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Professora aborda tema do bullying em sala de aula.

BH em Pauta: Professora aborda o tema Bullying em escola

13/07/2017 | 21:01 | atualizado em 18/01/2018 | 12:31
A pedagoga e contadora de histórias Norma de Souza Lopes, professora desde 2005 na Escola Municipal Armando Ziller, na região de Venda Nova, assumiu a responsabilidade de formar leitores e mudar a cultura de leitura quando entrou em readaptação funcional em 2012, por problemas de saúde. Desde então, a Biblioteca Maurício de Souza conta com diversos projetos nos quais a leitura tem sido incentivada e abraçada por todos os alunos e professores em tempo integral.


Com a assistente de biblioteca Leonélia Fernandes e o professor Flávio de Carvalho Paulinelli, também em readaptação, Norma realiza projetos que buscam envolver assuntos cotidianos dos alunos com os conteúdos passados em aula, e, assim, inserir o hábito da leitura nos alunos.
 


O projeto atual tem como tema o bullying, em parceria com o professor de inglês Gilberto César Marques dos Santos, e tem como base o poema “To This Day” e o filme de animação do poeta e escritor canadense Shane Koycsan. O projeto é executado em três partes. Em um primeiro momento, o professor começa uma roda de conversa com a turma sobre o tema; depois, os alunos são conduzidos à biblioteca para a execução performática do poema em português e para assistir à animação com o poema legendado.
 


O poema aborda a história de três pessoas diferentes que foram alvo de perseguições quando crianças, seja por besteiras ditas quando garoto, seja por não se encaixar no padrão de beleza ou por ser adotada e depressiva pela falta dos pais. O poema mostra o quanto essas perseguições deixam traumas e marcam a vida das vítimas. Alguns conseguem superar, já outros acabam não suportando. Depois da apresentação, é realizada uma roda de conversa na qual os alunos contam sobre as impressões acerca do poema e da animação e, finalmente, estabelece-se um pacto antibullying com as turmas.
 


Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maus-tratos.
 


Norma Lopes conta que o debate abriu espaço para que as crianças que sofrem bullying fossem ouvidas. “As reações foram além do esperado, já que as crianças praticantes dos ataques foram atingidas quando escutaram os relatos.”


Terapia de grupo

Gustavo Gonçalves Gibim, de 12 anos, está no 7º ano e estuda no Escola Municipal Armando Ziller desde 2010. Ele relatou a história dele no debate realizado na biblioteca: “O bullying acontece no mundo inteiro e dói mais que um soco. Quando eu estava no 3º ano, eu não tinha cuidado com a aparência e era chamado de "bolota", de gordo, o que me deixava triste. Tinha dificuldade para fazer amigos. O poema faz todo mundo refletir sobre o sofrimento que o bullying causa na vida de várias pessoas e o tanto que o bullying atrapalha nas relações.”
 


Outro que relatou ter sido vítima de perseguições foi Gabriel Henrique Pereira Reis, 12, matriculado na EM Armando Ziller desde maio. “A gente não pode dar atenção ao bullying, senão fica como as pessoas do poema. Achei que o poema e a animação fortalecem quem sofre o bullying, mas não muda quem faz; essas pessoas têm de mudar o coração, o caráter. Precisamos ligar para nós mesmos e não prestar atenção no que falam sobre nós. Eu não ligo para a aparência, mas tenho o cabelo ruivo e a pele escura, e uma válvula dentro da cabeça, daí as pessoas me diziam que eu tinha que morrer por causa da minha diferença, que eu tinha uma cobra dentro de mim. Já fiquei até uma semana sem vir à escola.”
 


Norma Lopes conta que o projeto vem tendo continuidade, dada a fragilidade das vítimas observada nos momentos de debate. Essa continuidade é realizada com outra animação da roteirista Anna Budanova, chamada “The Wound”, que narra a história de um monstro pessoal que acompanha a vida de uma menina, até ela se tornar idosa. O monstro é criado como desafogo pelas frustrações da criança rejeitada e hostilizada, como refúgio da humilhação e angústia. “Nos trabalhos iniciais com o vídeo e a roda de conversa foi possível perceber uma reflexão e um fortalecimento das vítimas de bullying”, avalia Norma.
 


A pedagoga considera essencial que debates aconteçam e que a escola cumpra esse papel de ensinar não apenas matérias. “Ou a gente faz ou não acontece. Não podemos ficar só no conteúdo da sala de aula, temos que ter uma relação mais humanizada, esses debates nos mostram muito mais do que a gente costuma ver nos corredores da escola”, argumenta Norma.


Reconhecimento nacional

Fundada em 1994 no bairro Letícia, a Escola Municipal Armando Ziller foi transferida em 1996 para o bairro Mantiqueira. Fruto do Orçamento Participativo, a escola atende ao Ensino Fundamental 1º, 2º e 3º ciclos, além de duas turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Tem, atualmente, 908 alunos matriculados.
 


A escola já se destacou em pesquisas realizadas no cenário nacional, sobre boas práticas voltadas para o aprendizado. Na pesquisa realizada em 2015 pela Fundação Lemann, em parceria com o Itaú BBA e o Instituto Credit Suisse Hedging-Griffo, foram observadas as práticas que ajudam escolas a alcançar bons resultados de aprendizado nos anos iniciais do ensino fundamental.

 

13/07/2017. Escola discute a prática do bullyng em Venda Nova. Fotos: Divulgação/PBH