18 August 2026 -
Depois de 17 anos sem uso, o antigo complexo da Escola de Engenharia da UFMG, na Regional Hipercentro, vai ganhar uma nova função após a Prefeitura ter recebido, da União, a guarda provisória do imóvel. A ideia é transformar o conjunto em um espaço institucional para receber até 2,4 mil servidores municipais, além de abrigar espaços para comércio, serviços, cultura e áreas de convivência.
A proposta da PBH busca dar nova vida a uma área que, hoje, tem pouco movimento e baixa presença de estabelecimentos comerciais. A expectativa é de que a ocupação do complexo aumente a circulação de pessoas, fortaleça o comércio existente e crie condições para a chegada de novos negócios e investimentos, melhorando, inclusive, a segurança do local.
A transferência definitiva ainda não foi concluída em razão das restrições do período eleitoral, e deverá ser efetivada após as eleições. Com a transferência, o Município poderá avançar nas etapas de implantação do projeto.
A requalificação envolve mais de 30 mil metros quadrados de área construída. Dois edifícios existentes serão recuperados e adaptados para os novos usos: o Edifício Arthur da Costa Guimarães, voltado para a Rua Espírito Santo, que é tombado e será preservado, e o Edifício Álvaro da Silveira, voltado para a Avenida do Contorno. Nos pavimentos superiores, deverão funcionar unidades da Prefeitura, enquanto o térreo e o segundo pavimento poderão receber comércio, serviços e atividades culturais.
A presença dos servidores deverá gerar um fluxo diário significativo em uma região que, atualmente, tem pouca atividade comercial. A expectativa é estimular a instalação de padarias, restaurantes, cafés, lojas, livrarias e serviços diversos, além de beneficiar estabelecimentos que já funcionam nas proximidades.
Somos Centro
A iniciativa integra o programa Somos Centro, voltado à requalificação da região central. “O objetivo principal desse projeto, além da requalificação, é viabilizar espaços de trabalho para os servidores do município. A ocupação desse conjunto vai permitir também uma nova relação com o espaço público e com as atividades comerciais e culturais da região”, afirma o secretário municipal de Política Urbana, Leonardo Castro.
A estimativa inicial de investimento é de aproximadamente R$ 150 milhões. O Município ainda avalia o modelo de contratação para a implantação e manutenção do complexo, incluindo a possibilidade de uma Parceria Público-Privada (PPP). A previsão é de um ano e meio para a execução das obras. Considerando as etapas de estruturação e contratação, o cronograma total poderá chegar a dois anos e meio.
Com a recuperação do edifício tombado, a instalação das unidades municipais e a criação de espaços comerciais, culturais e públicos, a Prefeitura espera transformar um quarteirão que permaneceu quase duas décadas sem uso em um novo ponto de atividade no Hipercentro.
Preservação e novos usos
Entre os imóveis que serão mantidos estão o Edifício Arthur da Costa Guimarães e o Edifício Álvaro da Silveira, sendo o primeiro tombado pelo patrimônio. Os dois prédios deverão passar por retrofit, com modernização da infraestrutura e adequação aos novos usos. Um terceiro prédio será mantido, mas continuará sob a gestão do Governo Federal.
Nos pavimentos superiores, a prioridade será o uso institucional. Já os térreos e o segundo pavimento deverão ter uma relação mais direta com a cidade, com possibilidade de instalação de comércio, serviços e atividades culturais. A ideia é que a presença das unidades municipais não resulte em um espaço exclusivamente administrativo. A abertura dos térreos e a criação de áreas públicas devem favorecer a circulação e a permanência de pessoas ao longo do dia.
O projeto não prevê a transformação do complexo em área habitacional. As características arquitetônicas, a configuração dos espaços e a estrutura dos edifícios são mais adequadas a atividades institucionais, comerciais, culturais e de serviços.
Espaço cultural e área verde
Os galpões mais deteriorados que fazem parte do complexo, da Rua dos Guaicurus, serão retirados para permitir a reorganização do interior do quarteirão. Cabe ressaltar que serão demolidos essas construções não são tombadas e são de pequeno porte. No local deverá ser construído um edifício cultural suspenso, com um vão no nível da rua para a passagem de pedestres e acesso a uma praça pública interna, de aproximadamente 1.700 metros quadrados.
O projeto prevê, ainda, um pátio interno e novas conexões entre a Rua dos Guaicurus, Rua da Bahia, Rua Espírito Santo e Avenida dos Andradas. A intenção é abrir o quarteirão para a circulação de pedestres, integrando-o às ruas do entorno. “A demolição dessas edificações permite criar um espaço físico com pátio interno que possibilite a integração e a conexão entre as quatro ruas que circundam essa quadra”, explica Leonardo Castro.
A proposta inclui mais de 2.600 metros quadrados de áreas permeáveis e arborizadas, distribuídas entre jardins e espaços de convivência. Também estão previstas soluções de acessibilidade, ventilação e iluminação naturais.
