19 December 2025 -
Nesta sexta-feira (19), a Secretaria Municipal de Educação (Smed) realizou, em parceria com o Hospital São Francisco, a cerimônia de certificação no nível do Ensino Fundamental aos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) que realizam hemodiálise na unidade hospitalar. Ao todo, 14 pacientes se formaram. O evento foi realizado na Escola Municipal Hugo Pinheiro Soares, na regional Nordeste.
Esta foi a última cerimônia do ano, entre as turmas compostas por pacientes em tratamento em unidades de saúde. Atualmente, além do Hospital São Francisco, participam do projeto o Hospital da Baleia, o Hospital das Clínicas, o Hospital Evangélico e os Centros de Nefrologia do Hospital Evangélico na avenida do Contorno e na regional Venda Nova.
O Projeto Linhas que Dão Vida foi criado em 2024, a partir da parceria entre os hospitais e a Secretaria Municipal de Educação (Smed). As aulas acontecem durante as sessões de hemodiálise, duas vezes por semana, nos turnos da manhã, tarde ou noite.
O evento no Hospital São Francisco foi marcado pelo clima de celebração e pela sensação de dever cumprido. Emocionado, o membro da coordenação da EJA, Elair Sanches Dias, representou a Smed na cerimônia. Para ele, o sentimento que descreve o momento é o de realização. “Como Secretaria, nós desejamos ir até onde o estudante está: na escola, em abrigos, em igrejas, em Centros de Referência de Saúde Mental (Cersam), em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) ou em hospitais, dos quais as pessoas não podem sair, porque estão em tratamento de hemodiálise”, comenta.
Durante a cerimônia, foram ouvidos representantes do Hospital São Francisco: a gerente Assistencial, Maria Cecília Andrade; a coordenadora do Serviço de Hemodiálise, Marlei Bastos; e a superintendente de Serviços Hospitalares”, Adriana Melo.
Idealizadora do projeto “Linhas que Dão Vida”, Adriana lembrou que a ideia surgiu após uma inquietação sobre o que os pacientes faziam durante o procedimento médico. Ela comenta que a educação é fundamental para que o paciente crônico entenda as informações hospitalares, que são escritas, na maioria das vezes. “Às vezes não imaginamos a diferença que a leitura faz na vida de uma pessoa. Ela transforma vidas e abre horizontes”.
Também foi ouvida a diretora da escola, Ana Luiza Motta, que celebrou a parceria com a instituição hospitalar e agradeceu os familiares e os professores dos formandos.
Gratidão, alegria e novas perspectivas
Mário Lúcio Monteiro Mota, de 59 anos, foi caminhoneiro de longa data até que, há dois anos, foi acometido por um cálculo renal. No processo de tratamento, perdeu a visão e começou o processo de hemodiálise. Há dois anos, conheceu o projeto "Linhas que Dão Vida" e concluiu sua formação. "Hoje, aos 59 anos, sinto gratidão e alegria por essa segunda oportunidade. Acredito que, quando recebemos uma nova chance na vida, temos que agarrá-la com tudo", comenta.
Outra formanda foi Maxilaine Magalhães Barbosa de Brito, de 61 anos. As chances dela de estudar foram interrompidas para cuidar dos irmãos. A decisão de entrar no projeto surgiu assim que soube do projeto, porque ela nunca havia tido essa oportunidade. Ela subiu ao palco emocionada e, emocionada, comentou a importância do momento. "Para mim, aprender é a coisa mais linda que existe. É um prazer enorme conseguir formar as palavras; a gente passa a ver o mundo com outros olhos. É algo realmente muito gratificante", relata.
Para o próximo ano, o objetivo é levar educação inclusiva e de qualidade para mais hospitais, para além dos cinco centros de saúde que, atualmente, participam da iniciativa.
