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BH em Pauta: PBH trabalha no empoderamento de idosos

06/07/2017 | 17:12 | atualizado em 14/07/2017 | 09:08

Aposentar-se não é sinônimo de parar. Em Belo Horizonte, aposentar-se e entrar na terceira idade significa reencontrar-se. Entre aprendizados diários, há três anos, a música tornou-se instrumento de estímulo e redescoberta para muitos idosos nos projetos ‘Voz e Violão’ e ‘Coral’ no Centro de Referência da Pessoa Idosa (CRPI). Os sons, no entanto, não ficam presos aos muros do prédio, transformam vidas e vêm alcançando, desde janeiro, outros espaços na capital mineira.
 

Elizabeth Candioto, de 70 anos, era funcionária pública até se aposentar e se descobrir música. Sentindo-se sozinha, procurou o CRPI. “Eu vinha ao Centro para fazer artesanato, até o dia em que vi o professor sentado, tocando violão com outras pessoas, e perguntei se ele me ensinava”. Com a resposta positiva, Beth começou a participar do projeto Voz e Violão.
 

A aposentada, que era depressiva até o início das aulas, conta que redescobriu o prazer da vida ao iniciar as aulas de violão e canto, no Centro de Referência. “É um trabalho muito bonito que a Prefeitura está fazendo. Eu vim aqui com uma depressão muito forte, com pensamentos ruins, e isso foi o que me ajudou a sair disso. Parei até de tomar remédio”, conta, satisfeita.
 

Aos poucos, os projetos rendem frutos. Com a mudança proporcionada pelas aulas de música, Beth propôs levar as apresentações do “Voz e Violão” para as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). Além de animá-los com músicas do sertanejo clássico, como “A majestade, o Sabiá”, ou hits como “Ai se eu te pego”, o grupo leva mimos, fazendo com que os internos se sintam valorizados e reconhecidos. As visitas às IPLIs já somam 30 e têm aberto portas para trazer outros idosos ao Centro de Referência.
 

A relação entre alunos e professor também ajuda no processo de empoderamento e protagonismo, pretendida pelo Centro de Referência. Hugo Cesar Lima é coordenador dos projetos de música e atualmente trabalha com cerca de 50 alunos. Ele sente a importância desta atuação em cada um dos 323 idosos que já passaram por suas aulas, desde 2014.
 

“No decorrer das aulas, além de ensinar, a gente escuta. Eles se abrem com a gente. A música se tornou uma terapia para essas pessoas. Elas se dão uma chance para viver novamente. Esse projeto tem atingido essa parte também: a parte emocional, trazendo a autoestima de volta pra elas”, conta. Hugo completa que algumas alunas mais antigas auxiliam no ensino dos colegas recém-chegados ao Centro, tornando-se multiplicadoras.

 

06/07/2017. Idade Ativa. Fotos: Stênio Lima/PBH

 

Convivência

Pianista de formação, Maria Aparecida Linhares começou a aprender violão, que, segundo ela, era um grande sonho, e logo foi convidada a ensinar a arte aos colegas. “Hugo me perguntou se eu não queria ensinar teclado. Respondi que ia avaliar, porque piano é uma coisa e teclado é outra. Então, eu consegui adaptar. Agora eu ensino às terças-feiras.”
 

Cidinha, assim como outras colegas, perdeu um ente próximo e encontrou no Centro um ponto de apoio. “Desde 2015 eu estou aqui todo dia, no Voz e Violão, no teclado ou no tricô”. Já Carmem Rugani, 81, é outra que fez do CRPI uma segunda casa. “Eu venho para cá todos e dias e fico praticamente o dia todo. É bom que a gente não fica sozinho. Meu humor melhorou muito nesse tempo. Eu era fechada, ainda sou, mas agora estou bem melhor. Graças a Deus! A gente faz muita amizade.” Além das atividades de música, Carmem participa de aulas de teatro e tricô e do programa Vida Ativa.

 

Participação

O espaço recebe atualmente 21 atividades voltadas para o empoderamento e protagonismo da pessoa idosa. Com uma estrutura voltada para acolher o idoso de uma forma ativa, plena, o Centro de Referência recebe atualmente 1280 idosos ativos, inscritos e frequentes. Mensalmente, o Centro realiza 6.500 atendimentos.
 

Para participar das atividades, que são gratuitas, o interessado deve se cadastrar no Centro de Referência da Pessoa Idosa (Avenida Dom Pedro II, 3250 – Caiçaras). Após o cadastramento, o idoso recebe o acolhimento de profissionais que irão acompanhá-lo no processo de inserção nas atividades.