Pular para o conteúdo principal

Imagem do Cristo do Barreiro de costas. Ao fundo, céu azul em dia claro.
Foto: Arquivo Barreiro/PBH

BH em Pauta: Barreiro faz 162 anos em agosto

31/08/2017 | 20:45 | atualizado em 04/09/2017 | 08:28

Três de agosto de 1855, registro de terras da fazenda Barreiro: este é o marco inicial de uma das mais antigas regionais de Belo Horizonte. Quem vê o Barreiro hoje não imagina que esta região era composta por grandes fazendas que forneciam leite e hortifrutigranjeiros para os moradores do Curral Dey Rey, à época da construção da nova capital, Belo Horizonte. Também saiu da região boa parte das pedras, tijolos e telhas usadas nas obras.
 

Das fazendas foram surgindo bairros. A Fazenda Jatobá ficava no limite de onde é hoje Ibirité, em área na qual estão os bairros Mangueiras, Jatobá, Mineirão, Independência, Castanheira, Vila Pinho e Vila Santa Rita. Em torno da Fazenda Barreiro, localizada aos pés da serra, formaram-se os bairros Bonsucesso, Olhos D’água, Araguaia, Barreiro de Cima, Teixeira Dias, Diamante, Olaria, Santa Helena, Solar, Urucuia, Vila Cemig, Flávio Marques e Milionários. No local havia grandes cursos d’água, suficientes para irrigação das plantações e abastecimento da nova capital em construção.
 

Em 1880, a grande Fazenda Barreiro foi dividida em duas propriedades. Uma delas, a Fazenda do Pião, foi ocupada por colonos brasileiros e estrangeiros como italianos, portugueses e alemães. A fazenda fazia limite com Contagem e ocupava a área onde atualmente estão os bairros Barreiro, bairro das indústrias, Átila de Paiva, João Paulo II, Túnel de Ibirité, Durval de Barros, Itaipu, Lindeia, Tirol, Vila Santa Margarida e Maldonado.
 

Com os colonos chegaram não só novas técnicas de cultivo, mas também diferentes traços culturais. Além de inúmeros descendentes, muitos também deixaram a marca nos nomes de ruas, avenidas, bairros e escolas da região. Entre as primeiras famílias de colonos estão famílias como os Gatti, Pongelupe, Rosso, De Moro, Hilbert, Nonaka, Teixeira Dias, Cardoso, Hoffmann, Ricoy, Aganetti, Peters, Wacha e Cioletti.

 

 

Sinais de crescimento

 

Em parte do terreno da Fazenda do Pião foi construída a Companhia Siderúrgica Mannesman, atual Vallourec, inaugurada em agosto de 1954. Em torno dela formou-se uma vila operária e as primeiras lojas do que é hoje um dos maiores centros comerciais da cidade.

Com o crescimento, as necessidades se reconfiguram. O espaço reservado para a construção de um mercado do Barreiro agora abriga o Conjunto Estação Barreiro-Shopping, o primeiro complexo do modelo construído na cidade. Com isso, a região que em 1930 acessava a região central da capital somente por meio da pequena jardineira de Laureano Pimentel, atualmente conta com duas estações do sistema BHBus: a Estação Diamante e a Estação Barreiro, que transportam mais de 100 mil pessoas diariamente.
 

A região que em 1948 foi transformada em cidade satélite, em 2010 já contabilizava 283 mil habitantes. Na época da colônia, atendimento médico aos moradores só era possível quando um profissional vinha da capital e contava-se, na maioria das vezes, com medicamentos naturais e benzedeiras. Hoje a região tem um hospital com tecnologia de ponta e capacidade para 451 leitos.
 

O Hospital Metropolitano Doutor Célio de Castro, também chamado de Hospital do Barreiro, foi inaugurado em 12 de outubro de 2015. A rede de atendimento médico local conta ainda com outros dois grandes hospitais públicos, além de uma Unidade de Pronto Atendimento-UPA, 20 centros de saúde, um Centro de Referência em Saúde Mental (CERSAM) e um especializado em álcool e outras drogas (CERSAM AD).
 

A região que começou com a Escola da Vargem Grande, criada em 1918, na fazenda do Pião, hoje conta com 29 escolas municipais, um Polo de Educação Integrada (Poeint Barreiro), 20 Unidades de Ensino Infantil (UMEIS) e 25 escolas estaduais, além de várias creches comunitárias e conveniadas à Prefeitura, escolas particulares e faculdades.

 

 

Bens culturais e naturais

 

Com quatro centros culturais conquistados pela comunidade por meio do Orçamento Participativo, o Barreiro possui uma intensa vertente artística. Os centros culturais Urucuia, Vila Santa Rita, Lindeia Regina e Bairro das Indústrias oferecem oficinas e apresentações artísticas gratuitas durante todo o ano e não só atraem muitos grupos como também contribuem para projetá-los no cenário artístico da cidade.
 

Cenário de muitos acertos políticos nos anos 1900, a região abrigou o Palácio dos Governadores, um suntuoso prédio erguido onde está localizado o Poeint Barreiro. Em área vizinha ao palácio, em 1922 foi construída uma casa de descanso para o prefeito. A construção é atualmente a sede administrativa do Parque das Águas Roberto Burle Marx. Localizado no bairro Flávio Marques Lisboa, o parque possui 178,5 mil m² de área e atrai um grande público em busca de lazer. O Barreiro abriga também os parques Carlos de Faria Tavares, na Vila Pinho; Vida e Esperança, no Tirol; e Padre Alfredo Sabetta, no Teixeira Dias, além do terceiro maior parque em área urbana do país, o Parque Estadual da Serra do Rola Moça.

 

 

Infraestrutura
 

Para ampliar a cada dia a qualidade de vida dos moradores, a Prefeitura de Belo Horizonte faz investimentos em diversas obras. A construção das Bacias de Detenção do Bonsucesso, Olaria e Jatobá, em execução no Córrego Camarões, bem como a conclusão da avenida Tereza Cristina são exemplos de obras de infraestrutura de grande impacto.
 

Por meio de programas de urbanização, centenas de famílias foram removidas de áreas de risco. Obras de saneamento, reestruturação do sistema viário, urbanização de becos, implantação de parques e equipamentos para a prática de esportes e lazer deram nova configuração a diversas vilas. Assim, o Barreiro, aos 162 anos, cresce a cada dia contribuindo ainda mais para o desenvolvimento da cidade.
 

 

31/08/2017. Barreiro completou 162 anos. Fotos Arquivo/Barreiro