impactos ambientais relativos à qualidade do ar e de emissões sonoras disponíveis atualmente”, afirma o secretário municipal de Meio Ambiente, Mário Werneck.
 
 

09/08/2017. Qualidade do ar. Fotos: Divulgação/ PBH