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Impacto do clima no trabalho de catadores é debatido em evento na PBH
Adão de Souza/PBH

Impacto do clima no trabalho de catadores é debatido em evento na PBH

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Catadores, pesquisadores e representantes de instituições públicas e financeiras de diferentes regiões do país participaram do diálogo de políticas públicas “Catadores e o Financiamento para Resiliência Climática”, na Prefeitura de Belo Horizonte. Promovido pela Women in Informal Employment: Globalizing and Organizing (Wiego), com apoio da PBH, o encontro reuniu cooperativas, organizações da sociedade civil, especialistas, gestores e instituições financeiras de todo país para discutir os impactos das mudanças climáticas sobre o trabalho dos catadores e a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura resiliente e inclusão social.

O evento também contou com representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA). Na abertura, o subsecretário de Gestão Ambiental e do Clima, Dimi Chaves, destacou a importância de criar mecanismos de financiamento voltados aos trabalhadores da reciclagem.

“As mudanças climáticas estão afetando populações de todo o mundo, mas podemos dizer que os catadores e catadoras são os que mais sofrem, sob muita chuva ou muito sol”, destacou. Ele acrescentou que o principal desafio é construir um melhor ambiente com resiliência para os trabalhadores que exercem diariamente um papel ambiental fundamental para as cidades.

Especialista global em resíduos e inclusão social da Wiego, Sônia Dias ressaltou que o tema precisa avançar em ações concretas. “A gente precisa falar de mudança climática e incorporar de forma efetiva e concreta a melhoria dos espaços de trabalho dos catadores e catadoras”. Ela também defendeu a construção de uma “coalizão para a resiliência climática” envolvendo governos, setor financeiro, indústria e sociedade civil.

Impacto

Durante o encontro, foram apresentados dados de pesquisas nacionais e internacionais sobre clima, economia informal e reciclagem inclusiva. Segundo levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 58% da população economicamente ativa do mundo está na economia informal.

O evento também apresentou resultados de estudos sobre financiamento climático. De acordo com pesquisa da Cities Alliance, apenas 3,5% do financiamento climático global das últimas duas décadas foi destinado a assentamentos informais e populações urbanas vulneráveis, incluindo trabalhadores da economia informal.

Outro destaque foi a apresentação do projeto de monitoramento climático coordenado pela Wiego em parceria com cooperativas de catadores de seis capitais brasileiras: Belo Horizonte, Belém, Manaus, Salvador, Florianópolis e Brasília. O trabalho acompanha os impactos de eventos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas, sobre galpões de triagem, equipamentos, saúde dos trabalhadores, produção e renda das cooperativas.

O pesquisador Ricardo Abussafy explicou que o monitoramento busca transformar os impactos climáticos em dados sistematizados para fortalecer a luta por direitos e políticas públicas. Segundo ele, um dos principais problemas identificados foi a precariedade da infraestrutura das cooperativas. “O menor indicador encontrado foi justamente o de infraestrutura para o trabalho, mostrando um cenário de vulnerabilidade”.

Os estudos também revelaram que calor extremo e inundações são os eventos climáticos que mais afetam os catadores. Em algumas cooperativas monitoradas, trabalhadores precisaram se afastar das atividades por problemas de saúde relacionados ao calor excessivo e às fortes chuvas.

Programação e expectativa

A programação incluiu a apresentação da metodologia e dos resultados do projeto de monitoramento climático da Wiego, painéis com representantes de cooperativas monitoradas em Belém, Florianópolis e Belo Horizonte, além de debates com representantes da SMMA, Iclei, CIISC, Caixa Econômica Federal, BDMG, ABIHPEC e Ancat. Os participantes discutiram mecanismos de financiamento climático, estratégias de adaptação e formas de fortalecer a infraestrutura resiliente das cooperativas de reciclagem.

Entre os resultados esperados estão a identificação de estratégias de financiamento para reforçar a resiliência das cooperativas, a ampliação da integração dos catadores nos planos de adaptação climática e o fortalecimento das parcerias entre organizações de catadores, poder público, instituições financeiras e entidades gestoras da logística reversa.

Ao longo da programação, os participantes defenderam que a pauta climática incorpore de maneira efetiva os trabalhadores da reciclagem nas políticas públicas e nos mecanismos de financiamento, reconhecendo o papel estratégico dos catadores na mitigação das emissões e na construção de cidades mais sustentáveis e resilientes.