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Nascimentos de animais no Jardim Zoológico reafirmam o compromisso com a conservação ambiental
Foto: Suziane Brugnara

Nascimentos de animais no Jardim Zoológico reafirmam o compromisso com a conservação ambiental

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Em 2025, importantes espécies de aves e mamíferos nasceram no Jardim Zoológico da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB), da Prefeitura de Belo Horizonte. Entre as espécies estão: um cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), um veado-catingueiro (Subulo gouazoubira), um filhote de mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) e dois filhotes de sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita). No grupo das aves aparecem uma arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus); três araras-canindé (Ara ararauna) e uma arara-vermelha (Ara Chloropterus). 

A maioria faz parte de Planos de Ação Nacional (PAN’s) por estarem em situação de risco na natureza, o que comprova a relevância do Zoológico de BH na conservação das espécies.

O cervo-do-pantanal, por exemplo, é a maior espécie de cervídeo da América Latina. Atualmente, a distribuição dela está reduzida e fragmentada, sendo que as maiores concentrações ainda podem ser observadas no Pantanal brasileiro. O cervo-do-pantanal consta na lista de espécies ameaçadas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês) na categoria “Vulnerável” e, em alguns estados brasileiros, como Minas Gerais, é considerada criticamente em perigo. Desde 2023, nasceram no Zoo três filhotes dessa espécie, sendo dois machos e uma fêmea. Atualmente, a instituição conta com esses filhotes, além dos pais deles (Valentina e Kuara). 

Apesar de não estar na lista de animais ameaçados de extinção, o veado-catingueiro é uma espécie brasileira que também sofre com a perda de habitats e, por isso, precisa ser protegida. No Zoo de BH existem sete indivíduos sendo quatro adultos (três fêmeas e um macho) e três filhotes. Dois deles nasceram em 2024 e um em fevereiro deste ano.

O sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), também conhecido como sagui-caveirinha, é encontrado naturalmente na Mata Atlântica mas, apesar da importância ecológica, encontra-se em perigo de extinção. Por ser uma espécie dependente de ambientes florestais e endêmica, tem sofrido bastante com a destruição do bioma. Em 2024 nasceram dois filhotes no Zoo de BH, um macho e uma fêmea e, em setembro, outros dois filhotes.

O mico-leão-preto é uma outra espécie que está nos Planos de Conservação, em decorrência das ameaças sofridas principalmente pela perda de habitat. O filhote que nasceu em 21 de outubro ainda não teve o sexo identificado e agora, juntamente com os pais, pode ser conhecido pelo público visitante.

De acordo com a bióloga e chefe da Seção de Mamíferos, Valéria Pereira todos os nascimentos reforçam a importância do trabalho técnico desenvolvido em jardins zoológicos e centros de conservação, na tentativa de oferecer as melhores condições de manejo, bem-estar e saúde para as espécies, sobretudo aquelas ameaçadas de extinção.

Aves

As aves que nasceram no Zoo não estão no grupo de espécies ameaçadas, mas a  reprodução, sob cuidados humanos, reforça a iniciativa da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica em participar da manutenção de espécies que são vítimas de tráfico intenso de animais no país.

Segundo a bióloga e chefe da Seção de Aves, Márcia Procópio, todos os nascimentos registrados aconteceram por uma questão de equilíbrio biológico no grupo de cada espécie. “A reprodução dos filhotes de arara-canindé, por exemplo, foi muito importante porque a mãe (que estava no plantel há muitos anos e sem reproduzir) passou a formar um casal com um macho que recebemos em decorrência das atividades do tráfico de animais. Alguns desses filhotes podem ser soltos na natureza e contribuir, efetivamente, com a conservação das espécies”, disse.

A parceria do Zoológico de BH com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE), com o Instituto Arara Azul, e com vários zoológicos brasileiros e europeus está possibilitando a implantação de estações, para repovoamento de áreas de ocorrência das espécies ameaçadas. “Nós já temos três filhotes de arara-azul-grande para participar de projetos de soltura. Recompor o que o tráfico retira ilegalmente e o desmatamento destrói é uma missão difícil, pois os danos são elevados e a recomposição é lenta e gradual”, enfatizou a bióloga e chefe da Seção de Aves do Zoo de BH. 

Um dos passos importantes para essa soltura é estabelecer a identificação genética dos animais. “Hoje sabemos, por meio de pesquisas científicas, que há uma diferença genética entre uma arara-azul que nasceu na Amazônia e uma que nasceu no Pantanal. Então, todos nós que reproduzimos sob cuidados humanos, vamos ter que ficar atentos a isso. Nosso próximo passo é a investigação genética das nossas araras”, conclui.

Até o momento, o Jardim Zoológico da capital teve sucesso na reprodução de quatro filhotes de arara-azul-grande. Três deles nasceram em 2023 e 2024. Um deles está no mesmo recinto com o filhote mais jovem e agora “ensina” o irmão caçula a buscar o alimento no comedouro.