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Cerca de oito crianças, da Rede Municipal de Educação, de 4 a 5 anos sentadas no banco de reserva do Mineirão.
Foto: Divulgação/PBH

BH em Pauta: Educação Infantil vai a museus e estádios

31/08/2017 | 18:06 | atualizado em 04/09/2017 | 08:27

Já imaginou crianças de 4 e 5 anos conhecendo a cidade onde moram de um jeito diferente, passeando por parques, museus, centros culturais e pontos turísticos; brincando nesses espaços que são parte da identidade delas? E mais: dividindo com a família as novidades que muitos adultos nem imaginavam fazer parte do entorno deles? Pois é assim para as crianças da Educação Infantil da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. Mensalmente, cerca de duas mil crianças nessa faixa etária, matriculadas nas escolas, Umeis e creches parceiras da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), circulam pelos espaços culturais da cidade, vislumbrando um jeito novo de aprender.
 

O roteiro é proporcionado pelo projeto Educando a Cidade para Educar, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação (SMED) desde 2012. O objetivo é promover a inserção de crianças e também dos adultos que atuam junto à Educação Infantil nos espaços culturais da cidade. O projeto envolve parceria com vários espaços da cidade, incluindo 12 museus, e ações de formação junto às equipes dos espaços parceiros para a recepção desse público. Até o final de 2017, serão realizadas 433 visitas contemplando cerca de 8.660 crianças.
 

O resultado dessa ação pode ser apreciado nos rostos entusiasmados das crianças quando chegam aos espaços. É o caso de Giovanna Rafaela Costa Cássia, de 4 anos, da Umei Castelo de Crato, regional Pampulha, que ficou animada ao visitar o Museu do Futebol e a Arena do Mineirão. “Eu já tinha visto o Mineirão por fora e hoje vi por dentro e gostei muito. Achei divertido vir aqui e brincar com meus colegas de pega-pega.” O coleguinha de sala, Artur Mendes de Oliveira, 4, também aprovou o passeio, mas fez algumas ressalvas. “Acho que a gente tinha de vir de noite para ver o jogo. Algumas vezes tem jogo de dia também, mas hoje não tinha. Aqui é muito ‘mais grande’ (Sic) do que eu pensei. Quero voltar pra ver um jogo.”

 

Um jeito novo de aprender

Para a educadora Luciana Terra, estudante de Geografia e estagiária do Museu do Futebol, o trabalho com as crianças é uma experiência que motiva e ajuda a formar futuros adultos com um olhar diferenciado para a cidade. “É a forma de a criança absorver, de fato, a informação e brincar nesses espaços. Essa experiência é fundamental e imagino essas crianças chegando em casa e contando para os parentes as descobertas. Com isso, cria-se o sentimento que eles podem usufruir desses lugares”, enfatiza a educadora.
 

Por meio do projeto, esses espaços diferenciados de aprendizado podem ser explorados em toda a capital mineira. Até mesmo em lugares, em princípio pensados para o público adulto, como a Casa do Baile, parte do conjunto arquitetônico da Pampulha. Nesse ambiente, as crianças demonstram que também na infância é possível apreciar a beleza do lugar, como relata Yasmim Vitória, 5, da Umei Professora Marta Nair Monteiro, regional Centro-Sul. “Eu já fui em outro museu, mas gostei muito daqui porque é bonito. Eu brinquei de massinha, de sapo e gostei do teatro. É tudo muito legal.”
 

Para o coordenador educativo da Casa do Baile, Cássio Campos, a parceria com a SMED proporcionou também ao local repensar as formas de trabalhar com os diversos públicos. “A gente não tinha esse público com frequência e nem tantas atividades específicas para as crianças menores. A partir do momento em que as crianças se tornaram mais presentes neste espaço, começamos a estruturar mais atividades de acordo com a faixa etária e as linguagens delas, com mais experiências lúdicas para vivenciarem a Pampulha.”
 

Cássio explica que, na Casa do Baile, que é um lugar projetado para adultos, mobilizar o público infantil requer uma atenção especial. “Estamos pensando muito no entorno, na paisagem, na questão dos bichos, da natureza. Nós prestamos muita atenção no que essas crianças percebem e, a partir das conversas, detectamos que elas curtem muito mais a natureza, a paisagem, do que a forma arquitetônica ou a história. Nosso trabalho se pauta muito no que chama a atenção dessas crianças.”

 

Em Família

Não é somente as crianças, contudo, que se empolgam com o Educando a Cidade para Educar. Os profissionais que atuam na Educação Infantil aplaudem a iniciativa da PBH e revelam que a experiência é fundamental para as crianças e para os adultos com os quais elas convivem, como informa a professora Carla Cristina de Paula, da Umei Castelo de Crato. “Acho essa iniciativa importante, primeiro por ser uma forma de transmitir cultura e de possibilitar que eles enriqueçam os seus conhecimentos, pois nem sempre todos têm essa oportunidade. Outra observação que faço é a curtição deles com os amigos.”
 

Marina Browne, coordenadora pedagógica da Umei Castelo de Crato, completa que esse projeto traz uma contribuição importante na construção da identidade dessas crianças. “As crianças têm a oportunidade de conhecer Belo Horizonte de uma forma diferente. Vale lembrar que muitas delas, às vezes, só têm essa oportunidade por meio da escola. Estamos na região da Pampulha e trazer essas crianças ao Mineirão, que está dentro da comunidade deles, é mostrar que esse lugar faz parte da identidade deles. Isso é muito bom”, comenta Marina.
 

A avaliação é compartilhada também pela professora Cristiana Tostes Reis, coordenadora pedagógica da Umei Professora Marta Nair Monteiro. “O projeto é maravilhoso, principalmente para as crianças da nossa Umei, moradoras do Morro do Papagaio, e que têm pouca vivência do que é Belo Horizonte. Essa é a oportunidade que eles têm de conhecer a cidade onde moram; de visitarem locais diferentes, de terem a vivência de como é o comportamento em um museu, o que se pode ou não fazer em cada ambiente. Toda vez que fazemos esses passeios, convidamos os pais a repetirem o passeio, posteriormente, em família. As crianças também cobram da família. Temos relatos de alguns pais que já refizeram os mesmos passeios feito na escola com os filhos. Esse projeto implica em um crescimento cultural para as crianças e para as famílias”, finaliza.
 

 

31/08/2017. Educando a cidade para Educar. Fotos: Divulgação/PBH