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Detalhe de planta com flor Stemodia cipoensis, com flor branca e roxa e endêmica da Serra do Cipó
Foto: Suziane Fonseca/PBH

BH em Pauta: Herbário do Jardim Botânico

27/06/2017 | 15:41 | atualizado em 01/09/2017 | 15:46

Com importantes registros referentes às serras da Moeda, do Caraça e do Cipó, bem como à flora do Norte e Nordeste de Minas Gerais, o Herbário do Jardim Botânico de Belo Horizonte (BHZB) tem como objetivo catalogar e documentar a flora mineira e serve também como apoio ao trabalho de pesquisa científica, já que abriga uma coleção de grande valor para a taxonomia, a ciência que busca classificar os seres vivos.


Coleção necessária a todo jardim botânico, os herbários podem ser definidos como um acervo de alto valor científico de partes de plantas que foram coletadas, secas, preparadas e armazenadas em condições apropriadas. André Vito Scatigna é um dos biólogos que usufruem do BHZB. Mestre em Biologia Vegetal e doutorando em Biologia Vegetal na Unicamp, ele destaca o valioso papel do herbário para a ciência e para a conservação da biodiversidade. “O BHZB foi o único, entre os 30 herbários brasileiros que visitei, em que encontrei material de duas espécies novas de Stemodia. Uma delas, Stemodia cipoensis, endêmica da Serra do Cipó, foi recentemente publicada na revista Systematic Botany”, afirma.
 

O biólogo conta que recebeu no herbário da Unicamp empréstimos e doações do Herbário do Jardim Botânico de Belo Horizonte para identificação. “Aproveitei para olhar a coleção do gênero Stemodia, que é foco do meu estudo de doutorado. Entre as espécies de Plantaginaceae, encontrei duas espécies novas de Stemodia”, observa ele.
 

Segundo o pesquisador, uma das novas espécies de Stemodia possui apenas um único outro registro, encontrado no herbário do Museu Nacional de História Natural de Paris e coletado por Auguste de Saint-Hilaire, há 200 anos: “Isso evidencia a importância e a riqueza de coleções como essa.”
 

Um artigo com a descrição dessa nova espécie nativa da caatinga do norte de Minas Gerais, próximo ao Rio São Francisco, foi escrito por André e está em processo de revisão na revista Brittonia. “Sem dúvida, a coleção presente no BHZB foi de extrema importância para minha pesquisa, pois rendeu pelo menos duas publicações, e também para minha área de atuação, já que descrevemos duas novas espécies para a flora do Brasil”, enfatiza o biólogo.

 

Herbário BHZB

Em 2013, o herbário foi registrado com o acrônimo de BHZB no Index Herbariorum (IH), banco de dados que engloba informações dos principais herbários do mundo, sediado no Jardim Botânico de Nova Iorque. O registro significa reconhecimento internacional para o herbário e um importante avanço.
 

“Através dele, pesquisadores de todo o mundo podem nos contatar para conhecer e estudar nossa coleção, uma vez que o registro no IH é uma importante chancela para o intercâmbio de exemplares, para o envio e recebimento de material botânico para estudo e para a obrigatória citação em publicações científicas do voucher (número que o espécime estudado pelo pesquisador adquiriu no herbário ao ser por ele incorporado) aqui depositado”, afirma a bióloga da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte, Maria Guadalupe Carvalho.

De acordo com Guadalupe, a coleção do BHZB é proveniente de coletas que a equipe técnica do Jardim Botânico realiza nos projetos de pesquisa, sendo formado, principalmente, por espécies que ocorrem em Minas Gerais. “O acervo também pode ser enriquecido por doações e permutas com outros herbários e por pesquisadores que nos procuram para abrigarmos o material de suas pesquisas”, explica.
 

Segundo ela, desde 2006, o BHZB é credenciado junto ao Conselho de Gestão do Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente (CGEN/MMA) como fiel depositário, ou seja, passou a ser um dos herbários brasileiros capazes de abrigar exemplares-testemunho de pesquisas botânicas.
 

Guadalupe também destaca que outra importante conquista foi a associação ao projeto INCT Herbário Virtual da Flora e dos Fungos do Brasil, que tem por princípio promover o acesso livre e aberto aos dados, informações e ferramentas disponíveis a qualquer indivíduo ou grupo. “Os dados do acervo BHZB estão disponíveis para promover a pesquisa e o desenvolvimento científico no país e no exterior e para estimular o uso público da informação científica. Com isso, nosso acervo pode ser consultado online através da plataforma speciesLink/CRIA”, esclarece ela.

 

O Herbário do Jardim Botânico da Fundação Zoo-Botânica Belo Horizonte (Avenida Otacílio Negrão de Lima, 8000, Pampulha) é aberto para pesquisadores ou para visitas programadas de universidades, de segunda a sexta-feira, das 8 às 16h, e, dentro das limitações da estrutura, atende à demanda de todos que realizam agendamento. A curadora do Herbário BHZB é Inês Ribeiro. O contato dela é inesribeiro@pbh.gov.br ou 3277-9211.

 

 

27/06/2017. Herbário da FZB. Fotos: Suziane Fonseca/FZB